Pato no lugar de Ganso, Osvaldo decisivo e vitória magra do São Paulo contra o CSA

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

CSA 0×1 São Paulo

Muricy privilegiou a manutenção do esquema tático.

Iniciou o jogo com Ganso na reserva e testou Pato em duas funções.

O estreante atuou com seriedade, disciplina tática, se apresentou razoavelmente bem, mas não brilhou.

O destaque foi, de longe, Osvaldo, o melhor na criação e autor do gol da vitória.

O CSA apostou no posicionamento que privilegia a marcação e os contra-ataques.

Poderia ter feito o gol porque o sistema defensivo do São Paulo de novo deixou espaços pelos lados.

Alvaro Pereira, por exemplo, jogou mal.

A apresentação são-paulina não merece aplausos e nem críticas duras.

Mesmo assim, era ‘obrigação’ do time vencer por vantagem maior e evitar a partida no Morumbi.

Há maneiras e maneiras de se analisar o futebol.

Se eu for avaliar o que as agremiações fizeram nos 93 minutos e levar em conta o potencial delas, sem dúvida vou elogiar o Azulão, apesar da atuação inferior à do adversário, pois chegou mais perto do próprio limite.

Escrevi num post com vários detalhes táticos sobre as opções de Muricy com Pato em campo.

Confira

Interessante opção de Muricy 

Muricy confirmou, faz duas ou três semanas, que Pato, sem condições legais para atuar no paulistinha, começaria jogando em Maceió.

Pabon e Osvaldo, de acordo com os repórteres que cobrem o dia-a-dia do CT da Barra Funda, eram os mais cotados para deixar a equipe.

O treinador surpreendeu e botou Ganso no banco.

A alteração seguiu a lógica do futebol coletivo.

Pato é atacante, sabe jogar pelos lados, mas não tem as características daqueles atletas que gostam de receber a bola perto da linha lateral, os pontas modernos.

Ele enfrentaria dificuldade para executar função igual a de Pabon, que atua na direita e volta bastante para ajudar o meio-campo a marcar, e especialmente a de Osvaldo, melhor jogador do sistema ofensivo no começo da temporada e que também ajuda na parte defensiva, apesar de não ser tão bom nisso.

Por isso o treinador o colocou entre os dois titulares, na linha de três do 4-2-3-1, e manteve o desenho tático do clássico diante do Corinthians e das últimas vitórias contra agremiações pequenas no estadual.

Pato foi encarregado de ajudar na criação e na marcação, além de se aproximar de Luis Fabiano.

O fez razoavelmente bem.

Tentou tabelar com o veterano centroavante, se movimentou mais do que Ganso usualmente faz com o objetivo de ajudar Osvaldo e Pabon nos lances pelos lados, e apareceu na área para finalizar.

Criou um lance de gol, teve outro corretamente não confirmado, pois dominou a dita cuja com o braço, quase balançou a rede num cabeceio e ajudou na pressão na saída de bola.

O razoável CSA foi bem

O CSA derrotou  o Bahia por 4×1 e foi eliminado no mata-mata da Copa do Nordeste pelo Sport após fazer 1×0 em casa e sofrer 2×0 No Recife.

Está longe de ser um time bom, forte, capaz de bater de frente com o São Paulo, mas também não está naquele grupo de equipes ingênuas e inofensivas que de vez em quando aparecem na primeira fase da Copa do Brasil.

Tanto é que dificultou a vida de duas agremiações da elite do futebol nacional.

Além disso, conta com torcida apaixonada.

O jogo

O técnico Oliveira Candindé armou o time para se defender e contra-atacar.

O CSA começou a marcar na linha que divide o gramado e tentou partir em velocidade nos contra-ataques. O congestionamento bem feito na frente da área dificultou a vida do favorito.

No 1° tempo, a luz do sistema ofensivo do São Paulo foi Osvaldo.

Os dribles dele abriram espaços no ferrolho alagoano.

Luis Fabiano se movimentou para fazer o trabalho de pivô, buscou o jogo, conseguiu uma bela tabela com Pato, se posicionou corretamente na área para finalizar, mas não foi bem tecnicamente:  errou as assistências e chutes em gol.

O lado direito do sistema ofensivo deixou a desejar. O apoio de Douglas foi improdutivo e Pabon, como Luis Fabiano, pecou na parte técnica.

Mesmo assim o andamento do confronto justificou a manutenção do colombiano em campo.

O lateral-esquerdo Mineiro apoiou bastante, é veloz e alguém precisava marcá-lo.

O CSA levou perigo em alguns contra-ataques. Teve chances para fazer o gol.

Não conseguiu nenhum por causa dos limites técnicos dos seus atletas.

Novamente o São Paulo deu espaços pelos lados.

A má atuação de Alvaro Pereira e a tradicional oscilação de Douglas na composição do sistema defensivo abriram as brechas.

Osvaldo, o diferencial

O segundo tempo começou igual ao anterior.

Com as mesmas propostas de jogo, andamento, dificuldades e Osvaldo de protagonista.

A diferença foi o acerto do atacante aos 9 minutos.

Deu belo drible dentro da área e chutou forte, de esquerda, no ângulo direito.

Bonito gol dele.

Pouco impacto

O CSA tentou adiantar o sistema defensivo para roubar a bola no ataque, pegar a defesa do adversário mal-posicionada e tentar empatar.

O São Paulo continuou em busca do gol. Precisava ganhar por dois de vantagem para garantir a vaga sem precisar jogar no Morumbi.

A mudança de posicionamento do Azulão do Mutange não surtiu efeito no andamento do confronto, contudo quase acabou em gol.

O passe errado de Alvaro Pereira para Rogério Ceni terminou com o Uederson* driblando o goleiro e falhando na condução da bola, que tocou na trave e saiu.

Os boleiros do Centro Sportivo Alagoano também arriscaram chutes de fora da área.

Outra função de Pato

Aos 25, Muricy substituiu Luis Fabiano por Ganso e testou o Pato noutra posição.

O meia ficou na linha de três e o jogador trocado por Jadson foi para o comando do ataque.

O treinador de novo privilegiou a manutenção do esquema tático.

Além disso, poupou o centroavante veterano e observou se com Pato de centroavante a movimentação do sistema ofensivo aumentaria e seria útil.

Por falta de entrosamento, ou talvez pela apresentação apagada de Ganso, que deu um bom passe apenas, e também devido ao cansaço de Osvaldo, a alteração nada agregou.

Depois da entrada de Ademilson no lugar do destaque do jogo, o São Paulo caiu de rendimento.

Insuficiente e justo

A arbitragem não interferiu no resultado.

Soprou faltas inexistentes, parou o jogo mais que o necessário, mas manteve um critério em todo confronto e acertou nos lances capitais, como em ambos os gols anulados, um de cada time.

Ficha do jogo

CSA – Pantera; Pedro Silva, Roberto Dias, Tiago Garça e Mineiro; Charles Vagner, Lucas, Santos (Williams Vassoura), Daniel Costa e Uederson (Thiago): Jeferson Maranhense
Técnico: Oliveira Canindé

São Paulo – Rogério Ceni; Douglas, Rodrigo Caio, Antonio Carlos (Edson Silva) e Alvaro Pereira; Wellington e Maicon: Pabon, Pato e Osvaldo (Ademilson); Luis Fabiano (Ganso)
Técnico: Muricy Ramalho

Árbitro; Renan Roberto de Souza (PB) – Bandeirinhas; Luis Filipe Gonçalves Correa e Oberto da Silva Santos (ambos da Paraíba)

Renda: R$ 383.000,20 – Público 17.006 torcedores

* Corrigido