Jayme corrige a falha, Kleina fica perdido e Flamengo vence o Palmeiras; entrada de Lucas Mugni mudou o jogo

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Flamengo 4×2 Palmeiras

O Flamengo atuou muito mal no 1° tempo.

A escalação do time e a proposta de jogo foram contraditórias.

Até agora não entendi se os jogadores não obedeceram Jayme de Almeida ou se o técnico falhou feio.

O Palmeiras, mesmo cometendo diversos erros, aproveitou a situação e foi para o vestiário em vantagem.

O treinador do Rubro-Negro corrigiu o problema de sincronia tática com as características dos atletas quando colocou Lucas Mugni.

Sob o comando do argentino, o time deu um baile depois do intervalo e venceu com muita tranquilidade.

Desconfio que o coro dos insatisfeitos com Kleina vai aumentar.

A forma como o Palmeiras foi derrotado, sem esboçar reação, com vários atletas cometendo falhas simples em passes curtos, substituições que não melhoraram o futebol do time, e sendo dominado pelo adversário na parte tática após o período de descanso, vai acabar em cobranças cada vez mais intensas por parte da nação alviverde.

E, de fato, ela tem razão para reclamar.

Novidades

Jayme de Almeida deixou Lucas Mugni no banco e começou com Negueba entre os titulares.

Abriu mão de toque de bola no meio e montou sistema ofensivo mais veloz.

Montou o time no 4-4-2 com Nixon, na direita, e Alecsandro na função de centroavante.

Negueba jogou aberto, do lado esquerdo do meio de campo que teve também Cáceres, Márcio Araújo e Paulinho.

Gilson Kleina promoveu a estréia do centroavante Henrique.

O comandante recuou Marcelo Oliveira para formar a dupla de zaga com Lúcio e escalou o meio-de-campo com Serginho, Josimar, Wesley e Leandro.

Valdívia atuou à frente deste quarteto. foi quem ficou mais perto de Henrique.

Flamengo contraditório

Basta olhar as características dos jogadores do meio-de-campo e ataque de ambos os times para entender qual era a postura que deviam adotar.

O Rubro-Negro tinha mais velocidade e o Alviverde maior capacidade para trabalhar com a bola.

Havia duas opções para o Flamengo: ou marcava a saída de bola para evitar que o meio de campo palmeirense ficasse com ela, ou esperava na linha que divide o campo para atuar de maneira mais compacta, atrair o adversário e levá-lo a deixar espaços para os contra-ataques com Nixon, Negueba e Paulinho, além do centroavante Alecsandro.

Mas os comandados de Jayme de Almeida tentaram jogar com a bola no 1° tempo.

Perderam a disputa no setor porque os atletas escolhidos pelo treinador têm menos qualidade no passe que os do Palmeiras.

Nenhum deles era capaz de pensar o jogo.

A proposta de jogo conflitava com a escalação da equipe.

Outro problema foi o posicionamento defensivo errado.

As linha da defesa e do meio de campo estavam distantes uma da outra.

Palmeiras aproveita

O Alviverde tirou proveito deste espaço que o Flamengo não ocupou na entrada da área e mereceu vencer os 45 minutos iniciais.

Ali, criou as melhores chances de gol.

Aos 11, fez 1×0 no chute de Wesley, livre, naquela região.

Ela foi bem na hora de finalizar, mas o arremate foi defensável.

Felipe chegou a tocar na bola antes de ela entrar no gol.

Torto

Apesar da superioridade palmeirense, o Flamengo empatou logo em seguida.

O sistema defensivo do Alviverde estava bagunçado.

Marcelo Oliveira, que atuou na zaga, foi marcar Nixon e Juninho, o lateral que deveria cuidar do atacante, estava atrás do companheiro, mas muito distante para fazer a sobra.

Nixon aproveitou, driblou Marcelo Oliveira como muita facilidade, e cruzou.

A defesa deu rebote e Paulinho entrou na área livre para chutar e empatar.

Um dos volantes do Palmeiras tinha que acompanhar o autor do gol, mas Josimar (salvo engano era ele) foi ajudar Lúcio, Wesley estava de olho em Negueba e Juninho, pessimamente posicionado, servia apenas como figurante no lance.

O Palmeiras ficou em vantagem de novo aos 30.

A marcação do Flamengo chegou atrasada em Wesley, Valdívia e Henrique, que estreou e balançou a rede graças à jogada bem construída por seus companheiros.

Por que?

O Palmeiras, mesmo vencendo, deu espaços para o Flamengo contra-atacar.

Repito: o Rubro-Negro só tinha esta opção para fazer o gol com a bola rolando.

Por que o lateral Wendel foi toda hora ao ataque e Juninho, sabendo que Nixon ficava perto e tinha liberdade para ajudar pouco o sistema defensivo, também?

Tenho muita curiosidade de saber se isso aconteceu por falta de leitura mínima, pois a situação era óbvia, de jogo do Gilson Kleina, ou se o lateral não entende o que se passa em campo e toma decisões por conta, hipótese que que parece mais palpável.

Fim do conflito 

O Flamengo voltou para o 2° tempo com Lucas Mugni no lugar de Nixon.

O time precisava atacar e ter a posse de bola ofensiva.

O argentino, com características de meia, está acostumado a fazer isso.

Paulinho e Negueba podiam manter a velocidade pelos lados.

A mudança encerrou o conflito e entre a proposta de jogo e as características dos atletas escolhidos por Jayme de Almeida.

E o confronto ficou totalmente diferente.

Baile do Flamengo 

Fernando Prass se machucou e Bruno, criticado por boa parte da nação palestrina, entrou no jogo quando restavam dois minutos para o período de descanso.

O Palmeiras levou um baile e três gols depois do intervalo, mas o goleiro não teve culpa.

O Flamengo adiantou a marcação, impediu o adversário de fazer a transição da defesa ao ataque com a bola no chão e comandado por Lucas Mugni deu um baile.

O bonito e inteligente toque de calcanhar do hermano para André Santos desmontou o sistema defensivo do Palmeiras e permitiu que fosse criado lance do gol de Marcio Araújo.

Aos 14, Mugni acertou lançamento perfeito para Alecsandro, o atacante ganhou na velocidade de Lúcio, e virou o placar.

Marcelo Oliveira estava mais adiantado que o necessário e não se recuperou em tempo.

Inútil

Ao ver o Palmeiras sem nenhum esboço de reação e perdendo, por muito, o duelo no meio de campo. Kleina tirou Serginho e colocou Marquinhos Gabriel.

A substituição não surtiu efeito.

O jogo continuou quase igual.

A única diferença foi o recuo do Flamengo, que abandonou a marcação na saída de bola e começou a se defender na linha que divide o gramado.

Em suma, trocou a postura de atacar pela de contragolpear.

O time de Jayme de Almeida continuou levando perigo contra o gol de Bruno.

Atípico

Aos 27, Alecsandro balançou a rede outra vez.

Wallace arrancou com a bola do campo de defesa depois do passe errado de Marquinhos Gabriel,  driblou Marcelo Oliveira e Lúcio, e tocou para o centroavante.

Devo elogiar o zagueiro pela jogada típica de meias e atacantes rápidos, ou questionar os marcadores que permitiram ao zagueiro sem tanta habilidade executá-la?

E Marquinhos Gabriel que estava descansado, correu atrás dele, e não o alcançou?

Por justiça, não posso deixar de aplaudir Wallace e criticar os marcadores.

Na mesma

Aos 32, João Paulo entrou no lugar de Negueba.

Jayme de Almeida escalou o ala na esquerda para marcar em frente ao lateral André Santos e manter a velocidade do contra-ataque daquele lado.

Cinco minutos depois, Medieta substituiu Wendel.

Wesley foi deslocado para a lateral-direita.

O confronto seguiu na mesma toada, tranquilo para o Flamengo, e com o Palmeiras sem achar caminhos para recomeçar a jogar futebol.

O Alviverde, tal qual se diz no futebolês, não voltou para o 2° tempo.

Lembro que o Rubro-Negro havia sido mandante contra o Goiás e visitado o Corinthians, e quando foi mandante, e não tinha feito gol no campeonato brasileiro.

Resultado justo

O único erro da arbitragem que merece ser lembrado foi um impedimento mal marcado no ataque do Flamengo.

O time venceu apenas por seus méritos e erros do Palmeiras.

O resultado, por isso, foi justo.

Os destaques

Destaco Lucas Mugni e Alecsandro e Cáceres como melhores em campo.

O argentino mudou o jogo, o centroavante foi decisivo nas finalizações e o volante anulou Valdívia no 2° tempo.

O chileno ficou perdido depois que o paraguaio começou a marcá-lo de perto.

Ficha do jogo

Flamengo – Felipe; Luiz Antônio, Wallace, Samir e André Santos; Cáceres, Márcio Araújo, Paulinho e Negueba (João Paulo), Nixon (Lucas Mugni) e Alecsandro
Técnico: Jayme de Almeida

Palmeiras – Fernando Prass (Bruno); Wendel (Mendieta), Lúcio, Marcelo Oliveira e Juninho; Josimar, Wesley, Serginho (Marquinhos Gabriel),
e Leandro; Valdivia e Henrique
Técnico: Gilson Kleina.

Árbitro: Paulo H. Godoy Bezerra
Auxiliares: Carlos Berkenbrock e Cristhian Sorence
Público: 16.318 pagantes (21.082 presentes). Renda: R$ 763.125,00