CBF desenvolve sistema para evitar novos casos Lusa/Héverton

Leia o post original por blogdoboleiro

Depois do caso Héverton, a CBF estuda uma maneira de alertar os times antes das partidas sobre jogadores que tenham alguma ocorrência ou punição a tempo de evitar que eles entrem em campo. Este procedimento já é feito há, pelo menos duas temporadas. Mas o que aconteceu com a Portuguesa de Desportos mostrou que o sistema precisa ser aperfeiçoado.

Um especialista em tecnologia da informação, que já trabalha para a Federação Paulista de Futebol, foi cedido à Confederação Brasileira para que desenvolva uma plataforma mais eficaz. Ou seja, transformar a súmula eletrônica como ferramenta para evitar confusões e falhas.

Até agora, o esquema de alerta tem funcionado tanto na FPF quando na CBF seguindo estes procedmento: o tribunal (STJD ou TJD) comunica as penas decididas em julgamentos para um funcionário do departamento de competições. Ele insere no sistema as informações que constam das atas das sessões.

Antes dos jogos, o quarto árbitro recolhe as súmulas com os nomes dos jogadores titulares e reservas. O juiz coloca a lista no computador e o sistema informa se ele, por exemplo, tem que cumprir suspensão. Neste caso, o papel do 4º árbitro é de avisar o clube.

A decisão de colocar ou não um atleta denunciado no arquivo da CBF (ou FPF) passa a ser da agremiação. “Eles comunicam ao pessoal do time que há um impedimento, mas não têm o poder de barrar ninguém. É uma decisão do clube”, disse o diretor de arbitragem da FPF, Cel. Marcos Marinho.

Em São Paulo, este alerta tem funcionado, principalmente porque os julgamentos acontecem até quarta-feira. Para a CBF, a situação é mais complicada. O STJD tem sessões nas noites de sexta-feira. E aí, se torna impossível alguém do Superior Tribunal informar ao funcionário da Confederação que, pelo adiantado da hora, já foi embora. E o expediente na CBF só volta na segunda-feira.

Foi o que ocorreu no caso Héverton.

Na sexta-feira, dia 6 de dezembro de 2013, o jogador foi julgado pelo STJD e punido com dois jogos de suspensão por ter reclamado com o juiz na derrota da Lusa para o Bahia por 1 a 0, na 36ª rodada do Campeonato Brasileiro. O meia já tinha ficado de fora de uma partida diante da Pornte Preta. No dia 8 de dezembro, foi relacionado entre os reservas e acabou jogando contra o Grêmio na última rodada do Brasileiro.

Resultado: a Portuguesa, que tinha se livrado do rebaixamento, foi punida pela CBF com a perda de quatro pontos e mandada para a Série B. O clube reagiu na Justiça. Alega que a CBF tinha que ter avisado em seu site até no sábado para que soubesse da punição. Informalmente, o costume era confiar nos advogados, que representam os clubes no tribunal e avisavam das punições.

O que o presidentes da CBF, o atual José Maria Marin e o futuro Marco Polo Del Nero, querem é estabelecer um sistema onde o próprio STJD vai inserir as informações de penas dos atletas ainda na sexta-feira à noite. Assim, árbitros e clubes poderão se informar a tempo de evitar novas confusões.

Até hoje, não se sabe exatamente o que aconteceu. O advogado contratado pela Lusa, Oswaldo Sestário Filho, garante que informou por telefone ao vice jurídico Valdir Rocha. Este nega a informação. O Ministério Público de São Paulo está investigando o caso e já descobriu movimentações financeiras fora do comum envolvendo contas bancárias de 12 pessoas, todas relacionadas com clubes afetados no caso. Uma destas contas, aberta no Uruguai, há um depósito considerável de dinheiro que ainda não foi movimentado.