Ituano bicampeão paulista – Aqui também é grande!

Leia o post original por Mauro Beting

 

O camisa 10 arrumou um belo chute e fez um golaço em bonita jogada da equipe rubro-negra da cidade onde tudo é grande. O primeiro do jogo decisivo em São Paulo. Mas ainda tinha mais tempo de luta. Um grande de história pela frente jogando em casa. Com a vantagem que foi pulverizada no final, com um gol de zagueiro-esquerdo-artilheiro que nasceu em outro clube enorme.

Foi assim que, em 2010, no último jogo da primeira fase do Paulista, aos 40 minutos da segunda etapa, no Canindé, o penta mundial Roque Júnior fez o terceiro dos 3 a 2 contra a Portuguesa que vencia o Ituano por 2 a 0 e rebaixava o time do camisa 10 Juninho Paulista para a Série A-2 estadual. Exatos 17 anos depois do outro pentacampeão do elenco ter deixado Itu para fazer bonita carreira que se encerrava naquela noite de abril paulistano. Com a virada que manteve o time dele (e por ele presidido desde 2009) na primeira divisão tão paulista quanto Juninho. Chorando no gramado em que se despedia da carreira sem deixar seu clube rebaixado, Juninho foi abraçado pelo companheiro de São Paulo, Seleção e Ituano. Doriva, seu treinador então. Gritando ao pequeno gigante que fora um senhor armador, o ex-volante do Brasil na Copa de 1998 berrava ao colega que também fora segundo volante no início da Copa de 2002. Juninho Paulista, Brasileiro e Mundial que era 100% Ituano:

– Você merece, cara! Você merece!

Claro que Juninho merecia toda aquela trajetória e glória de recuperação do time onde começou como profissional, onde iniciava uma gestão igualmente profissional. O que ele não merecia era mais sofrimento em 2011. Apenas três gols a mais que o primeiro dos rebaixados salvaram o Ituano de nova degola no Paulista. O time de Juninho quase caiu de novo em 2011.

Em 2012, menos sufoco. Em 2013, muito pior: aos 46 minutos da segunda etapa do último jogo da primeira fase do Paulista, só um gol contra o Palmeiras no Novelli Jr. salvaria o Ituano da queda iminente. Quando pintou um anjo Gabriel, Fernando, que chutou bola que o goleiro palmeirense rebateu e Marcão desempatou.

O Ituano de Juninho estava salvo pelo treinador Doriva, que chegara nas últimas quatro partidas para evitar o rebaixamento em 2013.

Este ano, desde a pré-temporada de mau futebol e piores resultados, o Ituano lutava para não cair. Entrou no Paulista de 2014 só para não ser rebaixado. Com apenas três remanescentes daquele elenco que quase caiu em 2013. Com o mesmo Doriva no banco. Com Juninho pagando as contas no caixa e segurando o tranco.

O Corinthians era favorito no grupo? Foi eliminado uma rodada antes. O São Paulo teria “amolecido”no Morumbi? Foi o Ituano que jogou grande e mereceu vencer pela primeira vez na história o adversário na casa tricolor. O Botafogo era favorito em Ribeirão Preto nas quartas-de-final? Foi eliminado nos pênaltis pelo ótimo goleiro Vagner, que defendeu um pênalti batido lá no alto. O Palmeiras era ainda mais favorito no Pacaembu? Foi eliminado no tempo normal. O Santos era ainda mais favorito em dois jogos em “campo neutro”?

Na primeira partida, o Ituano abriu o placar com um golaço depois de 1min08s de bola de pé em pé até o chute preciso de Cristian. O Santos perdeu o pênalti (e a bola dele) na cobrança de seu melhor jogador em 2013-14 – Cícero. E, no mais, o time de Itu foi melhor em campo. Mereceu mais que o 1 a 0 que poderia ser dois não fosse o gol perdido na segunda etapa por Rafael Silva, quando tinha o ótimo e chato Esquerdinha ao lado.

Na segunda partida, o time de Itu fez o antijogo até o pênalti que aconteceu em Cícero e foi bem cobrado por ele. Ainda que, na origem do lance, o santista estava impedido depois do chute bizarro de Leandro Damião.

Na etapa final do campeonato, o Ituano mostrou o que foi nos 180 minutos. Fez o jogo de toque de bola e valentia (na bola) e foi melhor que o rival – que havia sido o melhor time do SP-14. Merecia a vantagem que não teve antes dos pênaltis que foram virados pelo time de Itu.

Anderson Salles, ex-santista, bandeira de outras quase quedas, bateu para Aranha defender. Rildo mandou na trave a quarta cobrança santista. Neto bateu o último chute do SP-14 para a defesa eterna de Vagner.

O Ituano que não se rebaixa se ergueu contra fatos, feitos, desfeitas, desafetos, favoritos, favorecimentos. O time de Itu saiu da UTI dos últimos anos para ganhar mais um Paulista onde os grandes não tiveram vez. Em 2002, eles não jogaram mesmo. Agora, até jogaram.

Mas ninguém foi maior que Itu. E é sério.