Paulo Nobre errou no caso de Alan Kardec

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

O erro de Paulo Nobre

Paulo Nobre tem recebido críticas positivas e negativas.

Faço parte da turma que aprova, até o momento, o trabalho dele.

Todas as decisões do presidente levaram em conta a complicada situação financeira do clube.

O Palmeiras só voltará a concorrer de igual para igual com seus maiores rivais quando puder fazê-lo primeiro fora de campo, na hora de formar o elenco de atletas e a comissão técnica.

Estou falando de grana.

O dinheiro costuma ser a prioridade da maioria dos advogados, engenheiros, jornalistas, atores, chapeiros, metalúrgicos, moto-boys e também de quem dribla, cabeceia e toca a bola.

Há exceções, claro.

As decisões de Nobre no caso de Alan Kardec também sofreram enorme influência da impopular e necessária política econômica adotada na gestão do futebol.

Mas talvez tenham sido o maior erro dele desde quando assumiu o cargo.

Devia ter encarado a situação de maneira especial.

O estafe do atacante chegou a aceitar a proposta de Brunoro depois de passarem mais de um trimestre negociando.

A interferência do presidente no intuito de economizar R$20 mil por mês em relação ao que havia sido combinado de boca terá um preço muito alto.

Era óbvio que haveria concorrência.

O São Paulo ofereceu contrato mais vantajoso.

Corinthians, Santos e Grêmio também mostraram interesse.

A barganha só podia ter duas consequências.

Ou o Alviverde gastaria milhões a mais do que teria feito há três semanas para mantê-lo, ou o principal jogador da equipe sairia, tal qual aconteceu.

Kardec era o melhor do Palmeiras nas finalizações pelo chão e por cima.

O esquema tático de Kleina desmorona sem ele.

O meio de campo fica órfão do auxílio do pivô de qualidade e boa movimentação, o que dificulta as tabelas e aproximação da área do adversário, e o sistema defensivo perde o centroavante disposto até a marcar o lateral.

No Brasil, não há ninguém atuando na posição capaz de executar todas essas funções no mesmo nível.

Complemento

O texto deste post é a reprodução de minha coluna de sábado, no Lance.

Mudei os tempos verbais porque Paulo Nobre deu entrevista coletiva e confirmou que foi avisado, sábado, pelo jogador que iria atuar no São Paulo, tal qual noticiei naquela noite.

Entendo a política de Nobre na gestão do futebol e, repito, concordo com ela.

Achei que deveria abrir uma exceção porque a presença de Alan Kardec fortalecia o time e podia valorizar, dependendo dos resultados, os outros jogadores.

Além disso, será difícil contratar alguém com a mesma qualidade pagando os R$220 mil mensais que teriam garantido a permanência do atacante no clube.

Paulo Nobre, quando negocia com profissionais que não têm propostas  de outros gigantes do futebol brasileiro como o Palmeiras, pode estender as conversas para conseguir o melhor valor possível.

Mas se o atleta é cobiçado por outras agremiações do mesmo porte, o presidente precisa mudar a estratégia.

Tenho a impressão que não levou isso em conta.