Mano Menezes apelativo e bem pior que Romarinho; Edu Gaspar correto

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Pisada na bola de Mano foi maior

Romarinho, logo após o empate e a eliminação do Corinthians no paulistinha, falou que o São Paulo entregou o jogo para o Ituano.

Mano Menezes, mais experiente e frio, disse o mesmo sem afirmar literalmente como fez o jogador.

É claro que a acusação de ambos foi apelativa e irresponsável.

Racionalmente, só havia uma resposta objetiva.

“Não vi o jogo e por isso é impossível responder agora”.

Essa era a única verdade possível para eles naquele momento.

O atleta deu a declaração na beira do gramado, suado e bufando, de cabeça quente, logo após o sopro de encerramento do 0 a 0 em Penápolis.

O treinador respondeu aos repórteres na entrevista coletiva.

Mais experiente, bem preparado intelectualmente e com tempo para respirar, Mano tinha obrigação ser mais racional que o atacante.

Ainda mais depois de outra fraca apresentação da equipe que comanda.

Campanha fraca

O Corinthians perdeu dois clássicos e empatou um. Seus jogadores não acertaram o gol no último. Só não foi mandante contra o Santos, quando sofreu a goleada.*

No Pacaembu também perdeu de São Bernardo e Bragantino.

Tudo isso, é óbvio, por causa do futebol que o time não jogou.

Até a chegada de Jadson estava completamente perdido.

Depois, Mano achou o caminho para começar a arrumar a casa.

E parou aí.

O estágio de preparação da equipe ainda é o inicial.

Necessário

Mano deve abrir mão de um volante, escalar Renato Augusto, aparentemente o preferido do técnico, ou Danilo, e trocar o 4-3-1-2 pelo 4-2-3-1 que usou na outra passagem pelo Alvinegro e em vários jogos na seleção brasileira.

Tem mais opções como utilizar Luciano e Romarinho abertos com Jadson centralizado no trio, ou escalar Sheik, ou adiantar Uendel de usar Fabio Santos… na vaga de um volante.

Citei algumas boas e más ideias do que fazer daqui em diante, mas esse não é o assunto que desejo abordar neste post.

Prometo escrever noutro.

Desequilíbrio e exagero

O que me chamou a atenção foi, diante de campanha tão fraca, o desequilíbrio do comandante na hora de justificar a situação.

Olhou para o lado sem ter visto nada, pois, repito, não havia assistido a partida do Morumbi até aquele momento e mandou o recado daquilo que não sabia.

Ou estava muito irritado e perdeu a cabeça, o que denota desequilíbrio exagerado, ou queria tirar o foco doutra fraca apresentação da equipe comandada por ele.

A Penapolense havia sofrido gol em onze das treze partidas que disputou antes de encarar o Corinthians.

O time de Mano teve a semana inteira livre para se preparar,  jogou mal e não fez nenhum.

O comandante deveria assumir a responsabilidade pela campanha.

Até porque o paulistinha pouco representa na temporada e serve apenas para fazer ajustes, testar os atletas promissores da base, ver como os novos contratados reagem, escolher esquemas táticos…

Entendo que ficar fora dos oito classificados no torneio de nível técnico de mediano para ruim é desagradável, os rivais pegam no pé,  o clima no elenco não fica dos melhores….

Entretanto o importante é montar o time capaz de vencer o Brasileirão ou na pior das hipóteses a Copa do Brasil.

Obviedade

O torcedor passional pode se irritar, reclamar além da conta e mesmo sem ter visto o jogo do rival insinuar que houve má conduta ética esportiva.

O treinador, não.

Nem tudo

Como ele próprio disse: “No futebol, tudo é possível”

Tenho lá minhas dúvidas.

Até goleiro deixando a bola entrar em cobrança de pênalti, alegando que protestava contra a marcação da infração, e o treinador achando tudo normal, sem cogitar uma punição ao atleta que durante os 90 minutos confessou ter abdicado de sua função, eu já vi.

Só discordo que no futebol tudo seja, na prática, possível, pois se aquela fosse uma partida de mata-mata da Libertadores, a equipe estivesse vencendo e o lance da penalidade exatamente igual, não creio que o goleiro e o comandante agiriam como fizeram naquela oportunidade.

E até onde sei, nenhum deles perdeu o sono.

Romarinho

Está devendo futebol.

Seria mais criticado pela torcida se não tivesse feito o gol contra o Palmeiras.

Precisa melhorar o desempenho dentro de campo caso pretenda ganhar títulos e manter a titularidade.

Trabalho perfeito do gestor

“Não houve isso. O problema foi do próprio Corinthians, temos que assumir os erros e não repeti-los. Está claro onde deixamos a desejar, em teoria, nesse jogo contra Penapolense, deveríamos estar brigando pela classificação em primeiro do grupo, não lutando por uma possível classificação e dependendo de outros”.

A declaração do gerente de futebol Edu Gaspar define responsáveis, trata da eliminação de maneira construtiva e encerra o diz que diz conveniente para quem está devendo dentro de campo e à beira dele.

Minha impressão sobre a vitória do Ituano

O Ituano mereceu vencer no Morumbi.

Ficou mais perto de marcar mais gols que de sofrer o empate.

Claramente desmotivado por não precisar pontuar, cansado graças ao clássico de domingo e a viagem à Maceió para encarar o CSA na última quarta-feira, e com atletas poupados por orientação de quem faz a avaliação física deles, o São Paulo não jogou no limite.

Foi péssimo, mas não entregou o jogo de propósito.

Depois do Ituano fazer 1×0 na falha que o sistema defensivo são-paulino vem repetindo constantemente nesse ano – lembro que Muricy mudou um lateral, um zagueiro e a dupla de volantes – choveu granizo, o jogo foi paralisado e a bola quase não rolou mais no gramado.

Restaram os chutes de longe e cruzamentos como opções.

Durante o 2° tempo, Muricy trocou o zagueiro por um meia. Depois tirou o lateral-direito e colocou um atacante. Povoou o campo de ataque.

Ganso foi expulso ao tomar o segundo amarelo quando tentava roubar a bola.

Pode ser suspenso e prejudicar o São Paulo no mata-mata.

Difícil crer em má intenção diante dessas circunstâncias.

*Corrigido