Madrid ganha do Bayern com nó tático de Ancelotti em Guardiola e grande atuação do sistema defensivo

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Real Madrid 1×0 Bayern de Munique

Ancelotti adaptou o Real Madrid ao estilo tiki-taka que Guardiola implementou no Bayern de Munique.

Ao invés preparar o gigante da capital da Espanha para impedir os bávaros de jogarem como gostam, permitiu aos alemães fazerem o que pretendiam, mas apenas até a página nove.

O treinador madridista tirou proveito daquilo que o adversário faz bem.

Posicionou o sistema defensivo com precisão e viu seus comandados cumprirem suas funções sem a bola de maneira digna de ser aplaudida.

O contra-ataque inteligente e bem executado, mesmo com Cristiano Ronaldo em campo sem ter se recuperado completamente da lesão, completou a fórmula da vitória.

Vamos aguardar até a próxima semana para ver se o time vai manter a consistência na marcação, missão complicada na casa do atual campeão da Uefa Champions League.

E aguardemos também as decisões de Guardiola no que diz respeito à escalação do Bayern de Munique.

Discordei de uma delas que comprometeu o desempenho dos bávaros.

A proposta de Ancelotti

Ancelotti armou o Real Madrid para se defender e contra-atacar, mesmo jogando no Santiago Bernabeu.

Deixou Bale na reserva e deslocou Di María para o lado direito do quarteto do meio-campo, que teve também Modric, Xabi Alonso e Isco.

O treinador italiano sabia que o Bayern de Munique marcaria a saída de bola,  ponto forte do time de Guardiola, e abriu mão de ver seus comandados tentarem sair de trás tocando a redonda.

Preferiu apostar no aumento da qualidade do passe no meio-de-campo e na dupla de ataque Cristiano Ronaldo e Benzema, que foi encarregada de aproveitar os lançamentos longos feitos pelos atletas do meio.

A tática que certamente seria criticada aqui no Brasil caso o resultado fosse ruim, pois a equipe da casa, milionária e talentosa preferiu deixar a bola com o adversário, mostrou a enorme perspicácia do comandante madridista.

Rafinha, Boateng, Dante e Alaba, os laterais e defensores do Bayern, formam uma linha de defesa mediana, que depende muito da marcação de quem está no meio-campo e no ataque para não expor suas fragilidades.

Além disso, Rafinha e Boateng apoiam bastante, pois o Bayern marca com quase todos atletas, ou com todos dependendo do momento, no campo de ataque.

Há bastante espaço atrás deles.

Bastava acertar o lançamento para Cristiano Ronaldo ou Benzema para ter boas chances de criar lances claros de gol.

Na primeira

O Bayern de Munique controlou as ações até os 18 minutos.

Ficou tocando a bola no ataque em busca de espaço no sistema defensivo madridista sem permitir que os merengues passassem a linha que divide o gramado com ela.

Na primeira vez que o Madrid conseguiu contragolpear, fez o gol.

Cristiano Ronaldo, que entrou em campo mesmo sem estar completamente recuperado da lesão,  tocou para Coentão.

O português da lateral esquerda cruzou rasteiro e Benzema, livre, balançou a rede.

O baile tático

O gol deu início ao baile tático.

Antes de acontecer, só os alemães jogaram futebol com a bola e o sistema defensivo preparado por Ancelotti trabalhava muito e de maneira competente.

Depois, o Madrid levou perigo mais vezes no contragolpe. O Bayern continuou no campo de ataque trocando passes e sem exigir intervenções de Casillas.

Aos 25, Cristiano Ronaldo perdeu uma chance daquelas que não costuma desperdiçar.

Di María, pouco antes do intervalo, também teve a oportunidade de ampliar a vantagem.

Os números explicam o que houve antes do período de descanso.

O Bayern teve 73% de posse de bola, perdeu por 1×0 e deve agradecer por não ter sofrido ao menos mais um gol.

Guardiola foi teimoso 

A inversão de lado do discreto Robben e do nulo Ribéry foi a única novidade de Guardiola desde o começo do 2° tempo.

Foi pouco para o Bayern achar espaços no sistema defensivo do Real Madrid.

Eu imaginava que Guardiola trocaria Rafinha por Javi Martinez e colocaria Lahm, volante ao lado de Schweinsteiger, na lateral direita.

Ele só fez isso aos 21 minutos.

Demorou muito.

Os merengues, por outro lado, continuaram precisos na parte defensiva e ainda conseguiram aumentar um pouco sua posse de bola no campo de ataque.

Guardiola, por isso, aos 26 tirou Ribéry, péssimo no jogo, e colocou Goetze.

Faltava o drible ao Bayern para abrir espaços no sistema defensivo do Madrid e Goetze poderia realizar aquilo que o treinador esperava do francês.

Logo depois, Schweinsteiger saiu e Muller entrou.

Trocas no Madrid

Pepe se machucou e, aos 28, deu lugar ao Varane.

O zagueiro titular jogou muito bem. Foi perfeito na cobertura e bola aérea.

Ele saiu quase junto de Cristiano Ronaldo, substituído por Bale para manter a força do contra-ataque na esquerda.

O galês, no Tottenham, atuou daquele lado para o centro, mas na Espanha joga na direita, pois a prioridade é do português.

Aos 35, Illarramendi ocupou a vaga do Isco.

Reclamou sem razão

O Bayern ameaçou Casillas, com um chute de fora da área de Muller, apenas aos 36.

Nos minutos finais, talvez por causa do cansaço dos defensores do Real madrid, a pressão alemã aumentou.

Aos 38, Goetze obrigou Casillas a realizar sua única intervenção difícil.

Aos 46, Muller pediu pênalti após perder a bola, na área, para Xabi Alonso. Guardiola também reclamou com o árbitro Howard Webb.

O lance foi legal.

O inglês acertou ao não soprar a infração.

Melhor em campo

Coentrão, Pepe, Xabi Alonso e Modric foram os melhores do jogo.

Voto no último, por causa da qualidade na marcação e passes, inclusive no lançamento que terminou com Cristiano Ronaldo perdendo o gol, destaque do confronto.

Eis as escalações dos times na vitória por 1×0.

Real Madrid – Casillas; Carvajal, Sergio Ramos, Pepe (Varane) e Coentrão; Di María, Modric, Xabi Alonso e Isco (Illarramendi); Cristiano Ronaldo (Bale) e Benzema
Técnico: Carlo Ancelotti.

Bayern de Munique – Neuer; Rafinha (Javi Martínez), Dante, Boateng e Alaba; Lahm, Schweinsteiger (Müller), Kroos, Robben e Ribéry (Götze); Mandzukic
Técnico: Pep Guardiola