Dupla Atletiba deve “sair de cima do muro”: grande ou não

Leia o post original por Mion

A realidade com ou sem perdão.

No dia do aniversário de Curitiba, a capital paranaense foi tema de várias discussões. Entre elas, na rádio CBN, Curitiba ainda não definiu se é província ou metrópole. Concordo plenamente os curitibanos alternam: conforme a situação querem usufruir da metrópole em outra da província. No futebol não é diferente. As duas maiores forças do estado também vivem este dilema: desejam ser grandes clubes brasileiros, porém com atitudes e investimentos de medianos. Na semana do aniversário de sua capital, os paranaenses precisam refletir e escolher qual caminho seguir. Assim como o futebol necessita sair de cima do muro.

Não dá para viver numa metrópole com todas os benefícios de qualidade de vida de uma província. Tudo tem o seu ônus e bônus, além de riscos. O futebol paranaense também quer ser grande sem arriscar e muito menos crescer em todos os sentidos. O discurso de manter uma administração condizente com a situação financeira do clube não cola mais. Quem não investe, e isto requer algum perigo, jamais conseguirá grandes conquistas. Apostar no acaso não é mais possível, o futebol mudou demais nos últimos 20 anos. Os títulos conquistados por Coritiba (1985) e Atlético (2001) estão ligados diretamente ao momento, não significaram um ponto de partida, ou emancipação. Tanto que logo em seguida caíram e hoje perderam todo o ônus destes títulos, vive apenas na história e lembrança como grandes feitos isolados.

Acredito que a dupla seja reflexo exagerado ao extremo da cultura vivida principalmente no sul e sudeste do Brasil: importante é o TER e não o SER. Atlético e Coritiba possuem belos estádios ( Arena Baixada está maravilhosa e o Coxa está concluindo o anel superior do gigante Couto Pereira), contam com CTs exemplares dignos de nota 10, entretanto quando chega no principal, ou seja, nos elencos, pecam tremendamente, montam equipes de médio porte para não cair no Brasileirão e quem sabe conquistar uma vaga na Libertadores.

O dilema pode ser solucionado com posições mais claras e projetos transparentes. Caso pretendam emancipar e entrar no rol de grandes clubes brasileiros terão que investir e trazer jogadores de qualidade. Os gaúchos fizeram isso na década de 70. O Internacional de Minelli, conquistou o primeiro título brasileiro com Manga, Figueroa, Marinho Peres, Dario e Lula. Todos consagrados e de primeira linha. Na época havia certeza no sucesso de tanto investimento? É lógico que não! Na final o colorado encarou aquele timaço do Cruzeiro. Poderia naturalmente perder Figueroa de cabeça deu o título e Manga defendeu tudo e mais um pouco. Depois o Grêmio também seguiu o caminho do rival, ambos conquistaram vários títulos nacionais, Libertadores e Mundiais. Hoje são inquestionavelmente forças do futebol brasileiro.

Agora se a opção for manter uma situação cômoda apenas de participante dos campeonatos nacionais, poderia seguir outro rumo revelando jogadores e lançando jovens valores das categorias de base. Custo praticamente zero e com boas chances de lucros. Pode até cair, mas no ano seguinte sobe novamente. Não adianta trazer um monte de bonde e inchar os elencos. Enche os bolsos de empresários e vive em crise financeira. O Coxa tem mais de 40 jogadores: “moídos” em termos técnicos não chegam a 20.

Se o Coritiba quisesse atualmente teria sua defensiva entre as melhores do mundo. Bobagem? Claro que não! Rafinha (Bayern – campeão do mundo), Henrique (destaque no Napoli), Miranda ( Atlético de Madri briga por título espanhol e Champions League) e Adriano (do fantástico Barcelona). Isto comprova o poder de revelação de talentos. Nos últimos anos nem isto tem conseguido.

O que não pode mais dirigentes não optarem por um ou outro caminho, assim como Curitiba terá que se definir de uma vez: metrópole ou província, a dupla Atletiba também será obrigada a sair de cima do muro e projetar o que pretende SER, pois no critério TER está entre os maiores do país.