O planejamento e a cultura de um time

Leia o post original por Bruno Maia

crédito: Marcelo Sadio

Pelo menos um carioca vai estar na série B ano que vem e não será o Vasco. Muitos comentários surgem aqui discutindo a mudança de abrir esse espaço para mulambos, tapeteiros e para nossos maiores fregueses histórico se manifestarem. Mas o fato é que, além da veia democrática que todo vascaíno carrega, penso que eles estão interessados no que acontece aqui. Nesse momento, além do recalque e da canalhice por verem que só conseguem sustentar vantagem sobre nós na base da falta de suas celebradas faltas de caráter, alguém lá vai cair e todos sabem que são candidatos.

Do nosso lado, realmente acredito que a coisa vai entrar no eixo rapidamente. Hoje soubemos da volta de Pedro Ken, Rodrigo e Edmílson aos treinos. Daqui a pouco, os portões de São Januário se abrem, a torcida volta e quando entrarmos no G-4 não sairemos mais. Questão de tempo. Isso não é achar que o time é bom, que o trabalho da diretoria é exemplar, ou mesmo que o Adílson Batista é um gênio. Longe de qualquer uma dessas coisas, mas é um fato. Ainda acredito que, dentro de campo, nossa principal missão esse ano é preparar a casa para voltar bem ano que vem. Por isso ainda me incomoda seguir essa política de contratações de aluguel que só miram até o fim do ano. Mais uma razão para investirmos nos moleques da base. Tá certo que com a falta de grana, o Cristiano Kohler não vai hesitar na hora de sair vendendo a turma, em vez de esperar mais um pouco. Ele mesmo já disse que é necessário vender pelo menos um por ano. Difícil julgar sem estar lá, mas se conseguimos subir quatro ou cinco atletas para o time principal, fica uma esperança de que uns dois ou três sobrevivam mais tempo e sirvam de base para o elenco em 2015. Fato é que se também não conseguirmos ter um aproveitamento mínimo de dois a três anos pelos jogadores da base, fica difícil entender como a diretoria acredita ser possível ter um time em algum momento, já que contratar craques também não está na política deles.

Vou bater muito nessa tecla aqui: é preciso ter uma política clara, de médio-longo prazo, para a construção de time? De financiamento de dívida e planejamento financeiro, a diretoria até fala. Mas de cultura de elenco, nunca vejo e não consigo entender. Pela primeira vez em muito tempo parece que temos uma base subindo com consistência. Não é só um moleque, são vários ao mesmo tempo. Que isso sirva para fazer com que comecem a pensar agora em quem vamos ser no ano que vem.