Certo e errado

Leia o post original por JC

A tentativa de tornar o Vasco um time mais ofensivo contra o Fluminense acabou não funcionando no que mais deveria funcionar e dando certo onde ninguém esperava. Precisando da vitória para reverter a vantagem tircolete, os três atacantes titulares não conseguiram imprimir a intensidade ofensiva que o time precisava para criar chances claras de gol. Por outro lado, o meio de campo, mesmo com um jogador a menos que nosso adversário, não passou todo o sufoco que a torcida temia que passasse.

O problema é que entre o certo e o errado, não fomos capazes de resolver nosso problema na primeira partida e o empate em 1 a 1 com o time do Laranjal segue para o jogo decisivo da semifinal jogando pelo empate. Caberá ao Adilson, até domingo, encontrar aquilo que faltou ao time ontem.

E talvez não seja um atacante a mais que traga ao Vasco a efetividade que no domingo será uma necessidade. Se os três homens na frente tiveram sua importância taticamente, marcando a saída de bola tricolete e os obrigando a sair com chutões durante boa parte do jogo, eles não conseguiram fazer o principal: levar perigo ao gol do Fluzim. Tirando um chute de Edilson ainda no primeiro tempo – que, vale lembrar, não surgiu em uma jogada, e sim no rebote de uma cobrança de falta – os titulares do ataque não chegaram a preocupar Cavalieri. As melhores chances no primeiro tempo, em duas cobranças de falta – uma de Douglas e outra do Rodrigo – e um chute perigoso de André Rocha mostraram o quanto o ataque não funcionou como deveria e fez com que pouco adiantasse o nosso domínio da partida na etapa inicial.

Na volta do intervalo tivemos nosso pior momento no clássico. O Fluzim acertou sua marcação e pela primeira vez no jogo fez valer sua superioridade numérica no meio de campo. E em 10 minutos conseguiram o que o Vasco não conseguiu em todo o primeiro tempo: Jean aproveitou o espaço que teve e um dos poucos cochilos da zaga para deixar Fred livre para marcar.

Adilson ainda esperou alguns minutos para dar uma mexida no time, que parecia perdido naquele momento. A primeira alteração foi no ataque, saindo o apagado Reginaldo e entrando Thalles. Essa alteração era a que todo torcedor esperava, mas as duas seguintes certamente irritaram os vascaínos: precisando virar a partida, Adilson mostrou maior preocupação com os laterais, ambos pendurados, e os substituiu praticamente ao mesmo tempo. E para levar a torcida à loucura de vez, além de Diego Renan, o treinador colocou em campo Fellipe Bastos, o maior desafeto da torcida.

Mas nem deu tempo da mãe do Adilson sentir a orelha arder. Praticamente na primeira jogada de Bastos, o volante recupera uma bola no meio de campo, encontra Diego Renan subindo pela esquerda e acerta bom passe para o lateral. Renan avança, centra para a área e Thalles acerta uma voadora na bola, vencendo Cavalieri e empatando o placar.

A igualdade trouxe o Vasco de volta ao jogo, mais uma vez dominando a meiuca. Mas esse também foi o momento em que a partida esquentou, muito em decorrência da arbitragem frouxa do Sr. Wagner do Nascimento Magalhães. O jogo ficou brigado, com muitos lances ríspidos e discussões. E no meio de montes de carrinhos, empurrões e bate-bocas, o jogo acabou sem alterações no placar.

Na prática, as coisas continuam as mesmas: o Vasco ainda precisa ganhar um dos jogos da semifinal e se não foi o primeiro, pode muito bem ser o segundo. Pelo que vimos ontem, não há nada de impossível nessa missão, mas já ficou claro que Adilson precisa encontrar um caminho para tornar nosso ataque mais eficiente. Os três atacantes, jogando como jogaram ontem, não justificam uma nova chance para essa opção. Algo precisa mudar, e se não for no número, que seja nos atacantes escolhidos. Sejam dois ou três atacantes, uma coisa Adilson não poderá deixar de fazer: encontrar um lugar para o Thalles entre os titulares.

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As atuações…

Martin Silva – uma grande defesa em chute de fora da área no primeiro tempo e no mais, não teve muito trabalho. Não poderia fazer nada no lance do gol, mas vacilou numa saída de bola no primeiro tempo que poderia ter acabado em gol tricolete.

André Rocha – justo quando tinha pela frente o Carlinhos, teve uma das atuações mais ofensivas, apoiando com frequência. Por conta disso e do amarelo que levou logo ainda no primeiro tempo, cedeu mais espaços do que deveria e facilitou algumas vezes no combate. Deveria estar marcando o Fred no lance do gol, mas não o alcançou. Pra compensar, evitou um gol certo no primeiro tempo, bloqueando uma bola em cima da linha. Fellipe Bastos entrou em seu lugar e mais uma vez entrou bem na partida, melhorando a marcação pelo meio e fazendo com que recuperássemos o domínio no setor. Iniciou a jogada do gol de empate acertando bom passe para Diego Renan.

Luan – mais uma boa partida do garoto, que já deixou claro que sua falta de experiência não o faz tremer em jogos importantes. Foi muito bem no combate e nas antecipações.

Rodrigo – igualmente bem na partida, complementa a dupla de zaga com sua experiência. Além de se dar bem na maioria das bolas alçadas à área, é importante também na hora de peitar os adversários que tentam apitar o jogo mais que o juiz, como Fred, por exemplo. Sofreu um pênalti claríssimo ainda no primeiro tempo, não marcado, como de costume.

Marlon – apoiou bastante, mas não conseguiu ser eficiente. Defensivamente jogou com firmeza, pelo menos até levar um amarelo de forma questionável. Pouco depois de ser advertido, o gol tricolete nasceu em jogada pela sua lateral. Diego Renan o substituiu e logo na primeira jogada fez o cruzamento para o gol de empate. No mais, foi discreto.

Guiñazú – parecia estar brigando com o time antes mesmo da partida começar e manteve a pilha ao longo de todo o jogo, mostrando que não se pode entrar num clássico sem estar disposto pra luta. E foi o que fez, brigando o tempo todo e conseguindo atrapalhar o Conca sem apelar para muitas faltas. Mas como há jogadores que ficam marcados, na primeira falta mais dura, levou o amarelo.

Pedro Ken – bem na marcação, ainda apareceu na frente em alguns momentos, ajudando na criação. Deixado na podre no lance, não conseguiu impedir o avanço do Jean no lance do gol tricolete. Com a saída do André Rocha, terminou a partida como lateral, não comprometendo.

Douglas – único armador do time, foi o principal alvo da marcação tricoflor. E ele se deixou ser marcado com extrema facilidade, o que prejudicou bastante sua capacidade para criar jogadas.

Everton Costa – pelo que fez ontem, parece que ganhou a vaga no time por conta do estilo, na posição de atacante com cabelo chamativo: assim como Barbio, corre, ajuda na marcação, não tem medo de arriscar jogadas, mas de efetivo, muito pouco.

Reginaldo – mesmo sendo participativo e procurando cumprir bem sua função tática, teve uma atuação discretíssima. Thalles entrou em seu lugar e deu ao time a presença de área que estava faltando, tanto que precisou de poucos minutos em campo para mostrar mais uma vez sua estrela na Arena Maracanã e marcar o gol de empate.

Edmilson – penou com a marcação tricolete e teve poucas chances de marcar, o que não o impediu de perder um gol feito após aproveitar um rebote e chutar em cima do Cavalieri.

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Mais uma vez, o Vasco foi claramente prejudicado pela arbitragem.

Mas não acredito que tenhamos sido garfados. O problema é com o Sr.  Wagner do Nascimento Magalhães, que mostrou não ter gabarito para uma semifinal de campeonato.

Nem falemos da penalidade claríssima sofrida pelo Rodrigo, ainda no primeiro tempo. Talvez o juiz não tivesse uma boa visão do lance – e aí entra em campo a incompetência dos auxiliares – e por isso não marcou o agarrão de jiu-jitsu dado pelo Gum no nosso zagueiro. Mas não há desculpa para um juiz que passa o jogo todo conversando, que se deixa influenciar pela gritaria dos jogadores e que não tem peito para fazer o seu papel com a autoridade que deveria.

O momento mais evidente da fraqueza do juiz foi ao advertir Marlon: no lance, o bandeirinha assinalou apenas arremesso lateral e o Sr. Magalhães confirmou o marcação. Mas bastou os jogadores tricoletes partirem pra cima do juiz para ele, não apenas dar a falta – vale lembrar, não apontada pelo bandeirinha – , como também aplicar o amarelo para o nosso lateral.

Depois, os responsáveis por esse maravilhoso estadual (que em um clássico decisivo não conseguiu fazer com que nem 10 mil torcedores se interessassem em pagar o ingresso para a partida) têm a coragem de defender o quadro arbitral carioca e dizer não ser necessário chamar juízes de fora para a semifinal e final do campeonato.

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