Gorduchinha Já!

Leia o post original por Mauro Beting

 

Ripa na chulipa!

(Ou é xulipa. E que raios é chulipa?)

Não sei. Só sei que quem sabia era o Pai da Matéria. O Garotinho. O locutor das Diretas-Já. A voz que deu graça ao grito por democracia. O cara que revolucionou o rádio. A mente de craque que antevia as jogadas. O artista que bota agora nas telas o que pintou nos gramados como nenhum outro.

Ele é o Mané Garrincha do rádio. Osmar é o gênio da transmissão esportiva. Apresentador de TV e de rádio com a mesma categoria. Improviso de primeira classe. Criatividade de Pelé. Ninguém fez antes. Ninguém fará igual.

Osmar Santos. São Paulo. Marília. Palmeiras. Corinthians. Flamengo. Vasco. Grêmio. Internacional. Cruzeiro. Atlético. O time que for era mais equipe com Osmar. O gol que fosse era mais bonito com o Garotinho. A canelada era a pintura a óleo que ele agora faz.

Booooom!

Ótimo, Garotinho!

Ele é a mesma criança que fez da latinha a arma para virar o jogo, o rádio, até o Brasil que era fechado quando ele abria o microfone. E ficava mais aberto quando ele abria a mente privilegiada, o coração aberto para todas as cores e credos. Osmar botava poesia em cada lance. Humor em cada jogada. Amor pelo que fazia como ninguém. Ninguém mesmo.

O jogo do Osmar era outro. Podia até ser outro esporte mesmo. Era uma festa. Uma farra. Até quando a bola subia e sumia. Até quando o bagre tomava o lugar do craque. Ele brincava. Sacaneava. Zoava. E fazia as derrotas menos doídas. E narrava as vitórias mais gostosas.

Foi pela voz dele que, uma noite, eu ouvi meu nome “Mauro Alexandre” falado na Rádio Jovem Pan lamentando que “quase, quase” o meu Verdão chegava lá.

Foi pela voz dele, numa noite de sexta-feira, em casa, que ele disse que o Palmeiras ganharia do São Paulo, no dia seguinte. Perdemos por 3 a 1. Chorei pela derrota e eliminação no turno do Paulistão de 1977. E, também, pelo fato de o Osmar ter errado o que parecia certo. Ainda mais certo na voz dele.

Aprendi então que a voz dele podia errar um vaticínio. Como quis o destino que a voz dele no rádio se calasse em 1994. Mas não aqui dentro. A voz do Osmar sempre vai ter vez para todos. Vai sempre calar fundo em todos nós.

Por isso a Gorduchinha vai rolar bonita agora em vários campos do Brasil.

A Penalty abraçou a ideia e vai lançar um produto com a beleza que Osmar contava e encantava. Com a paixão com que ele narrou histórias que o futebol do Brasil e o Brasil do futebol apresentaram.

Gorduchinha Já!

Osmar sempre!