O bom trabalho de Kleina e a lição contra o Ituano

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Aprendizado

Todos os treinadores com potencial, garra e desejo de vencer evoluem ao longo de suas carreiras.

Mudam seus conceitos a respeito de alguma questão tática, aprimoram a metodologia de treinamento, lidam com os problemas de maneira que consideram mais eficaz que a até então utilizada, alteram detalhes na forma de comandar, aprendem a ser mais raciocinais nas horas difíceis dos jogos decisivos…..

Tudo isso faz parte da evolução profissional do técnico de futebol.

Nenhum treinador em atividade e que faz sucesso, repete, hoje, exatamente as mesmas decisões que tomava há 10 anos.

Realidade

Pedir a demissão de Gilson Kleina, neste momento, é um ato impulsivo.

Veja o elenco do Palmeiras e me diga exatamente aonde estão os erros que justificam a troca de comando.

Pense nas opções disponíveis no mercado, o salário delas, o tempo de adaptação do grupo de atletas que gosta do atual técnico palmeirense…

Existe a chance de a equipe crescer bastante, mesmo sem reforços, com os boleiros disponíveis?

Creio que nenhum leitor conseguirá me mostrar que é possível, tirando tal atleta do time titular e colocando outro, de um instante para o outro fazer a equipe jogar bem melhor.

Acho que ela pode evoluir com tempo e isso vai depender também da melhora técnica, individual, de alguns jogadores.

O trabalho de Kleina não é espetacular, excelente, maravilhoso, mas o considero bom.

O posicionamento coletivo favorece Kardec e Valdívia, os mais técnicos no trato da bola, ajuda Wesley, outro melhor que a média,  a fazer o que sabe, e há variações no sistema ofensivo.

O defensivo ainda carece de testes (sequência de jogos contra times mais fortes que os pequenos do paulistinha) e certamente de reforços.

Um zagueiro ou um volante, além de reservas nas laterais, são importantes, assim como a contratação de outro centroavante capaz de manter as características, mesmo sem a mesma qualidade, da equipe quando Kardec não puder atuar.

O trabalho de reconstrução da equipe está bem encaminhado.

Lógico que ainda faltam várias etapas e os próximos meses tendem a ser mais difíceis porque os times do Brasileirão são superiores aos do paulistinha.

Frieza

Faltou um pouco de frieza ao treinador durante o 2° tempo do jogo contra o Ituano.

A entrada de Valdívia com tornozelo inchado, diante do adversário que chegou forte em todas as divididas, piorou o time.

O chileno tinha que evitar o contato físico e normalmente participa menos que Mendieta, o substituído, da marcação.

O treinador sabia da condição atlética de Bruno César insuficiente para os 90 minutos.

Ele não terminou outros jogos entre os titulares por isso.

O treinador sabia que o meio-campo perderia por causa disso.

Juninho também sentiu dores, queria sair, e teve que ficar.

Além disso, o Palmeiras insistiu em sair da defesa tocando a bola e errou muito.

Kleina, ao invés de mandar a equipe para cima em busca do gol e correr tantos riscos de sofrer um, deveria ter cogitado a possibilidade de conquistar nas cobranças de pênaltis a vaga na decisão.

Mas estava envolvido pela pressão de comandar o gigante do futebol brasileiro contra o pequeno e tomou a decisão olhando para a camisa ao invés das circunstâncias.

Deve ter aprendido uma lição e da próxima vez fará algo diferente.

O maior, não

Que fique claro:

Kleina não foi o maior culpado pela desclassificação.

A responsabilidade deve ser dividida, em partes iguais, com os atletas.

O azar também contribuiu no lance da contusão de Alan Kardec.

O Ituano também poderia ter vencido a disputa nos pênaltis.

Contra o Botafogo, em Ribeirão Preto, obteve 100% de aproveitamento nela.