Além do Kardec

Leia o post original por Mauro Beting

Triste para o palmeirense é perder Alan Kardec. Triste é ficar ainda mais triste por perder Alan Kardec.

É o que temos nestes tempos.

Luís Fabiano não fica no São Paulo em 2015. Melhor apostar Muricy em centroavante que aprendeu com ele no Santos a ser meia-atacante. Jogador inteligente que deixou de ser apenas ótimo cabeceador para melhorar técnica e taticamente. Bom e caro reforço para o São Paulo. Ótimo negócio para reforçar a imagem do novo presidente tricolor. E desgastar a direção palmeirense. E desagradar ainda mais o exigente e carente palestrino.

No ano do centenário, Brunoro, o Palmeiras precisa ser campeão. Como nos outros 99. E nos próximos 1000. Ao menos precisa pensar em ser. Planejar ser. Investir ser. É assim que ele se fez campeão do século XX. É assim que ele está se desfazendo neste século.

Louvável ter o pé no chão sem o dinheiro torrado em outras gestões. Louvável botar do próprio cofre dinheiro que não tem no clube. Compreensível não se queimar com gente que ainda manda e desmanda. Lamentável não ter dinheiro, logo, razão.

Há como entender o negócio Barcos. Duro é explicar aos filhos o porquê do pirata largar o barco.

Há como compreender não pagar tanto por Alan Kardec. Mas não tanto agora querer pagar mais quando havia como não gastar tudo e tanto. E, agora, com a investida rival, gastar o que não tem.

Mas como explicar aos filhos que o novo ídolo vai ser atleta do rival?

O camisa 14. Do ano do centenário.

Vai chegar um dia em que talvez tenhamos que torcer para que o centroavante não faça tantos gols pelo nosso time para evitar que no 13o mês ele seja comprado por um rival.

Para onde vai Alan Kardec já se imagina. Para onde vai o Palmeiras já desanima.

Não sei se vale a pena o São Paulo gastar tanto.
Mas sei que o desgaste do Palmeiras é enorme com torcedor. Mercado. Rivais. Futebol. História.

Pensou pequeno. Jogou pequeno.

P.S: Reiterando. Respeito demais a pessoa e cada vez mais gosto do atleta. Gente ótima e cada vez melhor jogador.

Mas, quando tanto se briga e se paga por alguém, eleva-se a expectativa além da realidade. No caso, ganhe quem vencer a disputa, vai pagar muito além do recomendável.

É como se me oferecessem um salário astronômico para fazer o que faço.