“Fair play” financeiro no futebol: pé no breque ou dá PT

Leia o post original por Mion

Carlos Eduardo é exemplo claro da distorção. Ganhava mais de 300 mil no Flamengo.

Carlos Eduardo é exemplo claro da distorção. Ganhava mais de 300 mil no Flamengo.

Até os europeus cederam diante da crise econômica que assola o mundo. O futebol atingiu patamares astronômicos, fugiu do controle. No Brasil então, país em desenvolvimento, passou há muito tempo da capacidade de endividamento: impostos não pagos, processos trabalhistas acumulam e projetam futuro sombrio, dívidas absurdas de 10, 20 milhões a um único jogador. Não paga hoje, mas no futuro não tem jeito. Na justiça trabalhista não permite empurrar com a barriga: paga ou paga! Até agora deu para suportar, mas a medida urgente passa por diálogo sensato entre dirigentes, empresários e jogadores na busca de valores mais realistas.

Tanto aqui quanto no exterior salários avassalam qualquer estrutura financeira. Com exceção dos poderosos, Barcelona e Real Madri, os demais clubes assumiram nova postura administrativa ou foram vendidos para bilionários, casos Chelsea, Manchester City, Liverpool, Inter de Milão entre outros. Chineses fazem propostas, querem comprar os tradicionais Atlético de Madri e Milan, até mesmo Berlusconi não aguenta mais. Como em tudo, o Brasil segue caminho dos estrangeiros, em poucos anos não haverá mais saída: bilionários ou empresas multinacionais vão comprar os principais clubes.

Como em toda profissão os melhores recebem remunerações mais volumosas. Não dá para fugir da realidade de que os craques devem receber valores compatíveis ao que proporcionam tanto dentro, quanto fora de campo. Ronaldinho Gaúcho, Seedorf, Alex, Alexandre Pato e mais uns poucos ganham valores muito acima dos demais. Eles são referências mundiais, levam público ao estádio, vendem camisas, colocam clube na mídia etc…

O que fugiu de controle foi jogador mediano ganhando salários de 100, 200 mil reais. Sem talento, são comuns, não vendem camisas e muito menos atraem torcedores. Veja o caso de Cristiano Ronaldo no Real Madri: ganha milhões porque além de jogar demais, resolver em campo, dá retorno financeiro ao Real no mundo inteiro. Tenho certeza que passeando nas ruas de Xangai na China, de repente vai esbarrar com a camisa do craque português exposta em alguma vitrine de material esportivo.

Aqui no Brasil não é diferente, num padrão infinitamente menor, mas outro dia aqui em Curitiba deparei com um rapaz com a camisa do Seedorf que jogou até dezembro no Botafogo. Duvido que alguém encontrará a camisa de outro jogador do Botafogo por aí, muito menos em vitrines de lojas. Salários de 10 a 50 mil reais seriam valores excelentes e mais condizentes com o mundo real. Dá para catar empresários de sucesso que ganham estes valores em grandes empresas.

Vou citar outro exemplo: Flamengo divulgou que com as saídas do zagueiro Wellington (hoje no Coxa) e Carlos Eduardo a economia será de 550 mil reais. Estamos falando de mais de meio milhão de reais por mês. E não representaram absolutamente nada para o Mengão, muito menos à torcida. Os clubes não têm saída, botam o pé no breque ou vão se arrebentar de vez no muro das dívidas logo, logo. Será PT, perda total.