Entre o alívio, a decepção e a indefinição

Leia o post original por Luiz Nascimento

Fim de Paulistão. Ao sair do Canindé após a – mais apertada do que deveria – vitória sobre o Rio Claro por 4 a 3, deparei-me com duas visões diferentes daquela última rodada do campeonato. De um lado os lusos aliviados pela permanência na Série A1 (inimaginável pelo elenco e pelo início de torneio) e de outro os decepcionados com o fato de que por míseros pontinhos estaríamos nas quartas. Talvez haja quem sinta um misto de ambos, mas confesso que voltei pra casa muito mais aliviado que decepcionado. E explico.

Jamais o “contra tudo e contra todos” foi tão verdadeiro na história da Portuguesa. A ex-diretoria deixou o clube na beira do precipício e a (in)justiça desportiva parece ter dado o empurrão que faltava para o fim. As dívidas eram maiores do que se previa e o dinheiro para pagá-las sumiu junto com o assalto da vaga na Série A. O elenco de emprestados evaporou tanto quanto o grupo de patrocinadores. E as dificuldades para achar substitutos eram/são enormes. Como fechar contrato com um ou outro sem saber onde e como se estará amanhã?

Sem tempo, sem dinheiro e sem a diretoria de futebol dos sonhos, o clube montou um time de jovens. Procuram oportunidade, não recebem muito e, em alguns casos, vêm emprestados de graça pelos clubes de origem. O competente Guto Ferreira sentiu o golpe do tapetão. Depois do milagroso trabalho do ano passado, merecia menos que o clube aquela queda. Ainda mais daquela forma. Nitidamente, foi o que fez o trabalho do treinador sair do prumo. Porém, aquelas cinco primeiras rodadas de Paulistão mostravam um time tão limitado que a troca de treinador não parecia ser suficiente.

E não é que foi? Chegou Argel Fucks. Xerifão, gaúcho, sério, parrudo e brigador. O choque que o time de jovens precisava. Aquele Guto Ferreira ativo, inquieto, vibrante e rouco a beira do gramado – que trataram de dar sumiço junto com a elite – reapareceu em maior escala com Argel. Vieram a aplicação, a união, a raça, a organização e as seis vitórias. Quem dava de canela começou a dar de bico. E a bola que ia pra bandeira de escanteio começou a entrar. Na base do “arroz e feijão” e do “time de soldados”, a Lusa milagrosamente safou-se da degola.

Dadas as circunstâncias, está mais do que excelente esse 11° lugar na tabela geral. O novo treinador fez um bom trabalho e merece nossos elogios. Assim como o elenco mostrou poder de recuperação e jamais deixou de honrar a camisa. Porém, a situação delicada na qual o clube se encontra pede que sejamos realistas. O atual plantel – com uma folha de 650 mil reais suados e sofridos – apresenta sérias limitações tanto para a Série A quanto para a Série B. Na merecida, cai. Na maldita, sofre. E aí? O que fazer?

Se antes de Ilídio Lico ser nomeado presidente já comentávamos que a permanência na Série A em 2013 era o único caminho para a sobrevivência do clube, o que dizer agora? Nada mais é certo. Como disse o vice-jurídico, Dr. Orlando de Barros, em entrevista nesta semana, o planejamento da Portuguesa não é para nenhuma divisão, é para o dia de amanhã. Não há divisão, não há receita, não há certeza de nada. A verdade é que o ano de 2014 começa agora para a Portuguesa.

Em meio a tantas incertezas, só vejo um caminho: o da dignidade. Não temos nada. Portanto, nada a perder. Ir à Justiça Comum, reivindicar os direitos conquistados em campo e assegurados pela Constituição Federal. Lutar sábia e habilmente por uma liminar. Que interrompa o início do campeonato, que volte todos os clubes contra o nosso, que faça a CBF nos ter como o inimigo mais indesejável, que os façam engolir nosso merecimento. Que seja! Caso a injustiça prevaleça – como é praxe por essas bandas – teremos tentado até o fim. Qualquer consequência de um insucesso será tão ruim quanto já é a atual situação.

Jogar a Série B não é acabar. Jogar a Série B sem lutar é que é acabar. Porque sem lutar não apenas perderemos de vez nossa vaga merecida na Série A e o dinheiro que a acompanha. Perderemos de vez o mais importante de tudo. O que fez a Portuguesa nascer, crescer e sobreviver. O que cada dia mais está distante do Canindé. O que não aguenta mais decepção e desilusão. O que torna nosso clube tão especial e único. O que sempre sofreu por algo que jamais mereceu: nossa torcida. Sabe-se lá como, mas… vamos à luta, Lusa! Sempre!

* Nossa torcida, inclusive, será o tema do próximo post aqui no blog.