Que não se acomodem com a justificativa

Leia o post original por Luiz Nascimento

A Portuguesa novamente foi eliminada na primeira fase da Copa do Brasil, desta vez para o Potiguar de Mossoró, em pleno Canindé. Surpreendente? Talvez não. O torcedor luso conhece as limitações do elenco formado por jovens mal aproveitados nas bases dos rivais que foram escolhidos de última hora para disputar os únicos campeonatos garantidos de 2014. Como o próprio treinador Argel Fucks afirmou em entrevista coletiva e como é sabido desde os tempos de Guto Ferreira, sem qualidade é difícil construir algo.

É inegável que, tanto fora quanto dentro de campo, a situação do clube é preocupante. Claro que envergonha muito mais ser eliminado em uma primeira fase, com dois jogos, contra um time de estruturas bem mais acanhadas que as da Lusa. Porém, isso aconteceria na próxima ou na outra partida caso a Rubro-Verde avançasse. A falta de dinheiro e de certeza do que disputará faz com que a inércia em contratações seja catastrófica. Poucos lusitanos discordam que com esse time, em uma Série A, é rebaixada. Em uma Série B, no máximo, luta para não cair.

Salvar-se da degola no Campeonato Paulista já foi um feito e tanto. Argel, com seu estilo linha-dura e motivador, foi o ingrediente perfeito para um grupo de jovens que precisava, antes de qualquer coisa, mostrar superação. O problema é que apenas a vontade e a raça não são suficientes. Um time ajeitadinho e com vontade persiste até certo ponto. Primeiro é preciso ter um plantel melhor estruturado, com pelo menos algumas peças experientes e de qualidade. Depois é que se pode, inclusive, traçar um parecer sobre a própria competência do treinador.

Como já escrevi anteriormente, Argel Fucks merece elogios e agradecimentos pelo trabalho desempenhado no Campeonato Paulista. Porém, pelo menos a mim, ainda parece precoce dizer que tem condições de enfrentar um campeonato nacional de cabo a rabo. Uma coisa é ter um estilo que se encaixa na demanda de salvar o time da degola. Outra é construir um elenco, com padrão tático, peças de reposição, jogadores experientes, mudanças inesperadas etc. É apenas uma preocupação, que fique claro que não o considero o mal do clube da noite para o dia, longe disso.

Porém, alguns pontos já incomodam parte da torcida. Por que insistir no goleiro Glédson? Salvo raras exceções, falhou ao longo de todo Campeonato Paulista. Tom, prata da casa e reserva há tempos, entrou em jogos complicados e inspirou muito mais segurança na torcida. Vide o clássico contra o São Paulo. Não conhecemos profundamente o dia a dia do plantel, mas no desempenho em campo, é injustificável a volta de Glédson. Assim como a troca de jogadores com um nível técnico menos ruim por atletas que são apostas do treinador.

 

Enfim, penso que Argel Fucks precisaria de peças diferentes em mãos para que pudéssemos fazer um julgamento melhor. Porém, que algumas atitudes já incomodam e inconformam profundamente a torcida é fato. Um último ponto: os excessivos elogios aos homens do Departamento de Futebol. Aqueles que a torcida conhece de outros carnavais e cujos nomes não são muito bem vistos pelos lados do Canindé. Alguns com repertório nada animador que voltaram sem explicação e outros que lá estão pelo simples fato de ter cacife. Enfim, ouvir a mesma ladainha após todo jogo é complicado. E não deixemos de falar da ridícula reação de jogador querendo provocar, responder ou questionar a torcida. Cada um deve se colocar em seu devido lugar, sempre com respeito à instituição.

A situação da Portuguesa é desesperadora não apenas pelo que apresenta em campo. Esse talvez seja apenas um dos reflexos de todo o contexto no qual o clube está mergulhado. Sabe-se que há dívidas astronômicas e escassez de recursos. Sabe-se que não há patrocínios de peso e muito menos poder de convencimento para contratações. Porém, sem dinheiro tem time do interior na final do Campeonato Paulista. O importante é não se acomodar. O clube foi eliminado tão ridiculamente quanto as quedas da gestão anterior na Copa do Brasil, mas pelo menos os atuais têm desculpas mais convincentes. No entanto, é preciso abrir o olho. Para que toda a luta contra a injustiça não acabe sendo em vão por culpa própria.