O Vasco precisa de liderança

Leia o post original por Bruno Maia

A diretoria do Vasco segue na mesma toada desde o início da gestão Dinamite: apática em momentos de crise. Não é só na crise. A falta de gás, de ânimo, de motivação é a marca do “excesso de austeridade” que o discurso deles impõe. O futebol exige liderança e isso tem faltado ao clube, é indiscutível. Querer a estabilidade que o profissionalismo exige só é possível quando ele é praticado na verdade. Isso não acontece nas mãos da atual diretoria. Se não tem dinheiro em caixa, não vai conseguir ser profissional. É papinho, utopia. Estamos numa (eterna) transição, ok, mas enquanto isso é preciso ter sangue nos olhos, disposição, firmeza. Se não há condições para ser 100% profissional, ânimo, brio e liderança são o mínimo exigido. O atual presidente só é visto para comandar choros e reclamações, mas nunca é visto se posicionando para exigir mudanças, seja dentro, ou fora do clube. Vir a público dizer o que exige de seus comandados, de quem contrata, qual o planejamento que tem para o ano, quais os resultados que quer das categorias de base. A única vez que Dinamite assumiu alguma posição nesses seis anos foi em 2012, quando começou a interferir no trabalho do grupo de executivos que tinha reerguido o Vasco entre 2010 e 2011. Resultado: perdeu toda a cúpula do futebol, o time despencou do G4 onde estava há mais de 50 rodadas, perdeu quase todos os jogadores do elenco, ficou sem goleiro e foi rebaixado em 2013. Parafraseando Romário, Dinamite no pôster de 1974 é um poeta. Só é importante dizer que o ex-deputado que pleiteia voltar, nem isso é. Melhores dias exigem novos nomes.

Depois do que vimos hoje em Cuiabá, a primeira coisa que me ocorreu foi que durante a semana, a frouxidão vai continuar a imperar. Não é jogar para a câmera, fazer discursos vazios, se mostrar irritadiço. É mexer de fato, é tomar a frente deste momento, chamar a responsabilidade pra si, apontar rumos. Sim, porque se é com esse time que a gente vai, algo tem que ser feito para reverter imediatamente o estado de apatia que viu-se na Arena Pantanal.

O Vasco não tem o direito à crise pós-roubo. Quando entrei aqui, em um dos meus primeiros posts, falei sobre as consequências de um erro de arbitragem como o que tirou o título do Carioca de São Januário. Apontei o abalo de confiança e perda de rumo nas semanas seguintes como uma das coisas mais corriqueiras a acontecer nessa situação. Tá aí. Essas crises muitas vezes derrubam treinadores, faz com que jogadores percam o rumo e se desvalorizem (afetando o patrimônio do clube), a torcida se revolte… Tudo somado tende a ser catastrófico. Por isso tudo, acho que antes de falar dos jogadores, é preciso colocar na reta quem conduz o clube. Quem contrata jogador ruim tem mais culpa do que esses caras que não sabem jogar futebol. Difícil resistir à tentação de atacar o elenco fraco, mas o fato é que o principal problema não são os jogadores. Esse é um capítulo repetido, já vimos diversas vezes. Pôr todo o foco nos caras é atirar no nosso pé. De qualquer forma, preciso falar do que a gente assistiu hoje em campo.

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Ok, o time que entrou na Arena Pantanal hoje era mambembe. Se ainda acredito que com o time titular podemos atravessar com tranquilidade a volta à elite, fico chocado em ver que com o time reserva corremos o risco de cair. É muita discrepância entre uma coisa e outra, o que revela a fragilidade do elenco. Como está ficando claro que não temos alternativas óbvias, precisamos testar a nossa base para saber o que dá pra aproveitar dali. Hoje, a boa entrada do Yago confirmou isso.

Como disse, o Vasco não tem direito à crise pós-roubo. Na fase final do estadual, a fraqueza técnica do time vinha sendo compensada pela aplicação tática. No segundo jogo contra os coloridinhos das Laranjeiras, isso ficou evidente. Em pouco tempo, tudo desandou bruscamente. O bumba-meu-boi que vimos no segundo tempo de hoje – chegando ao ponto de Yago ter que dar um pique de 80 metros para salvar o que seria o terceiro gol do time de nome esquisito – não comoveu o Adílson. É cada vez mais inexplicável o porquê de tanta resistência em fazer mudanças táticas durante o jogo. Com a saída do Éverton Costa, que costumava ser a principal arma na transição meio-campo>>ataque, o time passou a depender de Douglas, que pouco apresentou até aqui. Hoje, ele foi uma nulidade. Vendo pela TV, Juninho Pernambucano sugeria a entrada do Dakson na posição. Difícil confiar que seja essa a solução dos nossos problemas, mas um teste precisa ser feito. Douglas não tem conseguido dar conta.

Fellipe Bastos e Aranda formam uma dupla de volantes que nem protegem, nem organizam, nem atacam. A quantidade de vezes que sofremos contra-ataques que prometiam ser fulminantes hoje foi ridícula. A coisa só não era pior porque o craque do time de nome estranho era o Misael!!! Vocês lembram dele?!?! MI-SA-EL!! Aquela coisa horrorosa que passou por São Januário em 2011, bagunçou a retarguada vascaína. Quando Diogo Silva pegava a bola pra repô-la em jogo, nunca achava alternativas. O meio-campo confuso, o time desorganizado e a falta de perspectiva foram constantes. Depois do gol, a coisa ameaçou melhorar, mas faltou um Bernardo ali. Faltou alguém pra gritar, para levantar o time, para mexer com ânimo de um grupo abatido. De novo, faltou liderança. Tanto é que passou pouco tempo e a morosidade logo voltou a ser a tônica. Não havia qualquer sopro de que esperança para o torcedor, a não ser outro golpe de sorte como o tiro de Yago.

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O Vasco vai subir. Não acho que jogar tudo pelo ar agora é a melhor saída. Não é. A liderança que exige-se dessa diretoria é apontar um rumo para o clube. Vamos continuar dependendo de jogadores emprestados por empresários, que não trataram o Vasco como prioridade e por não conseguir colocar seus atletas em outros clubes, agora aparecem sorrindo? Vamos exigir um melhor aproveitamento das categorias de base? Independente do que eu ache, é fundamental que a diretoria ache alguma coisa. Deixe claro qual é o rumo do clube, do time, para poderem ser cobrados claramente depois. Nunca se comprometer não combina com liderar, muito menos um clube do tamanho do Vasco. O clube precisa de novas lideranças.