A lista de problemas do Palmeiras e a busca pelo grande culpado

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Achar um culpado e ‘condená-lo’ é mais fácil que entender situações e pensar em formas realistas de resolvê-las.

Assim são as coisas em diversos setores da sociedade, como no futebol.

A passionalidade que sobrepõe a razão exige resposta rápida.

Necessita de alguma espécie de ação capaz de aliviar o sofrimento e dar a esperança de mudança, mesmo se, do ponto de vista técnico, a alteração não justificar o otimismo.

Todo clube já viveu situação assim.

Na hora da crise, a quantidade de decisões impulsivas dos cartolas cresce.

O Palmeiras precisa tomar cuidado para não cair nesta armadilha.

Se a torcida achar que Gilson Kleina é o responsável pelo começo sofrível do time no Brasileirão e a direção for no embalo, a chance de tudo continuar mais ou menos como está aumentará.

Concordo que o treinador não achou, ao menos ainda, a forma de lidar com o monte de problemas que enfrentou, e que nas horas decisivas ou de grande pressão ficou devendo, até agora, nessa temporada.

Mas ele perdeu o principal jogador do time por erro do presidente Paulo Nobre e ficou sem nenhum atleta, mesmo de qualidade inferior ao titular, capaz de completar o esquema trabalhado desde janeiro.

Henrique foi contratado, mas ao menos contra o Flamengo não fez o trabalho defensivo e nem o de pivô como Kardec realizava.

É pouco para as necessidades coletivas do time.

Valdívia, o mais técnico do elenco, como acontece na maioria das vezes em que o time está mal, sumiu no 2° tempo contra o Flamengo.

O chileno, que apesar de ser ídolo de vários alviverdes nunca liderou a equipes nos momentos de crise, não irá ao Maranhão porque sua musculatura está sobrecarregada.

Fernando Prass, outro que vinha bem, se machucou.

Boa parte da nação palestrina desconfia da qualidade do reserva, marcado pelo erro na eliminação da Libertadores do ano passado contra o Tijuana.

Além disso, Lúcio precisa de um companheiro para Marcelo Oliveira poder jogar no meio de campo.

Ou a direção contrata um volante de marcação realmente bom e deixa o outro improvisado ao lado zagueiro do penta.

Com os laterais que o Palmeiras tem é fundamental a marcação no meio.

Ambos são limitados na parte defensiva, em especial o Juninho, e precisam de ajuda.

O ideal seria buscar ao menos um atleta competente na parte defensiva para a posição, mas o mercado oferece poucas opções.

Se for para investir as prioridades devem ser os atletas com mais qualidade para o ataque e um volante ou zagueiro.

Leandro, por exemplo, está mal desde o início do ano e o time precisa de outro centroavante.

Não pode encarar o Brasileirão apenas com Henrique, ou com ele e o Miguel.

Em suma, houve erro da direção, o mais habilidoso pouco aparece nas horas difíceis e time titular, não estou nem falando do elenco, tem diversos pontos fracos na parte defensiva e pouquíssimas opções na ofensiva.

A missão de lidar com todas essas questões é difícil para Kleina, como seria se qualquer outro treinador ocupasse o cargo dele.

Isto não significa que o técnico está isento de responsabilidade.

Mas trocá-lo simplesmente para acabar com a insatisfação dos torcedores, conselheiros e outros críticos, sem ter quem resolva grande parte desses problemas e reforços para o comandante ter no elenco as soluções para os problemas, será como jogar a sujeira para baixo do tapete.

Ela vai se espalhar de novo em breve e toda insatisfação voltará.

Importante:

O tempo para a direção tomar as medidas necessárias vai diminuindo após cada rodada do campeonato brasileiro.

E a pressão, por causa dos resultados ruins e do trauma de dois rebaixamentos, aumentando enquanto os resultados não melhoram.

O jogo de sábado, por exemplo, em casa, diante do Goiás que anteontem venceu o Atlético no Independência, é uma verdadeira armadilha.

Se o Palmeiras não ganhar, a crise vai ganhar bastante força.

Justiça

Diante do cenário, está claro que Kleina não pode ser tratado como o grande responsável pelos mau momento.

Ele gostaria de contar com elenco melhor.

A direção é quem contrata.

As administrações anteriores deixaram futebol do clube em situação econômica difícil.

Quando um gigante como o Palmeiras passa tanto tempo fazendo seus torcedores sofrerem, é porque houve diversas falhas de gestão do futebol.

E não será apenas com uma medida, seja qual for, que tudo será resolvido.

Soluções imediatas

O time precisa de alguns reforços, mesmo se não forem atletas do nível dos melhores que atuam no país, nas posições citadas, e de tranquilidade dentro do CT do time, seja com ou sem o Kleina, para trabalhar e melhorar.

Lembro que o cenário do campeonato brasileiro, após a Copa do Mundo e a abertura da janela de transferências, pode mudar.

Se isto vai ser bom ou ruim para o Palestra, não sei.