Até Murtosa está no lugar do ingênuo Muricy, escalado pelo novo “Getúlio Vargas do Sul”

Leia o post original por Milton Neves

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Não te avisei, Muricy?

Era moleza ser técnico da seleção brasileira após a demissão de Dunga.

Além de grande glória e eterna honra.

Copa em casa, nada das desgastantes e longas eliminatórias, fama mundial e instantânea, salário fantástico, protagonista das mais importantes e milionárias campanhas publicitárias e a enorme e raríssima chance de virar Feola, Aymoré, Zagallo, Parreira e Felipão.

Mas, não, você preferiu a instável bobagem da pequenez chamada Fluminense, em comparação com o topo da montanha que é a nossa seleção, a dona da casa e a mais importante dentre todas.

Você preferiu ouvir sua péssima “desassessoria”.

Foi lamentável para a sua história.

“Desesperado” por antes saber tudo do óbvio que escrevo acima, “berrei” em meus espaços da internet e em cinco rádios do Grupo Bandeirantes, por 21 colunas, ao vivo, para que você aceitasse o convite de Ricardo Teixeira e assumisse o cargo mais nobre que há para treinadores de futebol.

Foi no período de horas em que, de forma inacreditável, o Brasil passou a sentir que você refugava, hesitava.

Até liguei três vezes em seu celular, lembra?

Sim, deu “caixa”, o mundo estava atrás de você!

E nas três ligações, “berrei” de novo: “deixa de ser burro, o cavalo está aí arriado diante de sua casa e é só trepar”, ponderei.

E o verbo “trepar” , para nós do Sul de Minas, é só usado sempre no sentido de quem está andando a cavalo, em cima de muro para moleque chupar manga na horta do vizinho ou subir em pés de jabuticaba, ameixa ou abacate.

Não adiantou, você pipocou, não teve visão e preferiu ouvir sua “desassessoria”.

A ponto que recebi nervoso e até irado telefonema do jornalista, publicitário, assessor de imprensa e “conselheiro” de Muricy, Olivério Júnior.

“Fica quieto aí, você não sabe de nada, o Ricardo Teixeira convidou, falou, falou e falou, mas nada disse `para nós´ (!?!?!) quanto seria o que Muricy ganharia por mês”, afirmou, mais do que ríspido, em raciocínio tacanho na forma do suprassumo da simploriedade.

Não adiantou ponderar que seleção brasileira você assume até de graça, mas que o salário nunca seria menor do que Muricy recebia do Fluminense.

E que, só de publicidade em quatro anos, sobretudo no quarto e último ano, ele ganharia o que não ganhou a vida inteira como técnico e jogador.

E não me venham ainda com a ladainha de que o ético Muricy não rompe contrato, porque antiético é ser convocado pelo Brasil e desertar, no exército ou na seleção brasileira.

Azar de Muricy, sorte da seleção e sorte de Felipão a quem defini mil vezes como “superado” e “ex-técnico em atividade”, enquanto enterrava o Palmeiras.

Foi outro erro meu, mas o de Muricy foi muito maior.

E Felipão está acertando tanto que a pálida experiência de Mano Menezes (flanelinha de Felipão?) já foi esquecida, o gauchão pegou a fase do filé mignon, ganhou a Copa das Confederações e acabou até limpando a barra de José Maria Marin em uns 46,27% de sua imagem.

E a coisa deu tão certo que os filmes publicitários e milionários que Muricy estrelaria acabaram por revelar o ator Felipão, o “Antônio Fagundes da bola”.

Incrível, mas o turrão do Rio Grande está simplesmente ótimo na publicidade da TV escalando, além de seus 23 jogadores, até a simpática dona Olga e o Murtosa, que é a cara do inesquecível “Baixinho da Kaiser”.

Sim, até o grande Murtosa, o sujeito mais “largo” do mundo que mais parece filho de político: está sempre bem colocado.

Também, com “um presidente desses…”.

Parece até que o gaúcho Getúlio Vargas voltou.