Kalil assume a culpa e Tardelli critica Levir; ambos estão certos, mas…

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Os erros de Kalil

Só posso afirmar que a classificação do Atlético Nacional foi justa depois de saber se Duque estava ou não impedido no gol de empate.

Vi o lance algumas vezes e não consigo ter certeza.

De qualquer maneira, os colombianos, na soma de ambos os jogos, foram melhores.

Mandaram no confronto em ‘Medellin’ e fizeram bom 2° tempo no Horto.

Após a eliminação, o presidente Alexandre Kalil assumiu a responsabilidade

“Sou o responsável, eu fiz as lambanças”, falou.

Ele tem razão.

A escolha de Paulo Autuori e a demora para intervir, mesmo que fosse sem demitir o comandante, impediram o time de desenvolver seu potencial.

A questão não era simplesmente de avaliar se o trabalho do treinador era bom ou não.

Se tratava de conceito de futebol.

O técnico queria montar a equipe para jogar de maneira muito diferente da sugerida pelas características do elenco.

O Galo, desde os tempos de Cuca, precisa aumentar a posse de bola e se defender melhor.

Mas implementar a filosofia de jogo capaz de fazer o time evoluir em ambas as situações e ao mesmo tempo destruir as maiores virtudes ofensivas da equipe foi um erro enorme do treinador escolhido por Alexandre Kalil.

E ele, apesar de não citar nomes e dar uns dribles nas respostas aos repórteres que perguntaram, sabe disso.

O Galo precisa marcar a saída de bola e atuar em velocidade pelos lados, gosta de dar liberdade aos laterais, de explorar bastante os lançamentos para Jô, os cruzamentos para os zagueiros nas cobranças de faltas e escanteios…

Outro erro de Kalil foi contratar Anelka.

O centroavante jogou sem comprometimento em todas equipes que passou.

Pagar um grande salário para quem tende a levar o trabalho ‘sem se estressar’ é quase uma provocação aos outros jogadores de acordo com as leis não escritas, mas seguidas à risca pela boleiragem.

Isso certamente caiu mal no elenco, apesar de o negócio não ter sido concretizado.

A razão de Tardelli e o mau uso dela

Tal qual comentei assim que Levir foi contratado, não tenho como avaliar o momento de treinador porque ele passou quase sete anos no Japão.

O Levir que conheço, o de antes de trabalhar na terra do sol nascente, sabia montar os times, mas pecava bastante, especialmente em momentos decisivos, na leitura do jogo durante os 90 minutos.

Perdeu campeonatos por isso.

Na eliminação do Galo, voltou a repetir as falhas.

O time piorou em cada alteração que fez.

Aos 28, tirou Diego Tardelli e colocou Guilherme. O ídolo da torcida não fazia grande apresentação na parte ofensiva, mas era importante na marcação e bastante participativo na frente.

O Galo não podia sofrer o gol, pois precisaria de outros dois. Além disso, o atacante que ficou indignado ao sair tem história vencedora no clube. Se identifica com ele.

Abrir mão de alguém com tanto peso futebolístico para a agremiação, ainda mais na hora decisiva, é algo que precisa ser bem pensado.

A segunda troca, logo em seguida a de Tardelli, foi de Pierre por Réver.

Segundos depois, Cárdenas, exatamente na região em que Peirre atuou, recebeu a bola e ficou cara a cara com São Victor, que fez uma defesa sensacional para evitar o gol.

O Galo perdeu o meio de campo depois da mudança. Passou a viver de contragolpes. O Atlético Nacional foi superior nos 15 últimos minutos.

Antes havia conseguido, no máximo, equilibrar as ações.

A última mexida só pode ser explicada caso Fernandinho tenha se cansado ou machucado.

Ele era o melhor em campo.

Tardelli, quando questionou as alterações na beira do campo, estava coberto de razão técnica.

Mas o local em que decidiu reclamar, dentro do gramado e para os repórteres com microfones ligados, foi errado.

Isto pode gerar uma crise entre o técnico e ele (Levir já teve com outros no passado), e não ajuda o ambiente.

Devia ter falado pessoalmente, noutra hora, depois de ficar mais calmo, ao comandante o que pensa.

Lembrete para Levir

O treinador ao tratar do assunto na entrevista coletiva após o jogo, falou que futebol, para ele, são números, e Diego Tardelli não havia chutado uma vez em gol com ele no comando.

Lembro ao técnico que o atacante acertou a trave antes do gol de Fernandinho.

Justiça

Qualquer avaliação do trabalho de Levir Culpi no Atlético, hoje, pode ser tratada como ridícula.

Ele assumiu o comando faz uma semana e acertou ao adotar boa parte da filosofia de futebol de Cuca para esta partida porque os atletas estão acostumados.

Também mexeu um pouco na parte ofensiva ao usar Fernandinho bastante do lado direito e pedir ao Jô para abrir na esquerda de vez em quando, o que confundiu, de vez em quando, o sistema defensivo do Atlético Nacional.

Ele disse que vai mexer na estrutura de jogo.

Só depois de mostrar o que pretende e ter algum tempo para implementar as novidades, poderá ser cobrado.

O ideal é que consiga achar o equilíbrio entre a ofensividade ‘Cuquista’ e o “Autuorista’ desejo de muita posse de bola para controlar o jogo.