Eleição na CBF: Mundial e “máquina” tiram oposição da briga

Leia o post original por blogdoboleiro

A eleição de Marco Polo Del Nero para novo presidente da Confederação Brasileira de Futebol já está decidida. Nesta semana, quando o atual presidente da Federação Paulista de Futebol registrou sua candidatura a sucessor de José Maria Marin, 'apenas três federações não “deram o aceite”, ou seja, não assinaram o apoio.

Segundo Francisco Novelletto Neto, da Federação Gaúcha de Futebol e um dos principais articuladores da oposição à atual diretoria da CBF, os “rebeldes” jogaram a toalha. “Vai ser chapa única”, disse ao Blog do Boleiro.

A desistência de organizar uma candidatura alternativa teve, segundo o dirigente do Rio Grande do Sul, dois motivos principais: “Para entrar nesta briga, teríamos que tentar impugnar a eleição baseados no Estatuto do Torcedor que dá aos clubes o direito a voto na eleições de federações e confederações. Mas aí, compraríamos uma briga a 60 dias da Copa do Mundo. Nós seríamos considerados aproveitadores por tumultuar o futebol brasileiro”, afirmou.

A segunda razão apontada por Novelletto é o poder de barganha e convencimento da gestão atual da CBF, comandada pelo presidente José Maria Marin. “Aí tem a máquina e brigar contra ela é quase impossível. Todo mundo passa a ser convidado para eventos, viagens e jogos da seleção”, falou.

No próximo dia 16, a chapa encabeçada por Del Nero será confirmada vencedora. Ele contará com cinco vice-presidentes: o próprio José Maria Marin, o alagoano Gustavo Feijó (que já chefiou delegação do selecionado brasileiro) , o catarinense Delfim Peixoto, o maranhanse Fernando Sarney e o capixaba Marcus Vicente. Marin, que vai fazer o sucessor, será o vice mais velho da CBF e, como aconteceu depois da renúncia de Ricardo Teixeira, o primeiro na linha de sucessão.

Há um ano, os oposicionistas liderados por Novelletto, Andrés Sanches (ex-presidente do Corinthians) e Rubens Lopes da Costa Filho (presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro) contavam com o apoio de 15 outras federações. Hoje, quem tem direito a voto na CBF são os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro e 27 federações.

O quadro mudou. Novelletto disse que restou apenas deixar claro que existe gente contrária à situação da CBF. “Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro não assinaram adesão à chapa. Não vai ser eleição por aclamação. Há 30 anos, não havia oposição na Confederação. Agora existe. Já é uma conquista”, disse o empresário gaúcho.

Mesmo assim, Andrés queria brigar pela mudança de comando no futebol brasileiro. “Só nos restaria tentar impugnar esta eleição. Mas a proximidade da Copa do Mundo iria nos deixar em má situação com a opinião pública. Então recolhemos o Andrés”, revelou Novelletto. O dirigente corintiano confirmou aintenção de concorrer e deputado federal nas eleições do final do ano.

Nesta terça-feira, Del Nero chamou Novelletto para uma conversa na sede da Confederação, no Rio de Janeiro. Garantiu que iria trabalhar junto com todas as federações. “Eu disse a ele que vai precisar mesmo atuar perto das federações. Eu viajei muito neste ano e conversei com os presidentes. A rejeição ao Marco Polo é grande e ele vai ter que reverter este quadro”, contou o presidente FGF.