Cartolas estão em alerta após investigação da PF citar sócio de Del Nero

Leia o post original por Perrone

A cartolagem do futebol brasileiro acompanha com atenção o desenrolar das investigações da Polícia Federal sobre o suposto envolvimento de parlamentares do PT com o doleiro Alberto Youssef, preso sob acusação de lavagem de dinheiro.

O sinal de alerta foi ligado porque relatórios da PF citam contato que o doleiro teria tido com o deputado petista Vicente Cândido, sócio de Marco Polo Del Nero, conforme mostraram a revista “Veja”e o jornal “Folha de S.Paulo”.

Segundo a “Folha“, relatório da PF mostra uma declaração de Youssef afirmando que, a seu pedido, um executivo esteve com Cândido, em São Bernardo, em busca de recursos, mas não obteve sucesso. Ao jornal, Cândido disse ter conhecido o doleiro numa viagem a Cuba.Porém, não se lembra de ter encontrado um emissário dele no ABC.

Os cartolas que demonstram estarem mais atentos ao caso são os que não fazem parte das cúpulas da CBF e da FPF. Eles acompanham os desdobramentos das investigações de olho nos efeitos que elas podem provocar no alto comando do futebol brasileiro.

O caso já fez um deputado, André Vargas, pedir licença por 60 dias, reunciar à vice-presidência da Câmara e se desfiliar do PT. Se Cândido sair chamuscado, Del Nero, seu sócio num escritório de advocacia, perde um quadro no Congresso Nacional. O deputado despontou como um dos principais defensores dos clubes em Brasília, o que ajudou Del Nero, eleito para presidir a CBF a partir do ano que vem, a se fortalecer junto a dirigentes de outros Estados.

Cândido se aproximou dos cartolas de clubes e federações tentando emplacar o Proforte, lei pela qual os times pagariam 90% de suas dívidas fiscais com ações voltadas para a formação de atletas.

Mas o Proforte foi desfigurado ao ser relatado por Otávio Leite (PSDB-RJ). Ficou menos adoçado para os dirigentes. O novo formato prevê o pagamento da dívida integral e a criação de uma taxa de 5% do dinheiro arrecadado pela CBF com patrocínios para ser usada na formação de atletas em escolas públicas. A reunião da Comissão Especial da Câmara que decidiria nesta terça se encaminharia o projeto ao plenário não aconteceu por falta de quórum. Cândido ainda luta por um modelo que interesse mais aos clubes e sem a mordida no dinheiro da CBF. Perder prestígio agora por causa do caso envolvendo Yousseff seria péssimo para essa empreitada.

O doleiro é acusado de um esquema de lavagem dinheiro que pode ter movimentado R$ 10 bilhões.

Por sua vez, Cândido, além de sócio de Del Nero, é um dos vice-presidentes da Federação Paulista. E nos últimos anos aumentou sua participação no futebol nacional. Ele atuou na relatoria da Lei Geral da Copa, encontrou dirigentes para discutir o Proforte e, recentemente, participou da entrega de medalhas ao campeão paulista, o Ituano. O deputado chegou a ser cotado para suceder Del Nero na presidência da FPF, mas a possibilidade não se concretizou.