O ATLÉTICO VIVERÁ PARA SEMPRE

Leia o post original por K.O.N.G

Daniel é jornalista no interior mineiro. Atleticano como tantos milhões, tem o Galo como sua maior paixão. Siga no twitter: @danielmesende

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Um texto tardio, mas quando se trata de exaltar o Galo, não há data específica para tal ato. Convenhamos: uma religião com 106 anos de história não pode ser ovacionada apenas um dia por ano. Todo dia é dia do Galo: 25 de março, 30 de maio (dia de São Victor), 25 de julho (dia da Independência). Enfim, vocês entenderam.

Falar que vivemos alegrias e tristezas com o time já ficou clichê. Aliás, dizem isso para todos os times. Mas as alegrias e tristezas vividas com o Galo são diferentes. Eu sei como, você sabe como, mas não sabemos explicar exatamente o que é. Não há como definir o ápice da alegria do atleticano, assim com o maior momento de decepção. Percebam: o atleticano é o único torcedor que não leva a sério nada do que os rivais dizem para tentar atormentar. Nada! Fica até chato para eles. Uma hora ou outra, um rival se gaba dos títulos. Antiiiiiiigos, que ele nem viu. Mas são títulos. A discussão sempre é levada para o quesito torcida. A frase “não vou nem discutir” termina com o diálogo de uma forma categórica. A paixão do atleticano transcende a importância de títulos. Valem muito? Ô, se valem. Nossa Libertadores que o diga. Mas o que mudou no sentimento de torcedor? A vitória ou derrota naquela final mudaria algo? Por isso somos gigantes. Dar valor à instituição independente das conquistas faz engrandecer.

Em 106 anos, o Galo já foi garfado em Libertadores e Brasileiros. E daí? Já perdeu, claro, alguns por incompetência. E daí? Jogou a segunda divisão sim, e com orgulho. Enchemos estádios dentro e fora de Minas. Se tivemos que passar por aquilo, engrandeceu ainda mais a história do clube. Foi uma lástima ser rebaixado? Sim, e daí? Uma hora, a persistência seria premiada. E foi, ano passado. Poderia ter sido melhor, mas não reclamo.

Perdeu o mundial? Sim. Foi vergonha? Não. Amigo, se para passar vergonha for necessário vencer a Libertadores, quero ser humilhado todo ano. Para uma nação de nove milhões de pessoas, a simples posse de uma camisa em duas cores significa mais do que ser conhecido como o rei do mundo. A paixão pelo clube não muda quando os títulos vêm ou deixam de vir. O sentimento do atleticano para com esta instituição mais do que centenária ultrapassa limites inimagináveis. O torcedor enfrenta tudo, uma crise financeira e relacionamentos abalados. Ainda assim, coloca a cabeça no travesseiro e dorme de consciência tranquila, mesmo estando errado. Mas nada se compara a um domingo com derrota. O sono não vem, o atleticano fica inquieto sob um sentimento de impotência, pensando no que deu errado e no que ele poderia ter feito para ajudar o time. Apesar da resposta ser “nada”, ele não se conforma. Quando vem a vitória, a sensação é de ter tirado oitenta toneladas das costas. Seja contra a Catuense, seja contra o Olímpia. Vitória do Galo é sinônimo de dias melhores e felicidade estampada.

Obrigado, Galo, por ter proporcionado muitas alegrias nestes últimos 106 anos de um povo. E que a história continue, pois a nação não o abandonará.