Quando o Santos correu e pensou, atropelou a Ponte Preta; classificação do Peixe foi inquestionável

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Santos 4×0 Ponte Preta

O 1° tempo não foi tão fácil para o Santos quanto o resultado pode sugerir.

A Ponte Preta adotou posicionamento ousado, ofensivo, quase suicida e o Peixe, sempre jogando em velocidade e na direção do gol adversário, pareceu ansioso e não aproveitou a loucura do rival.

Faltou um pouco mais de calma para acertar o último passe e as finalizações, além de inteligência para explorar os vários erros defensivos da Macaca.

Mesmo assim, foi um pouco superior e venceu por 1xo em lance nascido na cobrança de escanteio.

A Ponte Preta também teve uma excelente chance de balançar a rede, desperdiçada por Alemão.

Depois do intervalo, provavelmente orientados por Oswaldo de Oliveira, os atletas santistas pensaram mais, correram com inteligência e aproveitaram as várias lacunas defensivas do time de Campinas.

Assim, deram um vareio e se classificaram com muita tranquilidade e mérito à semifinal.

Ofensivos

Oswaldo de Oliveira  escalou o meio-campo que privilegia a qualidade no trato de bola.

Os volantes Arouca e Cícero ficaram atrás da linha de três formada por Geuvânio na direita, Thiaro Ribeiro na esquerda e Gabriel entre eles. À frente de todos, o treinador posicionou o centroavante Leandro Damião.

Cìcero teve bastante liberdade; participou da criação e apareceu na área para finalizar.

Os laterais Cicinho e Mena também avançaram, mas de maneira moderada, pois a Ponte Preta também foi ousada e eles precisaram tomar cuidado com os contragolpes.

Vadão preparou a Macaca para marcar a saída de bola santista e contra-atacar quando seu time recuperou a redonda no campo de defesa.

Me chamou a atenção o fato de deixar quase sempre 3 jogadores avançados para os contragolpes.

Silvinho jogou do lado de Cicinho e Antônio Flávio no de Mena.

Por isso os laterais do Peixe precisaram tomar cuidado e participaram de forma discreta do sistema ofensivo.

Alemão, centroavante da Ponte Preta, foi vigiado pelos zagueiros David Braz e Neto.

Os campineiros ainda contaram com o meia Adrianinho e a constante participação do volante Bruno Silva na criação.

Fernando Bob foi o mais defensivo do meio de campo da equipe de Vadão.

Aberto

O resultado das propostas dos técnicos foi o 1° tempo aberto, interessante e com chances de ambas as equipes.

O Peixe jogou muito, como se diz no futebolês, na vertical.

Não trabalhou a bola até aparecer o espaço no sistema defensivo do rival.

Trocou a paciência pela velocidade e atuou sempre em direção do gol de Roberto.

Havia um enorme vão entre as linha de ataque e a defesa ponte-pretana. O Santos chegou sem dificuldade até a entrada da área do adversário.

A Macaca, quando o favorito acertou a transição da defesa ao ataque com a bola no chão, começou a marcar apenas lá.

Não sei se foi intencional para atrair os santistas e acionar os 3 avançados no contra-ataque, ou se o posicionamento foi errado mesmo.

A região central do campo ficou despovoada e houve oportunidades das duas equipes balançarem as redes nos contra-ataques.

Faltou elas capricharem mais nos passes e finalizações.

Detalhe: quando a Ponte Preta conseguia manter a bola no campo de ataque, não mostrava a mesma pressa do Santos.

A bola aérea, as chances e o gol

Em jogada bem trabalhada, Antonio Flavio, dentro da área santista,  aos 2 minutos, finalizou com liberdade e errou.

Logo em seguida, aos 3, o Peixe contra-atacou pela esquerda com Thiago Ribeiro usando o espaço deixado pelo lateral-direito Ferrugem, e tocou para Gabriel, cara a cara com Roberto, perder ótima chance.

O ritmo do jogo, os espaços nos sistemas defensivos e as chances de gol trouxeram rapidamente o torcedor na Vila Belmiro para o confronto.

A zaga santista errou muito feio aos 15 minutos e Alemão, livre, perdeu o gol.

A falha foi tão estranha e a facilidade para o centroavante dominar, ou cabecear, e fazer o gol era tamanha, que fiquei com a impressão que nem ele acreditou na jogada.

Deve ter pensado que estava impedido, apesar da condição legal claríssima com sobras.

Ele, despretensiosamente, cabeceou por cima de Aranha, que também pareceu ficar em dúvida.

Leandro Damião, aos 19, da entrada da área obrigou Roberto a fazer difícil intervenção.

Aos 21, o Santos saiu em vantagem. Cícero pegou o rebote no cabeceio de Ferrugem, que tentou afastar a bola após Neto desviá-la na cobrança de escanteio, e  fez 1×0.

O Peixe recuou um pouco depois de ficar em vantagem e os comandados de Vadão aumentaram o tempo de presença no campo de ataque.

Com a dita cuja no chão, levaram a pior contra om sistema defensivo do time da Baixada

No cruzamento de Adrianinho em cobrança de falta, aos 35, Diego Sacoman, de cabeça, perdeu boa chance.

Inteligência, tranquilidade e facilidade

A Ponte Preta, depois do intervalo, repetiu o posicionamento que vinha utilizando antes.

Oswaldo de Oliveira deve ter pedido, na conversa com os atletas, um pouco mais raciocínio e menos euforia, pois bastava melhorar a qualidade do passe e as finalizações para a classificação ser tranquila.

Era óbvio que a Macaca, até então ofensiva, ousada e quase suicida, não mudaria radicalmente a maneira de atuar depois de ficar em desvantagem no placar.

Os jogadores do Peixe escutaram o comandante e passaram a explorar, sem ansiedade, as brechas que a Ponte Preta deu.

Aos 4, no lance de contra-ataque, Geuvânio, maior revelação do paulistinha, avançou totalmente sem marcação pela direita. Leandro Damião, de costas, viu e deu uma bicicleta meio torta, ou foi uma puxeta, e fez a bola chegar ao companheiro, que ampliou a vantagem.

Aos 15, Gabriel aproveitou a facilidade de chegar até a entrada da área e de lá chutou bem, no canto, para marcar o terceiro.

Menos veloz e ainda fácil

Aos 17, Oswaldo de Oliveira trocou Gabriel por Alison.

O reserva jogou como volante e o titular passou a jogar mais adiantado, além de coooperar nos desarmes e proteção aos zagueiros e laterais.

Vadão tentou otimizar o sistema ofensivo ao substituir Alemão e Adrianinho, respectivamente por Rossi e Bida aos 22 e 25 minutos.

Aos 27, Leandro Damião, ainda sem a condição física ideal, deu lugar ao Diego Cardoso, que entrou do lado esquerdo da meia e do ataque.

Thiago Ribeiro, até então naquela região do campo, se transformou em centroavante, o que, em tese, aumentaria a velocidade do contragolpe.

A Ponte Preta não abriu mão de tentar os gols e nem sequer esboçou algo para se defender melhor.

Diego Cardoso, no contragolpe organizado por Cícero, balançou a rede aos 34.

Esfriou

O quarto gol esfriou o ímpeto ofensivo santista e abalou a Ponte Preta.

O goleiro Roberto ficou indignado com o próprio time e deu bronca em alguns jogadores.

Oswaldo tirou Thiago Ribeiro e colocou Alan Santos antes do confronto acabar.

A troca que aumentou a capacidade de o Peixe se defender nada mudou no jogo.

A classificação do Santos à semifinal foi indiscutível.

Ficha do jogo

Santos – Aranha; Cicinho, Neto, David Braz e Mena; Arouca e Cícero; Geuvãnio, Gabriel (Alison) de Thiago Ribeiro (Alan Santos); Leandro Damião (Diego Cardoso, 27′/2°T)

Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Ponte Preta – Roberto; Ferrugem, César, Diego Sacoman e Magal; Fernando Bob, Bruno Silva e Adrianinho (Bida); Antônio Flávio, Alemão (Rossi) e Silvinho (Neilson)
Técnico: Oswaldo Alvarez

Árbitro – Vinicius Furlan
Assistentes – Danilo Ricardo Simon Manis e Alex Ang Ribeiro
Público – 10.039; Renda – R$ 280.282,00