Vareio em Munique garante Real Madrid na final; de novo Ancelotti deu um baile tático em Guardiola

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Bayern de Munique 0×4 Real Madrid

De novo Ancelotti deu um nó tático em Guardiola.

O Real Madrid no 1° tempo anulou as virtudes ofensivas do Bayern de Munique e aproveito as duas maiores dificuldades dos alemães na marcação para garantir a classificação com extrema tranquilidade.

Depois do intervalo, os madridistas diminuíram o ritmo, se preocuparam mais em defender e fazer o tempo passar quando estavam com a bola, do que em fazer mais gols.

Mesmo assim, Cristiano Ronaldo, quase no fim, ampliou a vantagem.

Nas batalhas técnica, tática, psicológica e física que acontecem no jogo de futebol, o Real Madrid levou enorme vantagem na três primeiras.

O torcedor do Bayern, em nenhum momento, teve a impressão que seus representantes em campo ganhariam.

Mais da metade dos jogadores do time de Ancelotti atuou em alto nível.

Na parte individual, não destaco ninguém do Bayern de Munique.

Poderia fazer uma lista de críticas negativas sobre o desempenho deles no jogo de hoje.

Resultado justo.

O abuso de Guardiola

Entendo quando Guardiola, diante de times sem grande potencial ofensivo, escala Rafinha na lateral-direita e Lahm no meio de campo.

Ele aumenta a velocidade do sistema ofensivo e não corre muitos riscos porque o adversário não vai atacá-lo daquele lado.

Diante do Real Madrid, com Cristiano Ronaldo, que normalmente atua naquela região do campo, e Bale, ambos muito competentes nos contragolpes, a opção é um erro.

Não seria caso o Bayern de Munique optasse por iniciar o trabalho defensivo no meio de campo, pois a velocidade de Lahn seria usada, antes de tudo, para proteger Rafinha.

Como o ‘Guardiolismo’ exige marcação na saída de jogo do adversário, em regra com todos jogadores no campo de ataque, isso não acontece.

O treinador acertou ao deixar Rafinha reserva, escalar Lahm na sua posição original, e colocar Muller para formar o quarteto que joga mais adiantado com Robber, Ribéry e Mandzukic.

Era necessário reforçar o setor de criação.

Porém, ao utilizar Schweinsteiger e Kross como volantes, ambos com qualidade no trato de bola e bom arremate de média e longa distância, o treinador abusou.

Sem um grande volante de marcação protegendo Boateng e Dante, dupla de zaga apenas razoável, e o lateral-esquerdo Alaba, era óbvio que o time sempre correria risco de sofrer o gol.

Poderia ter começado com Javi Martinéz no lugar de um deles e o time ficaria mais equilibrado.

Sem pressão

O Bayern de Munique, tal qual o mundo sabia, iniciou o jogo tentando pressionar a saída de bola madridista.

Não obteve o sucesso necessário.

O Real Madrid, mesmo com menos posse de bola, controlou o jogo.

Casillas passou o 1° tempo sem trabalhar.

E pôde comemorar a atuação irrepreensível de seus companheiros.

Real Madrid italiano

A atuação do Real Madrid de Carlo Ancelotti lembrou a das grandes equipes italianas no período em que o futebol do ‘calcio’ era o melhor do mundo e tinha o campeonato nacional mais atraente do planeta.

O 4-4-2 que não deixa espaços para o adversário entrar na área com a bola ou contra-atacar sem abrir mão do passe de qualidade no meio, com o contragolpe em altíssimo nível e, claro, perfeito na jogada aérea.

Di María, aberto, na esquerda, e Bale na direita, com Xabi Alonso e Modric entre eles, formaram o meio de campo que impediu o campeão da Uefa Champions League anterior de pressionar.

Os laterais Carbajal e Coentrão, assim como os zagueiros Pepe, Sergio Ramos, nunca tiveram, pelo chão, duelos individuais sem a devida cobertura.

Quando o Madrid recuperou a bola, partiu em velocidade, com inteligência, nos contra-ataque.

Vareio

Aos 16, Sergio Ramos aproveitou a confusão dos defensores do Bayern e, de cabeça, fez 1×0.

Os bávaros, irritados porque de novo, como aconteceu no Santiago Bernabeu, não conseguiam furar o bloqueio defensivo madridista, ficaram ainda mais tensos após o gol.

O efeito psicológico da vantagem no time de Ancelotti foi exatamente oposto.

O time cresceu ainda mais.

Aos 20, de novo Sergio Ramos, de cabeça, balançou a rede.

O Barcelona de Guardiola também tinha dificuldade na bola aérea defensiva.

Talvez esta seja o ponto fraco dos trabalhos do treinador.

O terceiro gol aconteceu no contra-ataque.

Bale arrancou com a bola e deixou Cristiano Ronaldo de frente para Neuer.

O português fez 3×0 e passou a ser o maior artilheiro de uma edição do principal torneio europeu de clubes.

Protocolar

O volante Javi Martinez voltou do intervalo no lugar do centroavante Mandzukic.

Muller passou a executar a função do falso centroavante.

O Bayern deixou de ter sempre o mesmo atleta como referência na área do adversário e contou com um jogador no meio acostumado a marcar, tal qual era necessário desde o começo do jogo.

Martinez ficou perto dos zagueiros, enquanto Lahm e Alaba tiveram mais liberdade para avançar.

Não é possível saber se a presença do volante teria mudado o rumo do jogo.

O Madrid pouco testou o Bayern depois do intervalo.

Se preocupou mais em defender e trocar passes para gastar o tempo.

Cumpriu o protocolo.

Os alemães tiveram algumas chances de fazer o gol, mas falharam nas finalizações.

Independentemente das opções de Guardiola, os atletas do Bayern, na parte técnica, não foram bem, enquanto os do finalista, como Sergio Ramos, Pepe, Xabi Alonso, Di María, Modric, Bale e Cristiano Ronaldo tiveram atuações ótimas.

No fim, aos 43, de falta, fez outro e garantiu a goleada em plena Allianz Arena.

Madrid lamenta

Xabi Alonso levou o cartão amarelo que o suspende da final em Lisboa.

Ele é o principal marcador do time n o meio de campo, além de ajudar na saída de bola.

De qualquer maneira, seja contra o Chelsea ou diante do Atlético de Madri, a agremiação mais vezes campeã no velho continente entrará no gramado do Estádio da Luz com time tecnicamente superior ao do outro postulante ao título.

Times

Bayern de Munique – Neuer; Lahm, Boateng, Dante e Alaba; Schweinsteiger e Kroos; Robben, Muller (Pizarro,) e Ribéry (Götze); Mandzukic  (Javi Martínez)
Técnico: Pep Guardiola

Real Madrid – Casillas; Carvajal, Sergio Ramos (Varane), Pepe e Coentrão; Xabi Alonso, Modric, Di María (Casemiro) e Bale; Cristiano Ronaldo e Benzema (Isco)
Técnico: Carlo Ancelotti