Eliminar a liminar*

Leia o post original por Antero Greco

Os cristãos têm na Páscoa uma de suas datas mais emblemáticas. Trata-se da ressurreição do Cristo, do renascimento da fé na humanidade. Por isso, é data especial. Para quem professa outra fé, ou não segue qualquer tipo de religião, o domingo no mínimo significa pausa no trabalho, relax.

Para os que curtem futebol, eis um dia sagrado, para ver a bola rolar, seja no estádio, seja na telinha da tevê. Com início do Brasileiro, a expectativa tende a crescer. Tudo conspira para levantar o astral do torcedor, certo? Errado. A primeira rodada da Série A deve ser completada hoje – e coloco o verbo na condicional, porque não se pode afastar a hipótese de aparecer por aí uma liminar da Justiça que impeça esta ou aquela equipe de entrar em campo. Como ocorreu na sexta-feira com a Portuguesa e que cria o maior bafafá na Segundona.

A história tem pontas soltas, está mal contada. A Lusa jogou a toalha na briga desigual com a CBF e estava conformada a disputar a Série B. Tanto que embarcou para Santa Catarina para enfrentar o Joinville. Viajou ciente de que havia ação popular que a impedia de atuar antes de solução para o caso. Acuada, foi para o sacrifício.

Mal havia entrado em campo, precisou dar marcha à ré, pois veio contraordem do presidente Ilídio Lico, que ficou em São Paulo e recebeu voz de prisão por desrespeitar determinação judicial. Jogo suspenso, a CBF mostrou as garras e diz que a atitude pode relegar a Lusa para a Série D ou para o quinto dos infernos. Dá na mesma.

Episódio doido, que extrapola o esporte. Sobram perguntas: por que a Lusa aceitou pressão? De onde? Por que a CBF ignorou a liminar? Qual a intenção ao confirmar o jogo? Por que não optou pela sensatez de aguardar desdobramentos e, a partir daí, definir em qual divisão jogaria a Lusa?

Se houvesse escolhido postura conciliatória, a CBF evitaria o constrangimento, o confronto. Ou foi ato de presunção dos cartolas? E o que dizer para os torcedores, de ambas as agremiações, que foram ao estádio no feriado e se sentiram enganados? Onde vai o esforço dos jogadores? Outra: a corda romperá no lado da Lusa, outra vez?

Como interrogações estão soltas, reitero aqui uma dúvida: por que a direção da Lusa não vai fundo na missão de encontrar o traidor, se houve, que fez o suspenso Héverton entrar em campo, na última rodada da Série A de 2013, e desencadeou essa via crúcis? Se tem vilão na parada, que seja punido.

Quarteto. No meio de incertezas, os principais clubes do Estado batem ponto na Série A. Na história recente, Santos, São Paulo e Corinthians deram a volta olímpica e, de quebra, ganharam Libertadores. Palmeiras jejua desde 94.

Como haverá dois campeonatos – um, com nove rodadas, antes do Mundial, e outro com 29, no segundo semestre -, vira arriscado exercício de futurologia imaginar o destino deles. Mas, pela situação de hoje, na teoria não aparecem no bloco dos favoritos.

Começo pelo Palestra, que visita o Criciúma. Impecável na Série B e bem no Paulista até cair diante do Ituano, possui elenco tecnicamente limitado. Um time titular razoável, que gravita em torno do talentoso e frágil e Valdivia, porém sem opções significativas no banco. Incógnita.

O São Paulo recebe o Botafogo e a aposta de Muricy e diretoria está no desabrochar de Pato, fora a classe de Ganso (agora, vai?), e oportunismo do imprevisível Luis Fabiano. No papel, é bom, o que não diz muito. No ano passado, levou sufoco.

O Corinthians de Mano recompôs o meio-campo e refez a defesa, sem gastar muito. Espera não ser coadjuvante, como na temporada anterior, e o primeiro teste será fora de casa contra o embalado Atlético-MG.

O Santos hospeda o Sport e a esperança de Osvaldo de Oliveira está no bloco do meio para a frente. Equipe instável, que oscila entre goleadas e falta de prumo, como nas finais do estadual. Promete fortes emoções.

PS. Nem sei se esta crônica vale. Vai que uma liminar a suspenda…

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, domingo de Páscoa, dia 20/4/2014.)