O inusitado, o polêmico e o claro!

Leia o post original por Gaciba

Na arbitragem costumamos dizer que o nível de concentração e a preparação prévia para o jogo são fatores decisivos para boas decisões no campo de jogo. Estar preparado para o que não acontece normalmente, inclui esta preparação. Há níveis de erros e acertos em decisões arbitrais. A primeira rodada do Brasileirão mostrou isso.

O INUSITADO 

O terceiro gol do Fluminense neste sábado na partida contra o Fluminense pegou muita gente desprevenida, inclusive a arbitragem. Veja o lance:

Primeiro o incontestável. Após a mudança da regra do jogo vale lembrar que, para fins de impedimento, tanto Rafael Sobis como o defensor do Figueirense que saíram do campo do jogo, sem autorização do árbitro e por um movimento natural da partida são considerados em cima da linha de fundo, independente de quanto saiam do gramado. Então, ele está em posição de impedimento na mesma linha do último defensor no momento da partida da bola. Por motivos óbvios do goleiro ser o último defensor 99% dos lances, quando acontece uma jogada assim, “esquecemos” de computá-lo. Neste caso, só há um defensor dando condições para Sobis.

Agora o mais difícil: Quem é a origem do passe para Sobis? Responda você! Falarei a regra e você monta sua opinião:

Há três opções possíveis:

1. A bola vem direta do zagueiro e não toca em Fred: O jogo segue normalmente pois não há impedimento quando a origem é um adversário.

2. O zagueiro corta a bola que bate em Fred e vai para Sobis: Impedimento pois a bola lançada ou tocada mesmo que sem intenção partiu de Fred, companheiro de Sobis.

3. Fred arrematou a bola no gol e o zagueiro desviou seu chute antes da bola ir para Sobis: Impedimento pois a bola foi rebotada no defensor e neste caso, este toque não habilita o atacante. Fred segue sendo a origem da jogada.

O POLÊMICO

Algumas jogadas acontecem de forma que despertam uma polêmica mesmo com a ajuda da computação. Conforme muito bem colocou o comentarista da partida, ninguém briga contra a imagem mas, e quem para o lance no momento exato do chute para o gol? Vejam esse gol do Santos na Vila e formem sua opinião. Mesma linha? Um pouco a frente?

Primeiro, tomamos o cuidado de ir até a súmula do jogo para termos certeza do fato: O gol foi de Gabriel (não de Geuvânio de fora da área). Ou seja, a arbitragem percebeu o toque de cabeça na jogada. No campo de jogo e na TV não há unanimidade. O próprio árbitro ficou em dúvida pois não tinha em seu campo visual o lateral que supostamente dava condição. Por este motivo foi consultar o auxiliar pois na sua convicção não sabia se o assistente havia visualizado o toque de cabeça de Gabriel. Na conversa o assistente informa que viu e assim mesmo interpretou que todos atletas do Santos estavam habilitados. Gol confirmado. E você, anularia ou confirmaria? Tenho certeza que, mesmo com todos recursos que temos não chegaremos a uma solução definitiva.

O CLARO

Já na partida entre Criciúma e Palmeiras aconteceu o lance mais nítido e não apitado da primeira rodada. Um pênalti duplo e claro não foi apitado a favor do Criciúma. Este é aquele tipo de lance que é unanimidade. Um erro que aconteceu por uma questão de colocação. O árbitro permite que entre ele e a jogada fique um jogador do Palmeiras e, com a visão encoberta não vê o contato faltoso e, para piorar as coisas o toque de mão deliberado. E como desgraça nunca vem sozinha, o Criciúma que vencia o jogo por 1×0 neste momento sofre a virada no final da partida em dois erros de posicionamento da defesa. Árbitro e sorte precisam andar juntos.

A RODADA DISCIPLINAR

A título de curiosidade, alguns números da primeira rodada. Em dez jogos nenhum jogador recebeu cartão vermelho (Bacana!) e 40 foram advertidos com cartão amarelo (média de 4 por jogo).

O total de faltas ficou em 345 (34,5 por jogo em média) com Flamengo e Goiás sendo a partida com o menor número de faltas (25) e Chapecoense e Coritiba o maior com um número abusivo e surpreendente de 52 faltas marcadas.

Um destaque negativo e preocupante da rodada foi a baixa média de gols anotados. Apenas 16 gols validados em 10 partidas com média de 1,6 por jogo. Cabe lembrar que a média histórico do Brasileirão desde 1971 é de 2,5 por jogo (Até hoje foram 41585 gols marcados em 16642 partidas disputadas). Contribuíram decisivamente os empates sem gols de Chapecoense e Coritiba, Atlético MG e Corinthians e Flamengo e Goiás. Pela primeira vez na era dos pontos corridos temos 3 empates sem gols na primeira rodada da competição.

Mas o número que mais me chocou foi o tempo de bola em jogo. Lembrando que a FIFA considera 60 minutos de bola em jogo como uma bandeira e 70 como um número mágico; NENHUM jogo de nosso campeonato propiciou 60 minutos de bola rolando para seus torcedores. Quem chegou mais perto foi a partida entre Bahia e Cruzeiro com 59 minutos e 08 segundos de “bola viva”. Já Flamengo e Goiás, mesmo tendo a partida com o menor número de faltas foi a que teve menor tempo de bola em jogo com apenas 46 minutos e 55 segundos. A coisa foi tão feia que este foi o único jogo em que o tempo de bola parada superou o de bola rolando 47 minutos e 14 segundos.

Em média, os torcedores viram APENAS 54 minutos e 30 segundos de bola rolando na primeira rodada! 

Temos que melhorar!