São Paulo passou vergonha: Penapolense deu um baile coletivo e mereceu a classificação

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

São Paulo 0×0 Penapolense (4×5 na decisão por pênaltis)

O São Paulo passou vergonha nas quartas-de-final do paulistinha.

Em casa, diante do time tecnicamente bem inferior, que não venceu nenhum dos últimos 7 jogos (contando este), tinha obrigação de se impor, pressionar e passar de fase sem levar sustos.

Mas o confronto foi equilibrado na maior parte do tempo, com pequenos períodos de domínio de ambos os times e pobre em chances de gol.

Na parte coletiva, a equipe comandada por Narciso deu um baile.

No post você pode ler alguns detalhes táticos, mas muito mais importante que a escolha do esquema de jogo foi o posicionamento simples, a distância, dos atletas do mesmo time.

Os do favorito ficaram longe e os da zebra vencedora perto uns dos outros.

O Penapolense merece os parabéns.

Atuou no seu limite, com inteligência e garra, contra o adversário que mostrou futebol bem inferior ao dos seus melhores momentos na fase de classificação do estadual.

A arbitragem foi muito ruim.

Os dois times podem reclamar dela.

Não coloco de forma alguma na conta do sopro a classificação da Penapolense.

O time de Narciso fez jus ao empate durante os 90 minutos e nas cobranças de pênaltis foi melhor.

Equilibrado

O São Paulo tinha obrigação de se impor e não conseguiu no 1° tempo.

Muricy posicionou o time no 4-2-3-1, com Pabon na direita, Ganso no centro e Osvaldo na esquerda do trio em frente aos volantes Maicon e Wellington.

Narciso, ciente que o adversário ataca muito pelos lados, montou duas linhas de quatro, uma na meia e a outra defesa, porque não queria deixar Rodnei ou Biro-Biro, seus laterais, mano a mano com os atacantes rápidos do favorito à classificação.

Especialmente Rodnei, que atua na mesma região do campo na qual Osvaldo joga.

Os meio-campistas que atuam pelos lados precisavam marcar e deixar os laterais na sobra.

Ou quando um lateral era obrigado a dar combate mais perto da linha central do gramado, o do meio fazia a cobertura.

O sistema defensivo da equipe de Penápolis funcionou bem.

Os atletas, bens próximos uns dos outros, fecharam espaços também no meio e impediram Osvaldo e Pabon de tentarem as jogadas na diagonal.

Como Ganso se movimenta lentamente, sempre tinha alguém perto dele para evitar que o meia desse sequência aos lances de ataque.

Alexandro, atacante, e Douglas Tanque, o centroavante, se revezaram no auxílio ao meio de campo.

O resultado disso foi o 1° tempo equilibrado, paupérrimo em chances de gols, apenas com chutes de fora da área, o mais perigoso deles de Ganso.

O trabalho coletivo bem planejado e executado pela zebra do interior não foi o único motivo do equilíbrio.

O São Paulo, como time, falhou demais.

A distância dos atletas foi muito maior que a aceitável.

Lembrou a do começo da temporada.

O time insistiu muito com Osvaldo, mas ele sempre estava cercado por dois ou três rivais.

Quando conseguia driblar um, já havia outro grudado.

Ganso, o segundo mais acionado para a criação, também viu seus companheiros distantes muitas vezes.

A situação é pitoresca porque Maicon apoiou, Pereira e Alvaro também, e até Wellington, o volante de marcação, avançou.

O São Paulo não armou uma retranca. Ao contrário:

Teve bem mais posse de bola, adotou postura ofensiva e não produziu nada.

Penapolense melhor 

O Penapolense voltou do intervalo mais ambicioso.

Ganhou confiança por causa da boa apresentação e adiantar a marcação.

O time de Narciso continuou jogando em bloco e pressionou a saída de bola.

Teve espaços para criar a chance de gol, tentou cruzamentos por saber que o adversário vem sofrendo com eles, usou bastante Guarú, o mais habilidoso, e se houvesse atletas um pouco mais técnicos provavelmente faria o gol.

São Paulo no abafa

Muricy, aos 14, substituiu Pabon por Ademilson.

A superioridade do Penapolense durou cerca  20 minutos.

O São Paulo voltou a ficar com a bola no ataque e a parar no sistema defensivo do Penapolense.

Naquela altura da partida, os jogadores do time do interior criaram seu clima de Libertadores entre as quatro linhas.

Divididas fortes, discussões, provocações para tirar do jogo Luis Fabiano que havia levado cartão amarelo, catimba e garra impulsionaram os comandados de Narciso.

Os de Muricy ficaram cruzando bolas na área, arriscando chutes de longe e tentando os lances de linha de fundo.

Num desses, Ademilson, como acontece desde quando subiu para os profissionais, perdeu, no fim do jogo, a melhor oportunidade.

Mesmo se aproveitasse e classificasse seu time, o São Paulo teria ficado devendo futebol.

E muito.

Arbitragem fraca

O soprador marcou um monte de faltas que não aconteceram.

E não deu a que Alvaro Pereira sofreu e o adversário merecia cartão amarelo.

Mas em geral adotou, com rigor, o critério brasileiro de parar o jogo por qualquer coisa.

Critério que ele mesmo não adotou também no lance em que Petrus pediu pênalti quando Douglas o segurou, sem derrubá-lo, e ele caiu na área.

Eu não acho que isso é pênalti, mas critérios devem ser respeitados e iguais o tempo todo se a ideia é ter uma partida de futebol justa.

Quando restavam 10 minutos para o fim do confronto, o auxiliar viu o impedimento inexistente de Luis Fabiano, que ficaria cara a cara com o goleiro Samuel.

Também inventou a espera do acerto do passe após dar a vantagem. Como não aconteceu, retrocedeu e apitou a falta.

Isso não influenciou no placar, mas a novidade na regra é ‘genial’.

Isso tudo no jogo sem grandes dificuldade de ser apitado, pois aconteceram poucos lances polêmicos e a bola ficou muito tempo no meio de campo.

O soprador não precisou correr que nem louco para acompanhar os lances de perto.

As falhas foram além do tempo regulamentar.

Mandou voltar a cobrança de Ganso porque Samuel deu um passo à frente.

Sou contra tal decisão, apesar de a regra no papel determinar isso, porque os mesmos árbitros na enorme maioria das vezes não pedem a repetição.

E se o responsável pelo sopro acredita que deve apitar desse jeito, tinha que adotar critério igual no pênalti que Samuel pegou de Rodrigo Caio, único que não fez gol nos chutes alternados da série decisiva de pênaltis.

O goleiro fez movimento igual, mas para o lado direito.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Douglas, Rodrigo Caio, Antonio Carlos e Alvaro Pereira; Wellington e Maicon; Pabon (Ademilson), Ganso e Osvaldo; Luis Fabiano
Técnico: Muricy Ramalho.

Penapolense – Samuel; Rodinei, Jaílton, Gualberto e Rodrigo Biro; Liel, Washington, Petrus e Guaru; Alexandro (Neto) e Douglas Tanque
Técnico: Narciso.

Árbitro: Alessandro Darcie – Assistentes: Mauro André de Freitas e Tatiane Sacilotti dos Santos Camargo

Público: 16.955 – Renda R$ 406.425,00

Ordem das cobranças de pênaltis

Rogério Ceni, Guaru, Luis Fabiano, Petrus, Rodrigo Caio (perdeu), Douglas Tanque , Ganso, Washington, Osvaldo e Neto