Pelas bodas do profeta, Silvio Luiz

Leia o post original por Mauro Beting

O Risadaria é um dos maiores festivais de humor do planeta. Obra do amigo, colega e afilhado Paulo Bonfá. Melhor ainda por ser contemporânea à melhor safra do Brasil na área. Com Adnet, Porchat e Duvivier. Rima que parece linha média da seleção da França. Mas tem muito de Monty Phython, de O Planeta Diário, SNL, Family Guy e tantas coisas que fazem minha vida melhor e mais feliz.

Como ouvir há 36 anos Silvio Luiz. Como ser colega e amigo de Rádio Bandeirantes, Band e Bandsports há 15 anos. Como ser companheiro de Pro Evolution Soccer há quatro anos. E gravando o quinto a partir do fim do mês.

Um gênio. Vocês todos sabem. Um amigo querido e generoso comigo e família. Saibam.

Um cara que teve operação complicada que o fez ficar quase um mês sem conseguir falar. Imaginem Silvio Luiz abrindo a boca e nada saindo. Imagine você nessa situação.

Eu vi o Silvio assim. Eu, como todos, não o ouvi naquele período, há 14 anos. Eu, como quase todos, imaginávamos que não daria mais para ele fazer na TV o que só ele viu. Falou. Criou. Bolou. Encantou.

Eu tive o privilégio de fazer na cabine de off da Band algumas “transmissões” na longa recuperação. Jogos que não iam ao ar. Como mal saía pelos ares a voz forte, marcante, inteligente e instigante dele. Era um fiapo. Nem um sopro. Muito menos de esperança.

Silvio batalhando para narrar. Ou fazer aquilo que só ele faz. Algo diferente de todos. Inimitável. E a voz não saía. O gol, então, que nunca é “gol” para esta lenda “legendadora de imagens”, mal dava para entender.

Não “”foi-foi-foi-foi-foi ele”, torcida brasileira. Não era o Silvio Luiz ali ao meu lado. Era alguém tentando copiá-lo como se fosse o Carioca do Pânico, o mais perfeito imitador (como também é de tantos outros).

Mas eu não sabia de nada. Ali era o verdadeiro Silvio Luiz. O cara que realmente fez tudo em televisão no Brasil. O cara que não inaugurou a Tupi. Mas tem idade e capacidade para ter inventado as ondas eletromagnéticas.

Tenho amigos de quem ele não gosta. Tenho amigos que não gostam dele. Eu, graças a Deus, tenho esses amigos que mostram que ninguém é perfeito. Especialmente aqueles que brincam com nossos problemas e limitações.

Silvio é um deles. Sabe que essa vida é uma zona. Brinca com ela a sério. Às vezes briga demais com a vida.

Mas o que fica é o que é eterno. É tudo que ele já fez no gramado, como repórter de campo. Lá dentro, como árbitro. Aqui fora, na cabine, como locutor. Ou loucutor.

O cara que atende celular na transmissão. O cara que chega para mim e fala para eu narrar o jogo que ele nunca vira aqueles times jogando na vida. O cara que fica descalço no meu programa e acaba com ele, literalmente, deitado de bruços. O cara que tem tanta história que parece brincadeira.

E é.

Por isso foi o homenageado especial do Risadaria.

Como diria o Bonfá, “tirem as crianças da sala”.

Só deixem o Silvio. A única criança sub-90 que eu conheço.