Fernando Solera

Leia o post original por Mauro Beting

Nunca soube quando ouvi Beatles pela primeira vez.

Mas sei que a fita cassete da K-Tel com Jerry Lee Lewis, Little Richard, Chuck Berry, Bill Haley, Dion, Del Shannon, alguma coisa tipo “20 Dynamite Rock Songs”, essa ouvi até enroscar no toca-fitas do Dodge do meu pai.

Não sei qual foi o primeiro gol do Palmeiras que (ou)vi na vida na televisão. Lembro do 0 x 0 que deu o Paulista invicto de 1972, quando eu tinha seis anos e um dia de vida. Mas não teve gol.

Adoraria saber quem marcou. Que jogo foi. Quanto foi. Contra quem foi o primeiro gol televisivo alviverde.

Mas como também não lembro quando foi e qual música dos Beatles, vou sempre lembrar que deve ter sido Leivinha. Provavelmente César. Talvez Ademir da Guia. Luís Pereira. Não sei. Mas sei que foi Fernando Solera.

“O melhor futebol do mundo é no 13″. Era o que narrava a cada gol.

Canal 13. Bandeirantes. Quando a TV era só aberta. Um só número. Não 22. 13. 305. 22-1. Sei lá.

Mas sei que era Solera.
Voz bonita. Lá no fundo narrando a Segunda Academia do Palmeiras. Sempre a minha primeira. Sempre meu Palmeiras.

A voz de Solera sempre foi gol do Verdão. Campeão paulista de 1972. 1974. 1976. Bi brasileiro em 72-73. Depois mais nada até 1993.

Quando Solera trabalhava comigo havia dois anos na TV Gazeta. Foi meu primeiro narrador ao vivo. Janeiro de 1992. Copa São Paulo. Jogo em São Bernardo. Corinthians de Embu 1 x 0 Venda Nova de Cleisson.

Na apresentação da partida, uma simpática e querida introdução de quem eu era do Solera. A voz que trazia as alegrias do meu time na TV agora me dava o privilégio de ser parceiro na televisão, formando parte da mesma equipe. Me tratando como se eu fosse do mesmo nível dele.

Solera que me ligou na minha estreia na Rádio Bandeirantes, 11 anos depois, só para se dizer emocionado com minha fala a respeito de São Paulo x River Plate, ao lado do José Silvério.

Esse é Solera. Voz da minha estreia como telespectador. Da minha reestreia no rádio.

Solera que agora deixou a TV Gazeta.

Voz que pode sair da transmissão. Mas jamais do ar.

O melhor futebol do mundo, para sempre, em qualquer canal, em qualquer número, com qualquer time, vai ser sempre pela voz de Fernando Solera.

Obrigado pelos gols do Palmeiras.
Obrigado pelos gols que narramos.
Obrigado pela amizade que não tem como narrar.
Ao menos eu.