Caso Lusa: MP constata 12 transações bancárias estranhas

Leia o post original por blogdoboleiro

Enquanto a Portuguesa de Desportos briga na Justiça Comum pelo retorno à Série A do Campeonato Brasileiro, o caso da escalação irregular do meia Hérverton no jogo contra o Grêmio, na última rodada do Brasileirão de 2013, continua sob investigação da área criminal. E a teoria de que o jogador entrou em campo por erro administrativo da Lusa está sendo substituída por um possível complô organizado.

O promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial do Combate ao Crime Organizado) levantaram dados bancários de vários nomes envolvidos no caso, tanto da Portuguesa quanto de outros clubes, incluindo também advogados. E chegaram a um indício perturbador: 12 movimentações bancárias estranhas, cujos valores superam o perfil normal dos agora suspeitos.

O promotor Roberto Senise Lisboa, do Ministério Público do Consumidor de São Paulo, ouviu várias pessoas envolvidas no caso. O STJD julgou Hérveton e aplicou a punição de dois jogos por ele ter sido expulso no jogo contra o Bahia, na 36ª rodada. O atleta cumpriu uma partida e, na 38ª rodada, começou na reserva e depois entrou em campo contra o Grêmio.

No início, o departamento jurídico da Portuguesa garantiu que não tinha sido informado pelo advogado contratado do clube para atuar no STJD, cuja sede fica no Rio de Janeiro. Ficou provado que o clube recebeu a informação. O caso foi parar no MP. O promotor Lisboa, depois de tomar os depoimentos de envolvidos, chegou à conclusão de que, na área cível, a CBF desrespeitou o Estatuto do Torcedor ao não informar em seu site a punição em tempo hábil.

Mas, ao mesmo tempo, ele passou a desconfiar que alguém na Portuguesa de Desportos não levou a informação da suspensão de Héverton até a comissão técnica. Deliberadamente.

O atleta participou do jogo contra o Grêmio e o clube perdeu quatro pontos por decisão do STJD. Com isso, foi rebaixado para a Série B. Nesta quarta-feira, a Portuguesa entrou com ação na Justiça Comum e obteve liminar que obriga a CBF a promover seu retorno à primeira divisão.

Roberto Seninse Lisboa ouviu mais de 50 envolvidos, desde o ex-presidente da Portuguesa – Manoel da Lupa – até funcionários do departamento jurídico. Fez perguntas sobre se eles conheciam alguém do Fluminense, qual a relação com o advogado Osvaldo Sestário, que representou o clube no STJD. Com isso, o Gaeco abriu sigilo bancários de pessoas cujos nomes foram levantados nestes interrogatórios.

Agora, o trabalho dos promotores é apurar se a movimentação financeira das 12 contas (todas acima de R$ 100 mil) foi legal ou não e se tem relação com a teoria de que o erro da Portuguesa não foi um acaso, mas sim um complô envolto em corrupção para, por exemplo, manter o Fluminense na Série A.