Demissão de Autuori era necessária; proposta de jogo dos tempos de Cuca é a solução emergencial até a Copa do Mundo

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

O Atlético MG fez sucesso sob o comando de Cuca com um time, tal qual se diz no futebolês, que jogava muito na vertical.

Traduzindo: atuava em direção ao gol ao invés de se preocupar tanto com a manutenção de bola.

Os laterais apoiavam e o trio de criação do 4-2-3-1, no melhor momento do time, tinha Diego Tardelli e Bernard pelos lados, Ronaldinho entre eles e indo constantemente para a esquerda, e Jô na área para aproveitar o bombardeio de cruzamentos ou na entrada dela onde fazia o trabalho de pivô para seus companheiros tabelarem.

Tudo isso, repito, com a movimentação em direção ao gol.

O Atlético, jogando bem ou mal, era sempre ofensivo.

Quando Paulo Autuori foi contratado, comentei que não deveria mexer muito na forma de o time atuar.

Conheço o estilo do treinador demitido hoje.

Ele gosta de equipes que prendem mais a bola e cadenciam o jogo

Para fazer a transição na forma do Galo atuar e colocar em prática seu conceito de futebol, o técnico precisava de tempo.

Após os últimos trabalhos mal sucedidos e obrigado a carregar o peso de dirigir a equipe campeã da Libertadores, era óbvio que a paciência da torcida não seria grande.

E pior:

O elenco atleticano tem características para atuar como nos tempos de Cuca.

Concordo com Autuori que aprender a manter mais a bola seria interessante.

E discordo radicalmente da mudança de estilo proposta pelo treinador.

Autuori errou ao tentar implementar a mudança tática de maneira tão radical, ao invés de gradativamente, e forçada.

Deveria manter a forma de a equipe jogar e pedir, em alguns momentos, de acordo com as necessidades do confronto, mais toque de lado e paciência.

Saber tirar a velocidade do jogo, de fato é importante em alguns momentos.

O presidente Alexandre Kalil também errou.

Tinha que conversar com o técnico para saber o que ele pretendia fazer com o time do Atlético.

Caso tenha feito isso, errou ao achar que a mudança de estilo geraria bom futebol rapidamente.

A demissão de Autuori era necessária.

Será uma correção de rumos caso o substituto se adapte às características do elenco.

Além disso, o Galo, com Autuori, tinha muita chance de ser eliminado da Libertadores já nesta fase.

A chegada de um novo comandante, se for competente, pode mudar o cenário,

O futuro técnico não tem nada para inventar logo de cara.

Precisa repetir a proposta de jogo dos tempos do Cuca, pois a equipe está acostumada a atuar daquela forma e não deve sofrer com a mudança.

E se conseguir a classificação nas oitavas e quartas-de-final da Libertadores, aproveitar, depois, o período de paralisação para trabalhar o time como prefere.

Lógico que nada disso vai funcionar com Ronaldinho e Diego Tardelli em mau momento técnico, tal qual vem acontecendo nesta temporada.