Tema livre

Leia o post original por JC

Parece que em São Januário não se conhece o ditado “melhor prevenir que remediar”: como já estamos acostumados a ver, a diretoria do Vasco resolve tomar uma atitude só depois do problema criado e vai processar Deus e o mundo por conta da garfada sofrida na final do Estadual.

Tá certo que a diretoria solicitou um trio de arbitragem de fora do Rio – o que foi negado pela FFERJ – e nem sei se existe a possibilidade de um clube vetar um dos árbitros escolhidos para uma partida. Mas a partir do momento em que se viu que um dos auxiliares seria um dos mesmos cegos que não viram a bola do Douglas bater 33 cm depois da linha, o clube deveria ao menos fazer um escarcéu público. Se alguém tivesse ido à imprensa e dito que se o tal Luiz Antônio Muniz de Oliveira mais uma vez prejudicasse o Vasco o resultado da final ficaria sob suspeita, talvez o sujeito não fosse tão “descuidado”. Pela segunda vez.

De qualquer forma, mesmo sendo uma atitude tardia, o processo serve ao menos para colocar uma pressão sobre a Federação e sobre os árbitros. Nada mais justo que o Vasco buscar uma reparação por prejuízos causados pela incompetência da FFERJ e de seus comandados. Ainda mais depois da confirmação da tentativa ridícula do Marcelo de Lima Henrique tentar dar um migué na súmula e atribuir o gol em impedimento ao Nixon para livrar a sua cara e a do seu auxiliar. A má intenção e a premeditação de tentar acobertar a besteira feita ficou explicita.

Mesmo que seja exagero pedir – e praticamente impossível conseguir – a anulação da partida, os danos financeiros têm mesmo  que ser reparados. E não há outro meio para conseguir isso além da justiça comum.

***

Não adianta ignorar os fatos. Tenho que concordar com as reclamações do Vasco. O clube tem toda razão. Fomos bem na grande maioria dos 126 jogos do torneio, mas erramos em um lance capital a dois minutos do fim. É um ano para se esquecer na arbitragem do Rio de Janeiro. O sentimento é de tristeza pelo fato do campeonato ter sido manchado desta maneira

 ”Os erros são normais e vão acontecer em qualquer área do futebol. É uma pena que isso ocorra tantas vezes com o Vasco. Mas eu posso afirmar que isso é apenas uma coincidência. O Vasco deve reclamar, sim. Eles estão cobertos de razão. Mas não devem imaginar ou falar em complô. Isso não existe” – Jorge Rabelo, presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.

Não teria sido muito mais fácil acatar o pedido do Vasco por um trio de arbitragem de fora do estado?  Por que a requisição do clube foi negada? Quando a esposa do Sr. Marcelo de Lima Henrique falou mais do que devia, o sr. Rabelo teve a chance de dar um pouco mais de credibilidade à arbitragem da final. Mas por arrogância ou conveniência, preferiu deixar o trio escalado. Deu no que deu.

Árbitros são seres humanos e podem errar. Mas há algo que pouco se fala: juízes cariocas estão incluídos nas estatísticas das torcidas do estado. Sendo assim, a probabilidade da maioria deles serem flamenguistas é enorme. Na hora da dúvida, por mais imparciais que tentem ser, é natural que acabem favorecendo o time do coração.

De qualquer forma, o lamento e a admissão do erro do Sr. Rabelo de nada adianta e ainda não o isenta da responsabilidade. Confiar no seu indigente quadro arbitral, é uma coisa. Colocar um bandeira que já tinha errado bizarramente a favor de um dos finalistas e que já tinha cometido outra falha gritante nesse mesmo estadual, favorecendo o Flamengo contra o próprio Vasco  foi, no mínimo, uma temeridade. Mas depois de tudo o que aconteceu com o Vasco nesse campeonato, fazer isso foi pura e simples irresponsabilidade.

Depois é só falar que o lance estava no limite da percepção humana. Convenhamos, usar isso como desculpa é testar com a torcida vascaína os limites da paciência humana….

***

Só um comentário: tem candidato a presidente do clube que não apenas é unha e carne com o Jorge Rabello como aprova seu trabalho à frente da FFERJ. Incluindo aí a arbitragem do Estadual.

***

E como não poderia deixar de ser, a mulambada apareceu diversas vezes por aqui para deixar seus comentários, todos sumariamente deletados como também era óbvio.

A maioria, além das pilhas sobre superioridade (que só eles viram nos jogos da final), bateu insistentemente na tecla de que os vascaínos só apontam os erros da arbitragem quando nos prejudicam. E citaram o “gol irregular” do Rodrigo, no primeiro jogo da final. A “irregularidade” no lance teria sido a “falta” do Everton Costa no Felipe.

Como a mulambada nunca primou por ser muito brilhante, vamos explicar pra eles didaticamente:

Antes de qualquer coisa, ignoremos esse erro da arbitragem contra o Vasco no primeiro jogo…

Digamos que mesmo com a clara imagem do pênalti, não tenha sido falta. Ainda assim, como dar cartão amarelo por simulação para um jogador que foi derrubado?

Mas como eu falei antes, ignoremos esse lance e como essa ocorrência modificou o andamento da partida. Consideremos também que o gol vascaíno na primeira final não valeu. A partida termina 1 a 0 para a mulambada.

Estão acompanhando, urubulinos?

Vem o segundo jogo. Vamos considerar o gol legal do Vasco e, assim como fizemos com a primeira partida, desconsiderar o gol em claro, completo e admitido impedimento. A partida termina 1 a 0 Vasco.

O que aconteceria então, mulambinhos? A decisão iria para os pênaltis.

Ou seja: eliminando um gol de cada lado, o Framengo não seria campeão ao final dos 90 minutos do segundo jogo. Mesmo que vocês achem que houve falta sobre o Felipe no gol do Rodrigo e mesmo que desconsideremos esse gol, o Vasco ainda assim saiu prejudicado com o gol totalmente irregular de vocês.

Se vocês ainda não entenderam, podemos desenhar.

***

Quem quiser ler mais a respeito dos temas desse post podem visitar a fanpage do Blog da Fuzarca no Facebook e acessar os links das matérias que tratam desses assuntos. O link também está no meu twitter: @jc_CRVG.

UPDATE FINAL 

Caros amigos vascaínos, quis o destino que meu último post como responsável pelo blog do torcedor do Vasco no Globoesporte.com fosse em um dia de tema livre. Por questões editoriais (para alegria de alguns e – espero – tristeza de muitos) encerro minha participação no portal exatamente um mês antes de completar sete anos no comando desse espaço.

Foram anos de muito trabalho e estresse e, infelizmente, de menos alegrias do que nós vascaínos merecemos. Mas não há como não sair satisfeito por ter conhecido torcedores do Gigante de todos os cantos do Brasil e de fora dele. Agradeço principalmente a vocês, leitores que me aturaram por todo esse tempo, e ao pessoal do ge.com, que me ofereceu essa oportunidade.

Ao meu sucessor, que ainda não conheço, desejo todo sucesso e também paciência, não apenas com os torcedores rivais, mas também com os próprios vascaínos. Somos todos muito exigentes, e, diante de tanta turbulência em São Januário nos últimos anos, mais irritadiços do que nunca. Como sei a barra que você vai enfrentar por aqui eventualmente, já sou seu fã só por aceitar a empreitada.

Ainda não sei qual será minha participação na internet daqui pra frente. A fanpage do Blog da Fuzarca e meu Twitter seguirão ativos, mas pelo menos por enquanto, me darei um descanso das resenhas e colunas. Se aparecer outro projeto de blog ou site, vocês saberão pelas redes sociais (as quais estão todos mais que convidados a participar).

Então é isso. Um abraço fraterno a todos e saudações vascaínas. Nos vemos num futuro próximo, pela internet ou nas arquibancadas, torcendo pelo Vascão.