A barca cigana cruzmaltina (vs. 2014)

Leia o post original por Bruno Maia

crédito: Raphael Zarko

Típico vascaíno nos últimos anos: de uma levada só, chegam vários jogadores, misturando apostas em desconhecidos de nomes bizarros, veteranos que já jogaram bola mas que agora estão buscando um clube grande para tentarem se reerguer e mais alguns jovens promissores jogadores de empresários que, graças aos representantes, conseguiram se encaixar em São Januário, e na primeira oportunidade que seus agentes tiverem de fazer um dinheiro, eles vão vazar. Mais um time temporário sendo montado para sobrevivermos a uma temporada e sem um claro planejamento de longo prazo . Todo vascaíno aguarda há anos uma medida mais forte do clube em termos de contratação. Sentimos todos a falta de viver a chegada de jogadores que causam alvoroço, mexem com o brio da torcida e nos dãom a sensação de ter um novo craque, com potencial de ídolo, pra chamar de nosso – Juninho não conta nessa lista, pois já era ídolo do clube antes. Mas não é o que temos visto há muitos anos. A tal responsabilidade orçamentária é necessária, ok, mas oxigênio para manter o clube vivo, também. A torcida precisa ter argumentos – entenda-se “Craques” – para sustentar as disputas diárias em mesas de boteco contra nossos amigos desafortunados que torcem para outros clubes. Com discernimento, bom senso e bom humor, esse é o segredo da boa rivalidade e foi ela quem nos trouxe, um dia, a gostar de futebol. As duas coisas precisam ser conciliáveis por uma boa gestão.

Apesar disso, não começo crucificando essa política “rodrigo-caetanesca” de montar elencos para o Vasco. Até porque ele já conseguiu em outras épocas bons resultados e o elenco de 2011 começou de um momento similar a este. Nessa leva atual da barca-cigana, Fabricio chega com algum grau de confiança maior e entra na categoria de “veteranos que já jogaram bola mas que agora estão buscando um clube grande para tentarem se reerguer”. Apesar de ter parecido gordinho na apresentação, acho que se ele jogar vendado, com uma perna só, já terá lugar no time de hoje. Com a volta de Pedro Ken e Guiñazu, talvez ele precise tirar a venda, perder uns quilinhos e jogar com as duas pernas. Mas a tendência é seguir titular também. Anderson Salles e Rafael Silva, para mim, são incógnitas e se encaixam como “jovens promissores jogadores de empresários que, graças aos representantes, conseguiram se encaixar em São Januário, e na primeira oportunidade que seus agentes têm de fazer um dinheiro, eles vazam”. Acompanhei pouco os jogos do paulistão esse ano e o que sei é de ler nos jornais.

Na zaga, seguimos órfãos de Dedeckenbauer – que essa semana salvou o Brasil na Libertadores. Até que prove o contrário, o elogiado Anderson Salles é mais um da extensa ficha corrida que a gente vem contratando para a posição. Lembremos que Rafael Vaz também chegou super elogiado e até agora… Na dúvida, Rodrigo e Luan seguem sendo minha aposta para começar os jogos. No ataque, realmente precisamos testar mais opções. Desde Éder Luís, o Vasco vive uma dependência de pontas. Parece que o ataque só pode funcionar desta forma, já tá virando escola cruzmaltina! Com a saída de Éverton Costa, o time buscou um sósia dele. Guilherme Biteco é o gauchinho vem para a cota de “apostas em desconhecidos de nomes bizarros” que nos acostumamos a fazer também. Em relação a ele, acho que Rafael Silva terá uma chance antes, mas deixaria os meninos da base mais um tempo pra pegarem confiança. Parece que Adílson vai bancar esta alteração, sacar Reginaldo do time hoje e talvez até o Montoya. Obrigado, Pai Santana, por essa luz! Prefiro ver Marquinhos do Sul e Yago vingarem, já que têm vínculo com o clube, do que o jogador de um empresário que está comprometido conosco só até o fim do ano. Não é preconceito, mas nesse momento os meninos estão motivados, ganhando seu espaço. Sacá-los, além de injusto, seria desmotivador. Mas vaga se ganha em campo, o tempo vai dizer o que é melhor pro Vasco.

Voltaremos a São Januário, com portões fechados mas estádio cheio da nossa história para esmagar os rubro-negros de Goiás. Os mulambinhos sertanejos hão de ser atropelados na nossa escada rumo ao topo.