Santos x Palmeiras: Paulistão consegue começar só quando está acabando

Leia o post original por Milton Neves

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Nunca concordei com o fim dos regionais.

Hoje concordo e torço pela reformulação ou extinção total deles.

Mas sempre adorei aqueles campeonatos de ontem.

Minha formatura como torcedor, jornalista e radialista, e mais tarde como publicitário, aconteceu ao longo dos emocionantes campeonatos paulistas e cariocas de futebol nos anos 50, 60 e 70.

Eles me nortearam na vida profissional em função de verdadeira obsessão que tinha pelo Santos.

De 1957 ou 1958 até 1971 ouvi e acompanhei tudo ou quase tudo deles.

Lendo em Muzambinho “A Gazeta Esportiva”, do assinante Ivonaldo Vieira; o “Estadão” e a “Folha” do saudoso Euclides “Nem” Carli; ouvindo a Tupi ou a Bandeirantes no rádio do “Mirto Coloro” ou do “João da Empresa”; ou vendo as TVs Tupi e Record nas casas do Rubens Abrão ou do Geraldo Coimbra.

Eram emocionantes chuviscos com alguns “vurtos” em preto e branco na TV Colorado RQ.

Não tinha ainda meu radinho de pilhas GE cor de café com leite com capa de couro marrom comprado em 24 prestações nas “Casas Mazzilli”, do também saudoso Domingos Mazzilli.

Ele que era primo-irmão do deputado federal e presidente-tampão do Brasil Ranieri Mazzilli, personagem-coadjuvante, mas importante, na queda de Jango e na entrada da terrível Junta Militar, em 1964.

“Gente do céu, aqui do lado, em Caconde-SP, temos um presidente do Brasil”, exclamavam em cada canto os “50 milhões de habitantes” de minha terra.

Tanto que, por osmose, Domingos Mazzilli, da também saudosa “Casas Mazzilli”, virou prefeito de Muzambinho.

O ex-deputado e ex-presidente do Brasil Ranieri Mazzilli nasceu em Caconde-SP em 27 de abril de 1910 e morreu lá mesmo em 21 de abril de 1975.

E com a ajuda do primo famoso, como Getúlio Vargas em 1953 ao inaugurar in loco nossa “Escola Agrotécnica”, Domingos Mazzilli prometeu asfaltar a estrada de terra, hoje Rodovia Carmen Fernandes Neves, na ligação de Caconde a Muzambinho.

Não cumpriram, mas Geraldo Alckmin, em 2012, resolveu a parada lá e asfaltou, mas falta a parte mineira que o lento Anastasia finalmente agora licitou.

Mas, e daí?

Daí que é dolorido reconhecer que não dá mais para TODOS os campeonatos regionais do Brasil.

Como deveriam acabar também as federações que já faleceram por inanição ou omissão quanto aos times pequenos.

E que pecado, antigamente os campeonatos carioca e paulista me pareciam no rádio mais emocionantes do que hoje a monumental Liga dos Campeões da Europa pela TV, tão extraordinária.

E ouvindo Jorge Cury, Pedro Luiz, Fiori Giglioti, Flávio Araújo, Geraldo José de Almeida, Édson Leite e Haroldo Fernandes eu “conseguia” saber quem era bom mesmo em campo.

Como santista, bastava ter medo deste ou daquele jogador para escalá-lo, por exemplo, na Copa de 66.

Aliás, pelo que houve em 59, 63 e 66, está na cara que eu temia mesmo era o time do Palmeiras.

Palmeiras que agora, em 2014, vai decidir de novo com o Santos um Campeonato Paulista, hoje tão modorrento.

Assim, em 1966, eu, “como técnico” com 14 anos no lugar de Vicente Feola, ganharia com “certeza” a Copa da Inglaterra jogando com o time-base do Verdão, o óbvio à época.

Escalaria Valdir Joaquim de Moraes; Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Roberto Dias e Édson Cegonha; Dino Sani, Ademir da Guia e Rivellino. Servílio, Pelé e Edu.

Seria um título mundial nascido e forjado nos então fantásticos Campeonatos Paulistas, hoje tão “mortinhos da silva”.

Tanto que agora em 2014 o dito Paulistão se resumiu em meros dois grandes jogos: Palmeiras x Santos e Santos e Palmeiras.

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