Obrigado Adilson (por ontem).

Leia o post original por JC

Nada surpreendente a vitória vascaína e a consequente eliminação tricolete no segundo jogo da semifinal. A freguesia é grande e o cliente, quando é bem atendido, sempre retorna. Há décadas, tenha equipes melhores, do mesmo nível ou piores, o time do Laranjal sempre muda de cor diante da cruz de malta e amarela completamente.

Mas depois da vitória de hoje, vale ao menos dar méritos a quem só tem sido criticado desde o ano passado. Adilson Batista, um treinador que chegou contestado (e ainda é), hoje merece os parabéns. Longe de fazer um trabalho perfeito, mesmo fazendo escolhas bizarras e não sendo dos técnicos mais genais na hora de fazer substituições, conseguiu fazer o que um bando de treinadores com mais nome e melhores elencos não conseguiu nos últimos dez anos: nos levar a uma final de Estadual.

Ainda que algumas das suas opções sejam um mistério completo para a torcida, é inegável que Adilson deu uma cara para um time completamente desacreditado e que, a julgar pelo que dizia a imprensa esportiva, as torcidas rivais e mesmo um grande número de vascaínos, não passaria de figurante no Carioca. E não apenas isso, mas fez o Vasco voltar a jogar com atitude, coisa que não vemos há pelo menos um bom par de anos.

A postura em campo hoje, contra um adversário – dizem – melhor qualificado e jogando desde o começo com o placar a seu favor é uma bela amostra do trabalho do Adilson. Procurando a vitória quando precisava e jogando com inteligência quando tinha um resultado favorável, o Vasco foi superior ao longo dos 90 minutos. E isso ainda tendo que superar o que deu errado no próprio planejamento do técnico, como a quase inoperância do Douglas e a eterna incompetência na hora das finalizações. Se vencemos e jogamos bem mesmo com isso tudo, é sinal de que as instruções do Adilson deram mais certo que errado.

Mas o agradecimento pela classificação fica por aqui. Afinal de contas, ainda não ganhamos nada e a parte mais difícil vem agora. Ter pela frente a mulambada, que inevitavelmente chegará à primeira partida da final já sabendo que o Carioca é sua única chance de título nesse semestre (e muito provavelmente no ano), será o teste de fogo para a equipe vascaína. Além do nosso próximo adversário ser comandado por um treinador de fato – e não por um churrasqueiro – teremos que suportar a inevitável pressão de voltar a vencer um Estadual depois de mais de uma década.

Superar essas dificuldades, mantendo o equilíbrio e a confiança do time para a final é o que Adilson precisa fazer agora. Conseguindo isso, aí sim, o parabéns da torcida vascaína será completo.

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As atuações…

Martin Silva – uma boa defesa em cada tempo – no primeiro, evitou com o pé um gol de Walter; no segundo uma saída de bola providencial – e de resto quase não teve trabalho.

André Rocha – sofreu na marcação ao rotundo atacante tricolete, levando a pior em vários lances. Nas vezes que foi ao ataque, errou quase todos os lançamentos.

Luan – uma tranquilidade impressionante num jogo com tanta pressão e tendo que encarar o atacante titular da seleção. Mais uma atuação irrepreensível do garoto.

Rodrigo – se saiu ainda melhor que seu jovem companheiro de zaga: além de vencer a maioria dos lances contra os atacantes tricoflores, deu o passe para o gol de Edmilson e ainda evitou uma cabeçada do Fred que tinha tudo para acabar na rede.

Diego Renan – foi tanto ao apoio que acabou o primeiro tempo sendo o jogador das duas equipes que mais finalizou. Tanta ofensividade acabou impedindo as subidas do Bruno, anulando uma forte jogada tricolete. Acabou cansando no segundo tempo e foi substituído por Marlon, que mostrou afobação na marcação e cometeu uma ou outra falta arriscada.

Guiñazú – depois de um começo errando alguns passes, melhorou no fundamento e ainda foi a sombra que impediu o Conca de fazer qualquer coisa de relevante no jogo.

Pedro Ken – atento na marcação, foi mais discreto do que deveria ao tentar ajudar na criação.

Douglas – a maior decepção do time. Mais uma vez foi presa fácil da marcação tricolete e não conseguiu fazer quase nada na primeira etapa. E na segunda, quando teve mais espaço, errou passes decisivos e deu um peteleco na única finalização que fez. O gol da vitória nasceu de uma cobrança de falta sua, mas é preciso dizer: se a intenção dele era cruzar para o cabeceio, ele errou o lance, chutando muito forte. Sorte o Rodrigo estar no lugar certo, na hora certa, para consertar tudo.

Everton Costa – correu, atazanou a defesa tricolete e foi boa opção ofensiva pelas pontas. Mas poderia finalizar mais e melhor: perdeu um gol feito em cabeçada no primeiro tempo e errou um passe relativamente fácil que poderia originar nosso segundo gol na etapa final.

Reginaldo – o torcedor que quer ver atacante fazendo gols ou pelo menos tentando fazê-los dificilmente entenderá a escalação do Reginaldo. Mas ontem ele cumpriu uma importante função tática, dando o primeiro combate na saída de bola do laranjal e invertendo posição com Diego Renan para que este chegasse como homem surpresa. Nessa função foi bem até cansar e ceder lugar para Fellipe Bastos, que entrou para reforçar a marcação no meio de campo e cumpriu a função sem muitos problemas

Edmilson – ele se atrapalha com a bola em alguns momentos, é verdade. Mas como falar mal de quem está sempre pronto pra finalizar e que numa dessas fez o gol da vitória (consolidando a artilharia isolada na competição)? Thalles entrou em seu lugar fez pelo menos uma grande jogada pelo lado do campo, dando um drible desconcertante no seu marcador.

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