Parou pra quê?*

Leia o post original por Antero Greco

O sonho de todo técnico, aparentemente, é o de ter tempo para treinar o elenco, entrosar o grupo, aprimorar a parte tática e física, e assim por diante. Pelo menos essa conversa rola sempre que um time nega fogo em alguma competição. Pois o Corinthians passou quase um mês só na base dos ensaios – a última apresentação havia sido em 23 de março, no Paulista – e, na estreia no Brasileiro, não mostrou nada diferente, nenhuma surpresa, sequer uma jogada ensaiada.

O empate por 0 a 0 com o Atlético-MG, ontem à tarde, em Uberlândia, expôs a equipe previsível e sem ousadia do Estadual, no qual não superou a fase de classificação. O Corinthians não voltou para casa com a primeira derrota por falta de pontaria dos atleticanos e por boas defesas de Cássio. O contraponto ficou numa oportunidade de gol, uma só, da qual participou Guerrero, no segundo tempo, e que obrigou Vítor a desdobrar-se.

Se serve de consolo, o Galo mineiro não foi muito diferente. Estava com força máxima, com a base que disputa a Libertadores, e só acordou na etapa final, e ainda assim sem muita convicção. No campo, havia 11 jogadores; na prática, foram 10 a rebolar, para compensar a apatia de Ronaldinho. O gaúcho enrolou, ao ocupar um espaço de 20 metros, se tanto, e se limitou a distribuir bola com toquinhos aqui e ali. Ronaldinho teve recaída de evaporar…

Rarefeito também o futebol do Corinthians. Os nomes variam um pouco, em relação à temporada anterior, porém a lengalenga se repete com entediante fidelidade. A defesa se sustenta como dá, o meio-campo marcou e não criou, o ataque se dissipou como a neblina em final de manhã quente.

Chutes a gol, dribles, pressão, arrepios de emoção para a plateia? Nem pensar. Jogadas polêmicas, pelo menos, daquelas para provocar discussões de boteco? Imagina! O Corinthians parecia em fim de linha, na primeira rodada da Série A. “Estamos nos entrosando”, justificou Guerrero. Como assim?! E os 27 dias de treinos serviram para quê? Ah, certo, para desembocarem em falta de ritmo. Certo.

Regente Pato. O São Paulo também teve folga e soube aproveitá-la. Ganhou do Botafogo com um pé nas costas, como se dizia na época em que futebol não era ciência, mas diversão. O placar de 3 a 0 ficou abaixo da conta do que a turma de Muricy Ramalho apresentou. Vá lá que o rival carioca se comportou mais como catadão de fim de semana, o que não tira o mérito tricolor.

Mais do que os gols, a boa nova se concentrou no desempenho de Pato, Ganso e Luis Fabiano, que desequilibraram. Os dois últimos já são, digamos, velhos de casa. Pato procura ambientar-se, trata de mostrar serviço. E o fez com eficiência. O moço abriu espaço, bancou o garçom, jogou para a equipe, para o esquema. Nem gosto de elogiar muito, sobretudo em largada de campeonato. Também não vale ficar no muro. Jogou bem, merece aplauso. Tomara continue assim, como a maior parte do São Paulo.

Fortes emoções. Palmeiras e Santos colocarão à prova os nervos dos torcedores, para justificar previsões. A primeira mostra do que ambos podem oferecer veio no início da noite. O vice-campeão paulista, com uma sequência forte de compromissos – final do Estadual no domingo, Copa do Brasil durante a semana -, suou para empatar com o Sport, por 1 a 1, em casa. O ataque (leia-se Thiago e Damião) foi o ponto instável, mais uma vez.

Os palestrinos bateram o Criciúma por 2 a 1, de virada, mas devem creditar parte do sucesso à arbitragem de André Castro, que ignorou pênalti de Tiago Alves quando o time catarinense estava em vantagem. Kleina terá de mudar a escalação, e bem, para evitar derrapadas.

Adeus, Voz. Luciano do Valle foi um dos mais brilhantes narradores esportivos do país. Qualidades superaram em muito eventuais defeitos. Fica com Deus, companheiro.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, segunda-feira, 21/4/2014.)