Cruzeiro, gigante, vence a La U em Santiago; finalmente o campeão brasileiro mostrou equilíbrio emocional na Libertadores

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Universidad de Chile 0×2 Cruzeiro

O Cruzeiro se agigantou em Santiago e manteve as chances de chegar ao mata-mata da Libertadores.

A apresentação do time de Marcelo Oliveira no 1° tempo lembrou seus melhores momentos, ano passado, na conquista do Brasileirão.

Forte na marcação e mortal nos contra-ataques, fez dois gols e poderia ter balançado a rede mais vezes se Júlio Baptista tivesse aproveitado uma das três oportunidades criadas pelo inspirado sistema ofensivo celeste. A terceira foi impressionante. Não podia falhar em frente ao goleiro Johnny Herrera.

Éverton Ribeiro foi o destaque cruzeirense antes do intervalo.

Depois do período de descanso, o jogo ficou mais difícil.

O técnico Cristián Romero colocou o terceiro atacante, A La U pressionou, mas parou no bom trabalho defensivo cruzeirense.

Em nenhum momento os chilenos deixaram de correr riscos nos contragolpes ou ameaçaram, de fato, a vitória dos mineiros.

Equilibrado

O Cruzeiro perdeu 5 pontos contra o Defensor e ficou em situação crítica na Libertadores porque foi desequilibrado na parte emocional em ambos os jogos diante dos uruguaios.

Tecnicamente, era superior.

A obrigação de vencer em Santiago exigia dos comandados de Marcelo Oliveira a capacidade de lidarem com a pressão que eles não vinham mostrando, além, claro, do bom futebol que sabem jogar.

No 1° tempo, cumpriram o dever com louvor.

Opções

Marcelo Oliveira escalou Samudio, melhor que Egídio, na lateral-esquerda; Henrique foi o escolhido para formar a dupla de volantes ao lado de Lucas Silva porque Nilton estava suspenso.

Júlio Baptista foi o centroavante. Borges está machucado e Marcelo Moreno, sem condição e física e ritmo de jogo similar a dos companheiros, ficou na reserva.

Baile tático, técnico e psicológico

O Cruzeiro foi inteligente.

Sabia que a Universidad de Chile faria aquela tradicional blitz logo de cara.

O campeão brasileiro iniciou a marcação um pouco à frente da linha que divide o gramado e apostou nos contra-ataques.

Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Dagoberto, da direita para a esquerda, atuaram na linha de três do  4-2-3-1 e se movimentaram bastante.

A participação deles e do centroavante na parte defensiva foi importante para o time controlar as ações.

Se a La U atacava do lado de Ceará, Ribeiro voltava para ajudar o lateral, enquanto Dagoberto ficava adiantado com Júlio Baptista para os contragolpes.

Quando a  Universisdad de Chile avançava do outro lado, Dagoberto recuava para cooperar com Samudio e Everton Ribeiro permanecia na frente para formar a dupla a ser acionada nos contra-ataques.

Os dez minutos iniciais serviram para os celestes esfriarem o time da casa.

A posse de bola da equipe dirigida por Cristian Romero não serviu de nada.

Martínez, Juan Rojas, Fernández e Lorenzetti, no meio de campo,  não superaram o bloqueio cruzeirense. Mora, parceiro, de Rubio no ataque, voltou para ajudar na criação e nada produziu.

Aos 12, a Raposa iniciou o baile com o primeiro dos vários contra-ataques que teria durante o jogo.

Júlio Baptista chutou de fora da área e obrigou Johnny Herrera a fazer difícil defesa.

No minuto seguinte,  após a cobrança de escanteio a zaga chilena falhou ao tirar a bola da área e de novo Júlio Baptista finalizou com perigo.

Aos 16, Everton Ribeiro fez jogada individual e sofreu a falta. Ele mesmo cobrou e Bruno Rodrigo, de cabeça, fez o gol

A desvantagem no placar e os sucessivos fracassos nas tentativas de criar boas chances deixaram a La U tensa; o time, por isso, passou a errar ainda mais, em especial os passes.

Restaram os cruzamentos, na verdade chuveirinhos, como opção de gol para a equipe da casa tentar empatar.

As tentativas pelo chão pararam no meio de campo cruzeirense e geraram contra-ataques perigosos.

Everton Ribeiro, o melhor do confronto na etapa inicial,  aos 31 puxou o contragolpe, mas foi fominha e preferiu chutar ao invés de tocar para Dagoberto, livre e cara a cara com o goleiro.

Aos 35, aconteceu a única falha defensiva do Cruzeiro.

Ceará errou ao sair para fazer a linha de impedimento, Rubio chegou na bola antes do goleiro Fabio, tocou nela e viu a dita cuja passar lentamente, com requintes de crueldade para os torcedores da La U, muito perto da trave.

Logo depois, viu sofreu o 2×0.

Aos 39, Samudio balançou a rede após receber o passe perfeito de Ricardo Goulart. A jogada foi bonita e teve as participações de Henrique e Dagoberto.

Aos 41, após outro erro do adversário na saída de jogo, Júlio Baptista perdeu a chance mais incrível; sem marcação carregou a bola até ficar diante do goleiro e chutar em cima dele.

O 3×0 antes do intervalo provavelmente tiraria de vez a Universidad de Chile e facilitaria a goleada do Cruzeiro.

Lembro que e o saldo de gols pode definir o classificado.

Fábio, providencial

O goleiro fez defesa difícil, que exigiu reflexo apurado, após o arremate de Cereceda.

O lance começou no cruzamento na área.

Se a La U tivesse diminuído a vantagem naquele momento, aos 43,  depois de escapar da vitória por diferença superior a de dois gols, voltaria mais forte na parte psicológica para o segundo tempo.

A defesa foi providencial.

Mudança e tentativa de pressão

Romero voltou do período de descanso com o atacante Castro no lugar do volante Martínez.

Posicionou o time no 4-3-3 com avanço constante dois laterais, o que fez a La U atuar no 3-4-3 e até no 2-5-3 quando tinha a redonda.

A mudança obrigou Samudio, importante opção ofensiva antes do intervalo, a permanecer atrás, além de exigir ainda mais atenção de Everton Ribeiro no auxílio ao meio-campo.

A La U,  em jogadas bem executadas de linha de fundo, levou perigo nos cruzamentos.

Defesa e contra-ataque

Marcelo Oliveira reforçou o sistema defensivo, aos 15, na substituição de Ricardo Goulart por Souza.

O reserva atuou no centro da linha de três, mas por causa das circunstâncias do confronto, passou a maior parte do tempo perto dos volantes.

A alteração reforçou a marcação no meio, facilitou para Henrique e Lucas Silva auxiliarem os laterais na marcação, pois a La U atacava pelos lados, e manteve a velocidade dos contra-ataques com Everton Ribeiro na direita, Dagoberto na esquerda e Júlio Baptista pelo meio.

Aos 20, Farfán entrou na vaga de Mora.

Aos 25, William substituiu Dagoberto.

O andamento da partida, com a ineficaz pressão da La U e a possibilidade de o Cruzeiro ampliar no contragolpe, continuou igual até o apito final.

Luan havia entrado aos 35 no lugar do cansado Everton Ribeiro.

E, William, aos43, acertara o travessão no contra-ataque quando ambos os times dez em campo.

Caruzzo, aos 38, e Samudio, aos 41, foram corretamente expulsos.

Luan quebrou o galho na lateral-esquerda nos minutos finais.

Arbitragem

Gostei do trabalho do argentino Germán Raúl Delfino.

Não soprou faltas inexistentes para controlar o jogo, usou o mesmo critério para ambos os times do começo ao fim da partida, e acertou nas expulsões.

Passou despercebido o que é o maior mérito de qualquer soprador.

Ficha do jogo

Universidad de Chile – Jhonny Herrera; Osvaldo González, Matías Caruzzo e José Rojas; Roberto Cereceda, Sebastián Martínez (Francisco Castro), Juan Rodrigo Rojas, Ramón Fernández e Gustavo Lorenzetti; Rodrigo Mora (Rubén Farfán) e Patricio Rubio
Técnico: Cristián Romero

Cruzeiro – Fábio; Ceará, Bruno Rodrigo, Dedé e Samudio; Henrique e Lucas Silva: Éverton Ribeiro (Luan), Ricardo Goulart (Souza) e Dagoberto (Willian); Júlio Baptista
Técnico: Marcelo Oliveira

Árbitro: Germán Raúl Delfino – Assistentes: Gustavo Rossi e Ivan Nuñez
Local: Estádio Nacional de Santiago