Quando a grandeza de um clube vem da torcida

Leia o post original por Luiz Nascimento

A Portuguesa já foi grande por times memoráveis, craques inesquecíveis, técnicos ilustres e homens de honra que a comandavam. Hoje a Lusa pode não ter nenhum ídolo em campo, um time modestíssimo e uma diretoria ridícula para o futebol atual. Porém, a torcida lusitana é a única que jamais deixou e nunca deixará a grandeza do clube minguar. O momento em que a Rubro-Verde deixou o campo em Joinville foi um dos mais memoráveis da história do clube, do futebol brasileiro, da resistência e do combate ao mafioso sistema que gere o tal esporte do povo. Um dos acontecimentos em que o verdadeiro torcedor luso mais sentiu orgulho de ser Portuguesa.

Com muito mais habilidade, perspicácia e vontade que grande parte da diretoria, um torcedor de arquibancada conseguiu uma liminar em São Paulo. Nosso patrício Renato Azevedo e nossa excelente torcedora/advogada Dra. Fátima De Lauri Ribeiro mantiveram a dignidade da Portuguesa de pé. A Confederação Brasileira de Futebol tinha pleno conhecimento da tutela antecipada, tanto que tentou uma reconsideração junto à juíza, assim como a Lusa sabia que uma ordem judicial restituía a vaga do clube na Série A.

Que a Portuguesa não deveria sequer ter entrado em campo é um fato. A cisão interna da diretoria, a pressão política sobre o presidente e a falta de pulso fizeram os jogadores darem o pontapé inicial na Série B. Porém, ao entrar no gramado, a Lusa pode ter deixado a CBF ainda mais encurralada. Pode-se ter feito o certo por linhas tortas. Simplesmente não há meios de a entidade máxima do futebol brasileiro e do tal tribunal de injustiça desportiva acusarem o clube de “abandono” ou “WO”. Há tempos querem um pretexto pra isso, mas não têm. Se não puniram após a ida à Justiça Comum, um dos motivos foi esse: não podem. Mesmo que não houvesse sequer viajado a Joinville o clube não poderia sofrer tais acusações. Afinal, estava amparado por uma decisão judicial válida e legítima. Indo a campo, então, muito menos. Será preciso atropelar de forma descarada e vergonhosa a legislação brasileira para punir a Portuguesa.

A torcida, como sempre, manteve a Lusa digna, grande, respeitada. A liminar pode cair a qualquer momento, podemos ser obrigados a jogar a Série B ou até ser desfiliados. Mesmo porque, se houvesse de fato justiça neste país que receberá a Copa do Mundo, a Portuguesa sequer estaria por isso. Mas nós, que sempre fomos tidos como pequenos, insignificantes e ignorados, mostramos quem realmente é a resistência em um dos mais sujos e vergonhosos sistemas que comandam o futebol no planeta. Somos poucos, mas amamos de verdade o clube que torcemos. Não temos mundos de dinheiro, influência nos bastidores e peixe grande que nos represente. Porém, temos dignidade. E se for pra morrer, que morramos assim: lutando!

Todos os clubes e todas as torcidas sabem o quão sujo é o meio futebolístico neste país. Não só no Brasil, mas é aqui que vivemos. Porém, poucos são os que não têm rabo preso e que têm coragem de enfrentar. A diretoria da Portuguesa, salvo raras exceções, também não é dessa frente de luta. Porém, nossa torcida foi e é. Sempre incomodamos dentro de campo. E agora incomodamos também fora dele. A “meia-dúzia que cabe numa Kombi” desmoralizou a tal Confederação Brasileira de Futebol. Aquela que, à exemplo da Fifa, sente-se no direito de se sobrepor à própria Constituição Federal. Afinal, o país que se acha melhor do mundo no futebol é uma várzea em termos de seriedade e justiça.

Um último ponto: é preciso ter frieza e sabedoria com relação à diretoria da Portuguesa. Esse fato, mais do que provar que A ou B são covardes, fracos e afins, prova o quanto a “pacificação” do clube está sendo prejudicial à Lusa. O corpo diretivo está rachado e o presidente Ilídio Lico encurralado. Ele pode não ser o homem do pulso firme, das decisões irrevogáveis e de bater de frente com tudo e todos. Pode fazer errado ao não querer se dar mal com ninguém, seja dentro ou fora do Canindé. Mas, ainda assim, Ilídio Lico é a única esperança de uma Lusa viva no futuro. E muitos acharão que estou louco. Porém, basta analisar com frieza. Se o presidente se afastar, Roberto dos Santos assume. Sim, o homem forte da gestão anterior. Da diretoria que proporcionou o “caso Héverton”. E em uma diretoria onde o racha é latente, ter no comando alguém que geria o futebol da Lusa na pior gestão da história é rumar para o fim. Ilídio Lico não é Deus, mas sem ele o Canindé pode virar um inferno ainda pior.

Obrigado, Renato Azevedo e Dra. Fátima De Lauri Ribeiro! Obrigado a todos os envolvidos! Escrevemos mais um capítulo digno e honrado na história do clube! A diretoria pode não ir, mas a torcida sempre vai à luta! Porque fazemos parte de uma grande família da qual muito podemos nos orgulhar! Força, Portuguesa!