Quatro brasileiros na Copa-82

Leia o post original por Wanderley Nogueira

* Publicado na Gazeta Esportiva de 09/12/1981

1 – Telê Santana com o Brasil

2 – Tim com a seleção do Peru

3 – Parreira e a “zebra”: Kuwait

4 – Evaristo e a África: Nigéria

Quarteto 82Quatro técnicos brasileiros estarão disputando a Copa do Mundo de Futebol de 82, na Espanha: Carlos Alberto Parreira (Kuwait), Elba de Pádua Lima Tim (Peru), Evaristo de Macedo (Nigéria) e Telê Santana (Brasil).

Com forças consideradas deficientes, Parreira, Tim e Evaristo reforçaram ainda mais que envolvem treinadores brasileiros nos últimos tempos, quando passaram a ser procurados por dirigentes de clubes e seleções de todos os continentes. Para Kuwait, Peru e Qatar, participar do próximo campeonato mundial significa uma enorme injeção moral no futebol de cada um deles. Hoje, os treinadores do Brasil são vistos como solução para os problemas do futebol.

Ficou provado que para um treinador ter sucesso, há necessidade de segurança. Parreira, Tim e Evaristo foram apoiados e prestigiados. Telê Santana foi pressionado, atacado, agredido e ninguém pode negar o mérito da CBF, que aliviou as pressões que cercaram o treinador do selecionado, escorou ataques e agressões. Resultado: o trabalho de Telê Santana deu certo.

Infelizmente esses exemplos não serviram aos clubes brasileiros. A alucinante gangorra dos treinadores continua mais ativa do que nunca. Até treinadores campeões estaduais sentem-se inseguros nos “empregos”.

Todos integrantes da Associação brasileira de Treinadores de Futebol, seção em São Paulo, concordam em um ponto: é preciso segurança para poder trabalhar. Os treinadores sempre citam um outro exemplo: “Na Europa, técnico de futebol assina contrato por três anos. No Brasil, perder um clássico significa perder o emprego…”

Já tramita pelo Ministério do Trabalho o projeto que visa a regulamentação da profissão. Na próxima segunda-feira será eleita a nova diretoria da ABTF (a atual é presidida por Flávio Costa) e os treinadores esperam da direção nacional da associação force o projeto que pode entregar aos técnicos a sua mais sonhado aspiração: a segurança.

Além de uma seleção comprovadamente competitiva, o Brasil terá na Copa da Espanha, quatro treinadores de enormes qualidades. É mais um aspecto para elevar o respeito que o mundo tem pelos profissionais brasileiros, cada vez mais disputados.

Os europeus perderam a liderança do mercado. Sempre que um clube ou uma seleção pensa em contratar um treinador, nomes brasileiros constam na lista. E quando, nesse instante, fica definida a presença de quatro profissionais brasileiros dirigindo as seleções na próxima Copa do Mundo, certamente a procura será ainda maior.