Muricy muda características do setor de criação e São Paulo vence o Botafogo com facilidade; Vágner Mancini errou feio na escalação do Glorioso

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

São Paulo 3×0 Botafogo

O São Paulo venceu com muita facilidade.

O trio Boschilia, Ganso e Pato se movimentou bem, deu muito trabalho ao adversário e ditou o ritmo do jogo.

O Botafogo foi mal escalado, se levarmos em conta as características do time do Morumbi, no 1° tempo e cometeu vários erros na marcação.

Os piores foram na execução da linha de impedimento e o posicionamento do lado esquerdo.

A inquestionável vitória do São Paulo teve boa atuação de todos os titulares.

Pato foi o melhor em campo.

No Glorioso, destaco o goleiro Jefferson sem culpa nos gols e que evitou a goleada.

Muricy acertou e Mancini errou no 1° tempo

O sistema defensivo foi o ponto fraco do São Paulo desde o começo da temporada.

O Botafogo tinha que atacar o adversário, principalmente pelos lados.

Os laterais Douglas e Alvaro Pereira apoiam bastante e na marcação das jogadas aéreas o time de Muricy não foi consistente durante o campeonato estadual.  .

Pode ter evoluído após o período de treinamentos proporcionado pela eliminação diante do Penapolense, possui qualidade para tal, mas é impossível, agora, afirmar se realmente melhorou.

A proposta de jogo da equipe da estrela solitária não testou as fragilidades do rival.

Mancine escalou Jorge Vágner no meio de campo, como meia, aberto, na esquerda.

Queria aproveitar a boa qualidade dele nos lançamentos para o centroavante Ferreyra.

Mas Jorge Vágner precisa ter alguém para tabelar, pois não tem velocidade para vencer o duelo individual contra Douglas, seja ofensivo ou defensivo, ou aproveitar os espaço que deixa.

A equipe ficou dependente das passagens do lateral Julio Cesar. Matou a chance de contra-atacar daquele lado, necessidade indispensável para quem atua fora de casa e não marca a saída de bola sob pressão, tal qual optou.

Como Walysson pouco se movimentou e apenas Lodeiro se desdobrou para tentar receber a bola em condições de mantê-la no meio e articular a chance de gol, o meio-de-campo do São Paulo composto por atletas com boa qualidade no passe, ficou com ela e ditou o ritmo do jogo.

A entrada de Boschilia e Pato entre os titulares mudou a característica do setor de criação do time.

Com Osvaldo e Pabón, tem mais velocidade pelos lados, lances de linha de fundo e dribles, e menos inteligência, capacidade de manutenção de bola e técnica para trocar passes e dar assistências.

O mais interessante e até surpreendente das presenças de Boschilia, Pato e Ganso juntos, foi a movimentação deles.

Não lotearam espaços no campo.

Mudaram de lado vários vezes e confundiram a marcação do Botafogo, especialmente por causa da presença de Pato, o melhor em campo, que atuou na prática como meia-atacante.

Boschilia também cooperou.

Outro grande problema do Alvinegro foi a distância, acima da aceitável, entre as linhas do meio de campo e da defesa.

Ali Pato, Ganso e Boschilia fizeram a festa e tiraram proveito de outra dificuldade dos comandados de Mancini.

São Paulo aproveita a linha, ao pé da letra, burra

Pato quase fez 1×0 a tirar proveito da linha de impedimento mal preparada pelo Botafogo.

O lance difícil para o auxiliar, ele determinou que foi irregular e creio que acertou, teve também Jefferson, o destaque do Glorioso na partida, salvando em cima da linha e talvez fazendo pênalti.

Não vale polemizar aqui porque no fim das contas esta jogada não mudou as consequências daquilo que os times fizeram.

Importante é ressaltar que o Botafogo continuou cometendo o mesmo erro.

No gol de Antonio Carlos, aos 12, dois atletas botafoguenses ficaram parados, enquanto os outros saíram, após o rebote da defesa, para deixar os rivais impedidos.

Luis Fabiano recebeu livre e cruzou para o zagueiro, na raça, dividir e fazer 1×0.

Aos 21, de novo o Botafogo tentou, sem êxito, fazer a linha de impedimento,

Pato deu bela assistência, como aquelas que se espera de Ganso, e colocou Douglas na frente de Jefferson para ampliar a vantagem.

Até o fim do 1° tempo, o São Paulo mandou, com muita facilidade, no jogo, e explorou mais o lado esquerdo da defesa alvinegra, pois Jorge Vagner ficou perdido e Julio sobrecarregado.

Rogério Ceni não precisou fazer uma defesa.

Corrigiu

Mancini corrigiu os errou na volta do intervalo.

Substituiu Jorge Vagner por Bolatti para melhorar a marcação no meio e a saída de bola, e o sumido Wallyson por Zeballos.  Também pediu ao reserva para atuar nas costas de Douglas. Inverteu o lado em que seu único atacante de velocidade jogou.

Assim, conseguiu levar algum perigo pelos lados.

Mas àquela altura, o Botafogo  precisava sair de trás para buscar o empate.

Não tinha mais o importante trunfo de poder contra-atacar.

Ao contrário:

Teve que dar ao São Paulo várias oportunidades de contragolpear.

Luis Fabiano aproveitou

Aos 10 minutos, Pato, no contra-ataque, acertou outro bonito lançamento para Ganso.

O meia tocou para Luis Fabiano, livre, sem goleiro, marcar o terceiro gol.

O centroavante já tinha perdido uma grande chance poucos minutos antes.

Depois o São Paulo perdeu pegada no meio-campo e força no contragolpe.

O Botafogo cresceu e Lodeiro desperdiçou a melhor oportunidade.

Rogério Ceni fez difícil intervenção.

Muricy, aos 31, colocou os velozes Pabon, na direita, e Osvaldo, na esquerda, nos lugares de Pato e Boschilia, para ajudarem na marcação pelos lados e servirem de opções para os contra-ataques.

Na mesma hora Mancini, insatisfeito com o lateral Edilson, colocou Lucas.

As trocas devolveram a superioridade no confronto ao time de Muricy.

Pabón teve chances, nos contra-ataques, de ampliar e parou em Jefferson ou nos próprios erros de finalizações.

Justo

A vitória foi justa.

A arbitragem não definiu o destino dos 3 pontos.

Além do lance duvidoso de impedimento do Pato, houve outro, depois do intervalo, quando estava 3×0, muito parecido do centroavante Ferreira.

Acho que o bandeirinha acertou ao paralisá-los, mas, de qualquer maneira, se tivesse tomado outras decisões o também São Paulo venceria.

O único porém ficou por conta do entrevero de Luis Fabiano e Dória.

Na Inglaterra, em regra, os árbitros conversam com os atletas e não os pudem em jogadas desse tipo.

Aqui os sopradores costumam mostrar amarelo ou até exageram e expulsam os envolvidos.

Gosto mais do estilo do apito britânico, contudo minhas preferências são irrelevantes diante da necessidade de se adotar um padrão para tornar os critérios de disputa iguais em todos os jogos.

Como conheço o estilo nacional de arbitrar, acho que os atletas mereciam o amarelo.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Douglas, Rodrigo Caio, Antonio Carlos e Alvaro Pereira (Reinaldo); Souza, Maicon, Ganso Boschilia (Osvaldo) e Alexandre Pato (Pabón); Luis Fabiano
Técnico: Muricy Ramalho

Botafogo – Jefferson; Edilson (Lucas), Bolívar, Dória, Julio Cesar; Marcelo Mattos, Gabriel, Jorge Wagner (Bolatti), Lodeiro e Wallyson (Zeballo); Ferreyra
Técnico: Vagner Mancini.

Árbitro – Wilton Pereira Sampaio (GO)
Auxiliares – Guilherme Dias Camilo (MG) e Pablo Almeida da Costa (MG)
Público – 31.564 pagantes Renda – R$ 421.065,00