Cuidado! Mídia pode incentivar “apartheid” tupiniquim

Leia o post original por Mion

A realidade com ou sem dor

A realidade com ou sem dor

O racismo sempre deve ser rechaçado. É um dos sentimentos mais repugnantes e baixos do ser humano, comparo ao de estupro de criança. Porém os últimos casos denunciados no futebol brasileiro precisam ser mais bem avaliados. Cada um deve receber a devida consideração, conforme gravidade. A mídia tem tratado de maneira uniforme todas as situações, criando um ambiente de segmentação.

Não há nenhuma guerra entre brancos e negros, apenas casos isolados e de diferentes intensidades. Muitas vezes parece que a mídia esteja lutando contra um “apartheid” em pleno andamento no país: tremenda furada, é irreal, tudo em busca de audiência fácil. De tanto badalar sobre o assunto pode sim começar a criar revolta entre brancos e negros, uns se achando vítimas e outros injustiçados. A força da mídia em nosso país atinge influencia direta nos conceitos e comportamento que não consegue em nenhum outro país. Veja o caso das novelas, antes uma simples distração, hoje dita modas, e conceitos familiares e sociais.
A princesa Isabel instituiu a carta de alforria para os negros em 1866. De lá para cá o caminho foi e é tortuoso. No início a liberdade não significou uma vida decente e promissora. Jogados à marginalidade tiveram que lutar e ainda lutam por uma igualdade social no Brasil. Entretanto dar ênfase e taxar que um xingamento torna a pessoa racista não condiz com a verdade. Extremismo demais. Racismo é algo muito mais enraizado, cruel. O racista nega ao ser humano de cor negra o direito de ter liberdade, qualidade de vida, chegando a extremo de achar que deveriam ser exterminados. No Brasil não existe isso. As últimas acusações de racismo estão atingindo um patamar que logo pode tornar-se incontrolável. Em nosso país existe preconceito e não é só contra o negro. Quem é gordo também sofre, o magro , o feio e até pessoas com necessidades especiais. Nem as pessoas idosas escapam.
Estou enganado? Acredito que não! Não vejo que os negros sofram mais pressões ou discriminações do que as pessoas acima citadas. Quantas seres humanos sofrem porque são obesas. Ouvem ofensas e depreciações como: balofo, gorducho, barrigudo, rechonchudo etc… Também sabemos que o negro é chamado de macaco, gorila, negão etc… O sofrimento é o mesmo. Muitas vezes a pessoa é obesa por problemas de saúde, sofrem assédio e discriminação tanto quanto uma pessoa negra que é chamada de macaco. No avião, alguém gosta de sentar ao lado do obeso, ainda mais com o espaço entre as poltronas dos aviões?
Após esta introdução entrando diretamente no futebol, Pelé é o nosso maior craque. Nunca sofreu racismo, talvez discriminação, mas não racismo porque caso existisse não chegaria a ser Rei. Em plena década de 60, as forças racistas teriam derrubado, caso o Brasil fosse tão racista quanto falam. Mesmo assim Pelé superou todas as ressalvas. Não foi fácil!
Tivemos quatro casos de discriminação ou racismo  ligados ao futebol brasileiro no primeiro trimestre de 2014: Tinga no Peru, quando dezenas de torcedores imitavam macaco toda vez que pegava na bola, a do árbitro Marcio Chagas xingado durante o jogo em Bento Gonçalves, além de seu carro depredado, e os de Arouca do Santos e Marino do São Bernardo.
Dois deles considero bem discriminativos e graves, dignos de punições. Tinga sofreu assédio de dezenas de pessoas constrangendo e ofendendo. O árbitro Marcio Chagas além do constrangimento público também seu carro vandalizado e bananas colocadas no capô. Isso sim pode ser considerado um acontecimento racista.
Já Arouca e principalmente Marino foram casos isolados. Veja o caso do jogador do São Bernardo, dois torcedores… isso mesmo dois torcedores no alambrado o chamaram de macaco. Poderiam chamar de bêbado ou gorducho. Cabeça de torcedor é passional. Em momento algum Marino foi hostilizado pela torcida ou ofendido de maneira que o marginalizasse. Só que o caso de Marino recebeu a mesma repercussão que o de Tinga e do árbitro Márcio Chagas. Já falam em punição para o Paraná Clube, sem avaliar que por causa de dois imbecis o clube pode pagar caro e ficar estigmatizado como racista. Logo o Paraná, como meu amigo e colega jornalista Ayrton Baptista Filho do blog “Boleiros e Barangas”, postou esta semana: o tricolor é fruto  da união de Colorado e Pinheiros.  O clube de Vila Capanema era conhecido como “neguinhos da Vila”, na época ninguém falava em racismo.
É lógico que a mídia, a imprensa deve estar atenta, combater qualquer discriminação, entretanto todo cuidado  para não exagerar nesta vigilância que pode causar interpretações erradas e consequências piores.  As mães dos juízes não devem ficar nada felizes quando escutam aquele coro “filho da p…”  E a mídia brinca com a situação. São pessoas idosas e de outra época. Será que não são discriminadas e também não sofrem com o constrangimento, além de ver o filho hostilizado? E para encerrar deixo uma pergunta para reflexão: O QUE É RACISMO? CHAMAR UM IRMÃO NEGRO DE MACACO NUM MOMENTO DESEQUILIBRADO POR CAUSA DO APAIXONANTE FUTEBOL, OU ELE NÃO TER ACESSO À SAÚDE DIGNA, ESTUDO DE QUALIDADE E OPORTUNIDADES NA VIDA PARA SE DESENVOLVER EM BUSCAR SALÁRIOS ACIMA DAS NECESSIDADES BÁSICAS?  Não estou aceitando as ofensas, acho que devem ser presos, mas entendo que temos situações mais racistas e graves do que um xingamento.