CARTA ABERTA A PAULO AUTUORI

Leia o post original por K.O.N.G

* Por Luiz Grossi

Caro treinador do Clube Atlético Mineiro, venho, por meio desta, fazer algumas colocações em relação ao Galo e ao ano de 2014.

Antes de tudo, deixo claro que não sou um homem do futebol. Pelo contrário, trabalho com gente e, portanto, quem sou eu para dar pitacos técnicos ou táticos. Mas, posso afirmar como um freqüentador de estádios desde 1984, que não sou ignorante no assunto. E, por isso, acho pertinente lhe escrever essas palavras.

Como o senhor bem disse em sua apresentação, “os protagonistas do futebol são torcida e jogadores”. Só por esse binômio o futebol é o esporte mais apaixonante do planeta. Me atrevo a dizer um pouco mais: alguns clubes possuem torcidas capazes de defini-los como instituições. Poucos clubes do mundo têm esse privilégio. E só freqüentando a arquibancada no meio de uma massa capaz de insuflar um time a ponto de eventuais limitações técnicas serem superadas, somos capazes de entender essa magia.

Obviamente, posso dizer isso de apenas uma torcida que conheço tão de perto embora possamos citar outras como Borussia Dortmund, Galatassaray, Liverpool, Inter de Milão, entre outras.

E não serei hipócrita em dizer que fiquei feliz com a sua contratação. Os últimos insucessos em 2013, associados às passagens pelo outro lado da lagoa ( uma delas, inclusive, com um título importante ) e ao sotaque carioca ajudaram muito na desaprovação. Não liga, não, meu caro Autuori. Atleticano é assim mesmo. Guarda rancor. Mas, como já escreveram alguns artistas da literatura Atleticana (vou parafraseá-los aqui ), vestiu a camisa, sai mais de 50% do ranço. Se honrar a Massa, então, aí entra para a família! Léo Silva e outros mais que o digam.

E também digo que não foi legal no início. Mas, como já disse, apesar de não ser treinador, aprecio muito o futebol. Como você repete nas coletivas, é preciso reter mais a bola. O time tem qualidade técnica para isso. Ganhar sem dar chutão, depender menos do grito da arquibancada é um caminho melhor mesmo. Mudar o DNA de um time campeão da América não será tarefa fácil. Inclusive, tive dificuldades para enxergar alguma evolução. Mas ficou claro na estréia da libertadores que o time melhorou defensivamente. Ofensivamente estamos enfrentando dificuldades mas, prefiro acreditar que elas serão superadas com treinamento e trabalho duro. Libertadores é uma competição encardida mesmo. Atleticano que se preze já aprendeu isso ano passado. Essa conversa de que “o Nacional é um América do Paraguai” é conversa de menino novo que nunca pôs o traseiro na arquibancada de concreto do Mineirão.

E aí, meu caro comandante, volto lá no início da conversa.

Aquele papo de “honrar a Massa”, lembra?

Pode parecer bobagem mas, faz todo o sentido abraçar a torcida do Galo. Abole do seu vocabulário o termo Atlético Mineiro. Deixa esse grito para a Massa no estádio. Chama de Atlético, ou de Galo! Você é o comandante da nave. Sinta-se em casa! Queira ser “abraçado” pela Massa!

Cuca demorou mas, aprendeu. Aquele título épico, que todos sabemos, dificilmente acontecerá daquela maneira uma segunda vez, só aconteceu pela simbiose time-treinador-torcida. Ele, Cuca, fazia parte! “EU ACREDITO”, lembra? Quando entendeu isso, Cuca se deu bem. Saiu de uma fase em que batia boca com torcedor em aeroporto para ser tolerado numa inexplicável preferência por Richarlyson ao Junior César e sem cornetagem! E a maioria jamais irá criticá-lo! Mesmo após essa tumultuada saída que valeu um papel pífio no Mundial Interclubes.

Sem a Massa, aquilo não seria possível. Sabemos que na bola e na técnica é mais fácil. Mas, se você conseguir agregar essa legião de apaixonados durante a caminhada, certamente, será mais fácil.

Pára com essa história de que você não trabalha para a torcida. Esse clube É A TORCIDA!

Me impressionei com a frieza da Massa no independência contra o Nacional. Todos entenderam a dificuldade da partida, queriam a vitória mas, faltava alguma coisa para catalisar a reação com o que acontecia dentro de campo. E os paraguaios perceberam essa dificuldade.

Falta quebrar esse gelo e selar esse casamento, meu caro! Chame a Massa! Ela vai lhe abraçar e também ao time como sempre aconteceu! E aí será mais fácil vencer partidas como aquela contra o Nacional paraguaio!

Reitero a sugestão, comandante: chame a Massa! Ela abraça, acolhe, “entra em campo” e NUNCA abandona! Vamos voltar ao Marrocos em Dezembro, reescrever essa história!

Abraço forte e saudações Atleticanas!

*Luiz Sérgio Grossi Ferreira é pai Atleticano e comentarista do TerreirãoCast. Siga no twitter: @lsgrossi