Roubado é mais gostoso?

Leia o post original por Mauro Beting

Jornalista não pode ser previamente censurado. Mas precisa se conter previamente. Quem fala o que pensa na lata não pensa no que fala na latinha.

Na latrina comum, no balde marrom do lixo não reciclável – como o próprio pensamento (SIC) -, melhor deixar falar bobeira “compreensível” a transformar algoz em mártir da liberdade de expressão. Deixa falar. As palavras vão pelos ares contra os justiceiros da mídia.

Censura prévia nunca.

Mas alguns adoram cometer saídas em falso.

Felipe, ainda que zoado e gozado por rivais, é goleiro do Flamengo. Do mais popular do Brasil. Não está no boteco. Na arquibancada. Na firma. Certamente não está na escola ao dizer que:

– Roubado é mais gostoso.

Ainda mais em dias de intolerância. Violência. Virulência. De qualquer motivo para qualquer coisa.

De achar que a arbitragem errou por querer. De achar que está tudo vendido. Comprado. E do próprio clube. Pelo próprio Flamengo.

Mais gostoso é ser campeão. Vencedor. Ser Flamengo é mais gostoso, Felipe. Como ser Vasco. Corinthians. Palmeiras. Quem for.

O Flamengo de Zico. De tantos que foram campeões com muito mais gosto, graça e humor.

Pode ser um desabafo – infeliz. Pode ser tiração de sarro – infeliz.

Mas não pode. Um profissional não pode ser da várzea na pior acepção do termo.

Não é ser politicamente correto. É ser minimamente responsável . Para ser minimamente respeitável.