Coutinhos

Leia o post original por flavioprado

AFP

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O Santos de dos anos 60 foi o melhor times de todos os tempos, pelo menos na minha opinião. Mesmo que alguém tenha visto algo melhor, em algum lugar do planeta, não conseguirá deixar de reconhecer aquela “magnífica escola de bola” com uma das principais da história da bola. Pelé viveu seu auge por lá. Grandes craques desfilaram ao lado dele, mas um, em especial, conseguia acompanhá-lo e fazer com ele as famosas “tabelinhas”. Estou falando do fabuloso Antonio Wilson Honório, ou simplesmente, Coutinho. Esse gênio da bola seria titular em qualquer seleção do mundo na Copa de 1962 no Chile. Menos em uma.

Acervo/Gazeta Press

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Na do Brasil. Ele foi reserva de Vavá em todos os jogos. Coutinho era muito mais jogador que Vavá, mas Vavá era campeão do mundo de 1958. E, naquele tempo,” time que ganhava, não se mexia”. Passam-se os anos e estamos às vésperas da Copa de 2014. Na Europa um jovem, Philippe Coutinho, ou só Coutinho como eles dizem lá, é um dos condutores do Liverpool rumo a um título, que o clube não tem há 24 anos. Não se pode pensar em comparar o Coutinho de hoje com o Coutinho do passado. Primeiro que são posições bem diferentes. Segundo que o primeiro era genial e o de hoje apenas bom jogador, que deverá evoluir, mas nunca chegar´ao nível do Antonio Wilson Honório. No entanto, chama a atenção a repetição da história. Philippe Coutinho jogaria em qualquer seleção do Mundial de 2014. Ou pelo menos estaria entre os 23. E, provavelmente, não será chamado por Felipão. Ele deu azar. Quando sua convocação seria certa, num dos amistosos do Brasil, veio uma incomoda contusão, que complicou até mesmo o Liverpool. Abriu-se espaço para William, que aproveitou, muito bem, a chance. E aí, quando ele voltou a jogar em grande nível, o espaço estava preenchido. Philippe Coutinho só será chamado, dentro da normalidade, em caso de algum problema sério com os meias brasileiros, que estão jogando muito bola nos clubes e na equipe nacional. Outro Coutinho, que poderia ter melhores oportunidades. Um foi e não jogou. O outro provavelmente não irá. O Philippe Coutinho é novinho e ainda poderá ter outras chances. O outro, na Copa seguinte em 1966, já estava em final de carreira, vitimado por muitas dores no joelho. Que o Coutinho de hoje seja mais feliz. Deve ser muito frustrante ter tanto potencial e tão pouca condição de mostra-lo, no maior espetáculo da Terra.