Grêmio tem pela frente a histórica pressão de Rosário

Leia o post original por Pedro Ernesto

Conheci Rosario na Copa do Mundo de 1978. Foi a primeira da minha vida, aqui na Argentina. Ao lado do saudoso comentarista Ênio Mello, viemos transmitir um dos jogos mais falados da história do futebol mundial. Lembram daquele jogo que a Argentina fez 6 a 0 no Peru e o mundo inteiro disse que foi marmelada?

Na realidade, o que assistimos no Gigante de Arroyito, que é o estádio do Rosario Central, foi uma imensa pressão para cima dos peruanos. Eram 45 mil pessoas no estádio. O Brasil acabara de fazer 3 a 1 na Polônia em Mendoza e, se a Argentina não fizesse 4 a 0 no Peru, estaria eliminada. O clima era muito ruim até mesmo para os jornalistas brasileiros. Chegamos a ser ameaçados até por companheiros profissionais hermanos. Era a Copa do Mundo deles e eles queriam ganhá-la. O ambiente era muito tenso e pesado dentro do estádio.

Goleada

Eram cinco minutos de jogo e o Peru já tinha chutado duas bolas na trave do goleiro Fillol. Era a tensão argentina que deixava os peruanos mandarem em campo nos primeiros minutos. Mas a seleção peruana não soube colocar a bola na rede, e quem não faz leva.

Já no primeiro tempo virou 2 a 0. Dentro do estádio, eu não consegui ver a marmelada que o mundo acusou. Vi, isso sim, uma pressão que jamais assistira em estádio de futebol contra um adversário. Não poderia ser diferente: o time peruano desabou.

Ambiente

Claro que o ambiente que o Grêmio vai encontrar hoje à noite no Estádio Marcelo Bielsa não é o mesmo. Vivemos um outro momento, bem mais civilizado. Se jogar bem, o Tricolor pode até ganhar a partida.

Mas o velho estádio, inaugurado no início do século 20, que recebeu 40 mil pessoas no domingo, contra o Racing, pelo Argentino, deverá estar novamente lotado. Jogando em casa, o Newell’s vai atacar, o que não fez na Arena. Mas poderão sobrar espaços importantes para os contra-ataques do Grêmio. Não resta dúvida de que é um jogo difícil, mas se pode prever até uma vitória tricolor.

DEMAIS

Recebo informação de que as obras de calçamento no entorno do Beira-Rio, na área de propriedade do clube, começaram. Confesso que estava tão nervoso quanto os dirigentes da Fifa. Mas ainda tem um problema bastante grave: o calçamento da parte da prefeitura.

São 80 mil metros quadrados que precisam ser calçados e a licitação só ocorre no dia 31 deste mês. Espero que apareça alguma empresa interessada em fazer o trabalho. Nunca pensei que, como cronista esportivo, tivesse que torcer pelo calçamento de um pedaço de terra nas margens de um estádio.