Mais posse de bola, menos intensidade.

Leia o post original por K.O.N.G

Luís Fernando Cordeiro é Galo de corpo e alma. Op Logístico, estudante de Engenharia de Produção, ex-atleta profissional. Não torce para um time, torce para uma nação.  Siga no twitter: @luisfernando_4

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O Galo entrou para o último confronto da fase inicial da Libertadores um pouco diferente. Com a classificação garantida e com alguns desfalques, Paulo Autuori não arriscou escalar Ronaldinho, Victor e o retorno de Fernandinho como titular. Iniciou no 4-2-3-1. Com Giovanni, Marcos Rocha, Leo Silva, Otamendi e Alex Silva. Leandro Donizete e Pierre, Guilherme, Tardelli, Berola e Jô. O Zamora, precisando do resultado, não se intimidou e começou a partida tentando marcar em cima, o que dificultou a criação de jogadas do Galo. Os laterais e zagueiros trocavam passes na defesa, sem penetrar no campo adversário. O gol saiu numa erro de saída de bola errada do time venezuelano, Guilherme ganhou a bola e colocou Jô na cara do gol para marcar seu 4º gol na Libertadores. Guilherme foi o melhor em campo, aliás, esse ano o camisa 17 está muito bem. Além de colocar os atacantes em boas condições de jogo, o meia voltava para marcar, dava carrinho e recompunha o meio campo.

Guilherme, mais uma vez o melhor em campo. Foto: Bruno Cantini

Outro fato relevante foi que, por várias vezes durante o jogo, houve a inversão de posicionamento dos volantes: Pierre está saindo mais para o jogo e Donizete mais fixo, dando mais contenção à defesa. Leandro Donizete tem jogado bem, guerreiro, reassumiu sua vaga de titular. Por falar em defesa, Autuori deu uma solidez ao sistema defensivo do Galo. O time não leva ameaças como outrora, evita dar os chutões e joga sério quando é necessário. Gostei da recomposição defensiva do time. Está diminuindo os espaços que os meias adversários tinham na intermediária. Em algumas situações se via 3, 4 jogadores do Galo ao redor da jogada.

No ataque, Berola e Tardelli invertiam de lado, criando espaços para confundir a marcação, mas a fase do Tardelli está comprometendo o esquema, Jô tem que voltar para ajudar a saída de bola da defesa enquanto Tardelli se mostra desinteressado, está sem confiança, erra quase tudo e o pior, os próprios companheiros sentem isso e às vezes evitam jogar com o camisa 9. Reconhecendo a fase do Tardelli, Jô saiu muito da área, tirava os espaço de armação de Guilherme e suas opções de passes, ainda salvou um gol certo do Zamora. O Galo girava a bola de um lado para o outro, mas sem ganhar espaço no campo adversário, os laterais tem que chegar mais à linha de fundo.

No segundo tempo, Claudinei voltou no lugar do Marcos Rocha que saiu machucado. Com as duas laterais improvisadas, era melhor ter invertido os jogadores, Alex na direita e Claudinei na esquerda. As jogadas de ataque foram focadas pela esquerda com Alex, mas era onde Tardelli estava posicionado e mal na partida, até que foi substituído por Marion, que criou boas oportunidades e deu velocidade à equipe. Fernandinho voltou de contusão e entrou no segundo tempo no lugar de Berola, faz muita falta à equipe, vai para cima da defesa, cria oportunidades, é um jogador que joga na vertical. O Zamora ainda tentou pressionar no final do jogo para conseguir sua classificação, mas sem sucesso.

O placar de 1 x 0 contra o modesto Zamora deixa a Massa ressabiada, dentro de casa tem que se impor mais. O Galo está ficando mais com a bola, sem pressa para finalizar, isso é evidente no comando de Autuori, é um time diferente do ano passado, menos intenso, menos avassalador, mas dá menos chance ao adversário e mesmo a contragosto, a torcida precisa entender isso, jogar junto, sem vaiar, porque a partir de agora vai ser essencial para fazer do Horto o cemitério dos sul-americanos.

Até a próxima!