Cruzeiro sofre trágico empate contra o Defensor; má campanha na Libertadores tem explicação

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Cruzeiro 2×2 Defensor

O empate do Cruzeiro com o Defensor foi um desastre para o campeão brasileiro por causa da forma como aconteceu a da colocação do time no grupo 5 da Libertadores.

A equipe uruguaia sabe se defender, é inteligente ao entender os próprios limites e a maneira como lidar com eles, atua com garra exemplar, conta com os perigosos Arrascaeta e Felipe Gedoz, mas tecnicamente perde dos mineiros

Leva enorme vantagem na hora de catimbar e provocar; no duelo psicológico, importante no futebol, dá um baile nos cruzeirenses.

Por isso conseguiu equilibrar o 1° tempo, quando Everton Ribeiro marcou o golaço em cobrança de falta.

Falam que pego no pé do Dagoberto, que foi bem com a bola rolando, mas só consigo entender o destempero do jogador experiente como o ato de egoísmo.

As rivalidades, raivas e outras questões pessoais não podem ser colocadas acima dos interesses coletivos durante os 90 minutos.

Ele fez isso, contagiou os companheiros e Marcelo Oliveira o tirou após a expulsão de Nilton. Poderia ter contagiado a equipe apenas com seus lances de habilidade, como o da falta que originou o gol.

Julio Batista, outro experiente, também entrou na pilha dos rivais antes do intervalo.

Jogou bem, mas contribuiu para os uruguaios transformarem a partida numa guerra futebolística.

Depois do período de descanso, o Cruzeiro se acalmou, cresceu, perdeu gols e ampliou a vantagem graças ao belo gol de Julio Batista.

Deu a impressão que venceria tranquilamente.

Mas a pane no sistema defensivo, em especial do zagueiro Dedé, permitiu ao adversário balançar a rede.

No último minuto, quando tudo estava sob controle, novamente o zagueiro errou o posicionamento e abriu espaço para o dramático empate do ponto de vista celeste, e heroico para o Defensor.

Em, suma, nessa quinta-feira, tal qual na semana passada, faltaram inteligência, maturidade e pragmatismo ao time com os atletas mais técnicos desta chave na Libertadores.

Agora o principal favorito do grupo  até o torneio começar precisa cumprir a difícil missão de vencer a Universidad de Chile em Santiago e a obrigação de ganhar do fraco Real Garcilaso no neo-Mineirão.

Mesmo assim , dependendo dos resultados de outros confrontos, a vaga pode ser decidida no saldo de gols.

Cruzeiro fez o jogo do Defensor

O jogo de futebol é uma disputa tática, física, psicológica e técnica.

Espero um dia entender os motivos de os times brasileiros perderem tantas vezes o duelo psicológico.

Quando começam as trocas de provocações verbais e pancadas fora do lance de bola, e a partida fica catimbada, os argentinos e uruguaios, mesmo se forem inferiores na parte técnica, diminuem a diferença de qualidade entre o futebol deles e dos brasileiros.

No neo-Mineirão, onde o time havia conquistado 30 vitórias, empatado uma vez e perdido duas, o Cruzeiro simplesmente precisava jogar seu futebol.

Era muito, muito, muito óbvio que os visitantes repetiriam e intensificariam aquilo que fizeram em Montevidéu.

Os mineiros não podiam entrar em provocação.

Tinham que ouvir as ofensas e não devolver as pancadas, pois o interesse pessoal de cada indivíduo é irrelevante naqueles 90 minutos.

Quanto mais a bola rolasse, maior seria a chance de conseguir a fundamental vitória.

Comportamento falho dos experientes 

Logo no começo do jogo, Dagoberto, do lado esquerdo da linha de três no tradicional 4-2-3-1 preparado por Marcelo Oliveira, tentou o drible perto da área e tomou uma pancada; o árbitro marcou a falta.

Logo depois, aos 7 minutos, aconteceu o lance parecido e o soprador mostrou cartão amarelo para o lateral-direito Zeballos.

Em pouco tempo o próprio jogo havia explicado o que o Cruzeiro devia fazer para ganhar sem sofrer.

Necessitava jogar pelos lados, insistir mais nos ataque pela esquerda porque Zeballos estava amarelado e não reagir às provocações.

Mas o experiente Dagoberto decidiu revidar as porradas. Merecia o amarelo quando ameaçou acertar o adversário e chutou o ar.

E foi punido pelo soprador depois de dar uma tesoura no rival que poderia acabar até em expulsão.

Julio Batista, outro rodado, também entrou no clima e passou a discutir com os uruguaios.

O Defensor, extremamente racional, apostou naquilo que viu errado, na vitória por 2×0, nos celestes.

O meia-atacante Arrascaeta, por exemplo, foi atuar perto de Egídio.

Como a tensão e empate lhes interessavam, os visitantes trabalharam para os anfitriões perderem a cabeça e a concentração.

Conseguiram aproveitar a falta de pragmatismo celeste  o confronto foi equilibrado, cheio de paralisações como o Defensor queria,  com lances de perigo nos chutes de fora da área e mais faltas cruzeirenses.

Na habilidade, não na força

No último lance do 1° tempo, o campeão brasileiro fez o gol e desmontou.

A bonita jogada de Dagoberto, que ao invés de discutir se movimentou para a meia direita e driblou um adversário, gerou a falta.

O arbitro deu a vantagem e ao ver que ela, na prática, não existia, acertou ao soprar a infração.

Os jogadores do Defensor se irritaram, Julio Batista chegou empurrando o oponente e a confusão começou de novo enquanto Dagoberto estava no chão.

O árbitro escolheu o volante Nilton e o zagueiro Malvino. Poderia ter excluído outros atletas ou distribuído amarelos sem mandar ninguém embora do jogo.

A decisão do soprador teve como objetivo controlar a partida para não virar briga.

Everton Ribeiro, apagado até aquele momento, cobrou a falta com maestria. Chute lindo, no ângulo direito, que fez a barulhenta nação celeste no estádio explodir de alegria!

De novo o jogo mostrara aos anfitriões qual era o caminho para vencer.

Era colocar a bola no chão, se movimentar sem ela como de costume, trocar passes, arriscar dribles, pois o Cruzeiro faz tudo isso melhor que o guerreiro, tal qual precisa ser, Defensor, e não cometer erros bobos de marcação.

Marcelo Oliveira perspicaz

Imagino que o discurso do treinador no intervalo foi mais ou menos como a parte do post que você leu até agora.

Falou muito mais em comportamento do que em tática.

Para recompor o sistema defensivo, tirou Dagoberto e colocou o volante Rodrigo Souza.

A opção não foi técnica.

O ex-atleta do Furacão, São Paulo e Internacional era o melhor do time com a bola nos pés.

Mas também foi quem pior lidou com as provocações; ele tinha levado o cartão amarelo.

Repito: o Cruzeiro precisava fazer a bola rolar mais e evitar discussões, empurrões e revides.

O treinador acertou na forma de enxergar a partida, mas Rodrigo Souza não jogou bem

Detalhe

Com 10 boleiros de cada lado, Julio Batista, escalado como centroavante, continuou exercendo a mesma função.

Ricardo Goulart e Everton Ribeiro voltaram mais para ajudar o meio-campo carregaram a bola nos contragolpes.

Fernando Curuchet também remontou o sistema defensivo de seu time ao substituir Matias Alonso, o centroavante, por Silva, zagueiro.

Posicionou duas linhas de quatro e deixou Felipe Gedoz adiantado. Do quarteto no meio, Arrascaeta foi quem teve mais liberdade.

Superioridade e vantagem maior

Mai calmo e preocupado apenas em trabalhar bem dentro de campo,  o Cruzeiro dominou completamente o início do 2° tempo.

Roubou duas bolas na saída de jogo, criou boas oportunidades como as Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, e ampliou a vantagem aos 16 minutos devido ao bonito lance de Julio Batista.

Pane no sistema defensivo

O Defensor diminuiu a diferença no placar aos 20 minutos.

Até aquele momento, não havia feito absolutamente nada na parte ofensiva apesar de estar perdendo.

Só fez o gol por causa da pane no sistema de marcação do Cruzeiro.

Ceará não estava na lateral, Dedé saiu de maneira bisonha para dar o bote no meio, e Rodrigo Souza, perdido por causa da besteira dos companheiros, chegou atrasado para marcar Gedoz, tomou o drible e viu o rival chutar no canto direito de Fabio.

Dedé e o desastre cruzeirense

Aos 22, Everton Ribeiro, mal com exceção ao lance da cobrança de falta, deu lugar ao William.

Marcelo Oliveira quer otimizar o contragolpe do time.

Aos 31, Gedoz, cansado, saiu e o meia-atacante Luna foi para o jogo.

Depois do placar ficar 2×1, as chances de gol quase desapareceram. Houve apenas uma, de Julio Batista,  balançar as redes.

O Defensor não criou oportunidade alguma até o último lance do confronto.

Dedé novamente errou ao ir marcar fora de posição. Um atleta do meio devia estar lá e ele atrás. Faltavam segundos para o fim e oi Cruzeiro vencia.

O zagueiro viu o passe de Luna passar no meio de suas pernas e a bola chegar ao habilidoso Arrascaeta, dentro da área, na esquerda, cara a cara com Fabio.

Ele chutou em gol, o goleiro defendeu e Zabellos, no rebote, na pequena área, empatou.

A dita cuja ainda bateu no travessão antes de silenciar e revoltar a quase totalidade dos torcedores no neo-Mineirão.

Aos gritos de “vergonha”, “vergonha”, ”vergonha”, a nação celeste protestou após o sopro final.

Dramática

A situação do Cruzeiro na Libertadores é dramática.

Precisa derrotar a La U no Chile, missão difícil, e confirmar o favoritismo, em casa, contra o fraco Real Garcilaso.

Mesmo se somar todos os pontos restantes pode ficar fora das oitavas-de-final.

Arbitragem

Usou critérios iguais na marcação de faltas e ao mostrar os cartões.

Não errou ao assinalar impedimentos, nem deixou de soprar pênaltis e faltas perigosas.

Boa ou má, você decide, a arbitragem não mudou o resultado daquilo que os jogadores fizeram em campo.

Ficha do jogo

Cruzeiro – Fábio; Ceará, Bruno Rodrigo, Dedé e Egídio; Nilton e Lucas Silva; Éverton Ribeiro (Willian), Ricardo Goulart (Elber) e Dagoberto (Rodrigo Souza); Júlio Baptista
Técnico: Marcelo Oliveira.

Defensor – Martín Campaña; Emilio Zeballos, Nicolás Correa, Matías Malvino e Robert Herrera; Federico Gino, Andrés Fleurquin (Juan Carlos Amado), Mathías Cardaccio, Arrascaeta e Felipe Gedoz (Silva); Matías Alonso (Luna)
Técnico: Fernando Curuchet.

Árbitro – Mauro Vigliano (ARG)
Badeirinhas: Diego Bonfa e Javier Uziga (também hermanos)

Público: 39.883 presentes