Entrega em todos os lugares

Leia o post original por Mauro Beting

Minha sogra Leila, casada há 50 anos com um grande são-paulino, viu apenas os primeiros cinco minutos de São Paulo 0 x 1 Ituano, no Morumbi.

– Tá na cara dos jogadores. Eles não querem ganhar esse jogo!

Dona Leila pode não entender tanto de futebol. Não é Einstein para entender o regulamento “criativo” do SP-14. Mas, como mãe do meu amor, passou à filha a sensibilidade que transborda para ler pensamentos. Entender emoções. Sacar intenções.

Não acho que um atleta profissional, ou mesmo apenas remunerado, entre em campo para perder um jogo só para tirar da disputa um rival perigoso.

Mas compreendo a reação do torcedor do seu time que pede para entregar. Não basta vencer. É preciso que o adversário perca. É necessário que o rival se estrepe. É mesquinho. É menor. É futebol, amigo.

Na grita da galera, no vai-não-vou do campo, passa a ser natural não jogar bem. Como não tem jogado tão bem o São Paulo. Como tem atuado bem o Ituano. Como mal dava para jogar melhor em um gramado com granizo entregue por São Pedro. Não necessariamente pelo São Paulo.

O corintiano pode chiar do São Paulo. Pode reclamar do pênalti não marcado em Penápolis. E de mais uma atuação abaixo da média do time de Mano.

Mas o campeão paulista de 2013 ser eliminado uma rodada antes de terminar a primeira fase em um grupo de cinco clubes com duas vagas em disputa não pode reclamar dos outros. De ninguém. Apenas dele mesmo. Talvez da sorte. Mas um colosso faz a própria. O Corinthians não tem jogado assim. Notável, até agora, em 2014, apenas a invasão do CT pelo Movimento dos Sem Timão. E sem nenhuma noção de nada.

Esses que invadiram merecem a eliminação prematura. A imensa maioria merece um Corinthians melhor e maduro.