Palmeiras, 100 Anos de Academia

Leia o post original por Mauro Beting

Por ora, uso as palavras de Leandro Beguoci, que formou na linha atacante de raça com Marcelo Mendez, Fabio Chiorino e Gino Bardelli. Time que reportou, redatou, produziu e vai lançar comigo PALMEIRAS, 100 ANOS DE ACADEMIA, pela Magma Editora.

Convite (convocação!) do Palmeiras e da editora para que eu assinasse o livro oficial do centenário, feito em outubro passado.

Livro de 350 páginas que não é chapa branca. Apenas alviverde.

Vai sair em breve.

Conta os 100 anos de clube, sobretudo do futebol palestrino e palmeirense.

Mostramos mais detalhadamente 50 ídolos de campo e banco. Falamos um pouco mais de 25 jogos pra sempre. Abrimos espaço para mais de 20 textos de colaboradores selecionados no concurso feito pelo site oficial do clube. Temos mais uma penca de textos de ilustres palmeirenses, palmeirenses ilustres. Todos juntos misturados.

Pois é assim que a gente se desentende como Palestra.

O projeto gráfico é de outro mito palestrino que fiz questão de trabalhar com a gente. Gustavo Piqueira. Autor do melhor livro a respeito do clube. Ou do torcedor do clube. De qualquer clube. “Coadjuvantes”. Leia já!

Mas como o Palmeiras não é um clube qualquer, o trabalho de Piqueira com as letras e fotos e artes e diagramação e o que tal é digno dos 100 anos do clube.

cem anos livro palmeiras magma capa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A capa é essa.

O livro, em questão de semanas.

O Beguoci fala melhor por aqui o prazer que foi fazer. O dever que é ser alviverde:

 

FALA, BEGUOCI:

“Minha relação com o Palmeiras sempre passa por algum dia muito frio. Eu era muito pequeno quando o Evair fez um gol, meu pai me pegou no colo, jogou para o alto… Claro, eu virei palmeirense ali. Não podia ter nada mais legal na vida de uma criança do que ser arremessado para o alto depois de um golaço. E estava frio pra cacete. O primeiro título também foi numa tarde gelada em Caieiras, em 1993, na qual eu fiquei rouco por causa do frio – e porque minhas cordas vocais foram destruídas no quarto gol (e nunca mais se recuperaram e assim acabaram as minhas chances de ser vocalista de qualquer coisa na vida -até como cantor de bingo). Na Libertadores de 1999, eu usava todas as camisas do Palmeiras sobre o corpo, ao mesmo tempo, um pouco por superstição, um tanto porque estava gelado. Na Copa do Brasil de 2012, congelei com os amigos em Curitiba, andando pela cidade aleatoriamente, procurando um lugar para comer, enquanto as mãos ficavam mais travadas do que um chute do Luan. E quando o Mauro Beting Parte I me ligou, fazendo o convite para ser parte do livro do centenário, amigos… Que dia frio. E que felicidade gigantesca.
Pode ser só associação livre, coincidência, o que for. Provavelmente é. Eu prefiro acreditar que as melhores coisas que vivi com o Palmeiras foram em dias frios porque esse clube é tão quente, tão intenso, tão cheio de vida, que, se as coisas não acontecessem em dias frios, meu amigo… Eu teria infartado com 10 anos de idade lá em 1993. Ataque cardíaco fulminante de felicidade.
Esse livro, que nasceu com o talento do Mauro, do Fabio Chiorino, doMarcelo Mendez, do Gino José Bardelli Junior, foi uma oportunidade maravilhosa de pensar no Palmeiras não só como um time de futebol. O Palmeiras é uma forma de ver a vida. Quando você torce para o Palmeiras, faz um pacto inesgotável com a incerteza. Você sabe que a vida nunca vai ser injusta a seu favor. Está acostumado a viver felicidades improváveis e tristezas categóricas. Por isso mesmo sabe que pode perder para o Goiás rebaixado na Sulamericana e vencer a Copa do Brasil com gol do Betinho.Ser palmeirense é escalar o melhor, e o pior, Palmeiras de todos os tempos – com o mesmo prazer. Ser palmeirense é ver conexões estranhas entre clima e momentos inesquecíveis. Porque, afinal, a gente está sempre esperando alguma coisa inexplicável acontecer – do jejum de títulos às Academias de Futebol, dos rebaixamentos aos esquadrões dos anos 90, da contratação improvável de Evair e Ademir da Guia à expectativa absurda (e errada) de que esse menino que veio do Paraná vai ser o novo Leivinha. A gente vive a vida com uma intensidade tão grande que fazemos questão de amplificar esse sentimento com cornetas do tamanho do mundo.
Ainda bem que as coisas acontecem nos dias frios. Porque senão, amigos, o Palestra Italia teria de ter patrocínio master infinito do Instituto do Coração. É o time com um coração do tamanho do mundo – e esse coração precisa de pouca coisa para acelerar. Como o convite para um livro maravilhoso e inesquecível, por exemplo.
Valeu, amigos. Sempre!”

 

Valeu, Palmeiras.